{"id":29697,"date":"2026-10-16T08:53:39","date_gmt":"2026-10-16T08:53:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.maapprogram.org\/?p=29697"},"modified":"2026-10-20T16:13:25","modified_gmt":"2026-10-20T16:13:25","slug":"amazon-tipping-point-2026","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.maapprogram.org\/pt-br\/amazon-tipping-point-2026\/","title":{"rendered":"MAAP #250: Ponto de Inflex\u00e3o da Amaz\u00f4nia \u2013 Situa\u00e7\u00e3o Atual (Atualiza\u00e7\u00e3o de 2026)"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_29624\" class=\"thumbnail alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-29624 \" src=\"http:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Map_TippingPoint_2025_v5-1024x819.jpeg\" alt=\"\" width=\"725\" height=\"580\" srcset=\"https:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Map_TippingPoint_2025_v5-1024x819.jpeg 1024w, https:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Map_TippingPoint_2025_v5-300x240.jpeg 300w, https:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Map_TippingPoint_2025_v5-768x615.jpeg 768w, https:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Map_TippingPoint_2025_v5-1536x1229.jpeg 1536w, https:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Map_TippingPoint_2025_v5-2048x1639.jpeg 2048w\" sizes=\"(max-width: 725px) 100vw, 725px\" \/><div class=\"caption\">Figure 1. Amazon primary forest loss. Data: Amazon Conservation\/MAAP, UMD.<\/div><\/div>\n<p>\u00c9 frequente o alerta de que a maior floresta tropical do mundo, a <strong>Amaz\u00f4nia<\/strong>, est\u00e1 se aproximando rapidamente de um ponto de inflex\u00e3o.<\/p>\n<p>De forma geral, esse <strong>ponto de inflex\u00e3o<\/strong> corresponde ao momento em que partes da floresta passam a se converter em ecossistemas mais secos devido \u00e0 altera\u00e7\u00e3o dos padr\u00f5es de precipita\u00e7\u00e3o provocada pelo avan\u00e7o do desmatamento.<\/p>\n<p>A Amaz\u00f4nia gera de forma singular grande parte de sua pr\u00f3pria precipita\u00e7\u00e3o ao reciclar a umidade proveniente de sua fonte oriental, o Oceano Atl\u00e2ntico, at\u00e9 a regi\u00e3o oeste, nos Andes e al\u00e9m, em um fen\u00f4meno conhecido como <strong>rios voadores<\/strong> (ver <a href=\"https:\/\/www.maapprogram.org\/amazon-flying-rivers\/\">MAAP #232<\/a> e o <a href=\"https:\/\/www.amazonconservation.org\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/EN_Flying-Rivers-1.pdf\">documento t\u00e9cnico<\/a> subsequente). Assim, n\u00edveis elevados de desmatamento na Amaz\u00f4nia Oriental podem causar impactos a jusante, reduzindo a precipita\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia Ocidental. \u00c9 importante destacar que esses rios voadores seguem trajet\u00f3rias distintas durante a esta\u00e7\u00e3o chuvosa (rota norte) e a esta\u00e7\u00e3o seca (rota sul), o que indica que o ponto de inflex\u00e3o n\u00e3o ocorrer\u00e1 de forma uniforme em todo o bioma amaz\u00f4nico, uma vez que algumas regi\u00f5es s\u00e3o mais vulner\u00e1veis do que outras \u00e0s interrup\u00e7\u00f5es dos fluxos de umidade atmosf\u00e9rica.<\/p>\n<p>A literatura cient\u00edfica indica que esse ponto de inflex\u00e3o pode ser desencadeado quando a perda florestal na Amaz\u00f4nia atingir cerca de 25%, em combina\u00e7\u00e3o com os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas (ver Refer\u00eancias).<\/p>\n<p>Em um relat\u00f3rio publicado em 2022 (<a href=\"https:\/\/www.maapprogram.org\/amazon-tipping-point\/\">MAAP #164<\/a>), foi reconstru\u00edda a extens\u00e3o prov\u00e1vel da floresta original do bioma amaz\u00f4nico antes da coloniza\u00e7\u00e3o europeia e estimada a perda florestal acumulada at\u00e9 2021. A an\u00e1lise concluiu que 13,2% das florestas prim\u00e1rias originais da Amaz\u00f4nia haviam sido perdidas em decorr\u00eancia do desmatamento e dos inc\u00eandios.<\/p>\n<p>Neste 250\u00ba relat\u00f3rio, essa estimativa \u00e9 atualizada com dados de perda florestal at\u00e9 2025. Entre 2022 e 2025, foram registrados 13 milh\u00f5es de hectares adicionais de perda florestal, incluindo o ano recorde de inc\u00eandios de 2024. A estimativa atual indica que <strong>15% da floresta prim\u00e1ria original do bioma amaz\u00f4nico<\/strong> j\u00e1 foi perdida, principalmente em raz\u00e3o do desmatamento e dos inc\u00eandios (<strong>Figura 1<\/strong>).<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, ao analisar os resultados por rotas sazonais de fluxo de umidade (ver Figura 3), observa-se que os fluxos das esta\u00e7\u00f5es seca e de transi\u00e7\u00e3o s\u00e3o os mais impactados, com perdas florestais de 9,1% e 8,6%, respectivamente. Esse resultado \u00e9 particularmente relevante porque, durante esses per\u00edodos cr\u00edticos, a reciclagem de umidade promovida pela floresta \u00e9 essencial para a manuten\u00e7\u00e3o das florestas tropicais no sudoeste da Amaz\u00f4nia. Em contraste, os fluxos de umidade da esta\u00e7\u00e3o chuvosa permanecem relativamente preservados, registrando apenas 3,2% de perda florestal acumulada.<\/p>\n<div class=\"fitem-sep\"><\/div>\n<p><strong>Floresta Original da Amaz\u00f4nia<\/strong><\/p>\n<p>Conforme apresentado no <a href=\"https:\/\/www.maapprogram.org\/amazon-tipping-point\/\">MAAP #164<\/a>, diferentes bases de dados foram integradas para estimar <strong>a extens\u00e3o da floresta original da Amaz\u00f4nia (Figura 2)<\/strong>. Neste estudo, a floresta original \u00e9 definida como a cobertura florestal existente antes da coloniza\u00e7\u00e3o europeia, embora possa incluir altera\u00e7\u00f5es associadas \u00e0s popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas pr\u00e9-coloniais. Cabe destacar que foi adotada uma defini\u00e7\u00e3o biogeogr\u00e1fica ampla da Amaz\u00f4nia, abrangendo nove pa\u00edses do bioma amaz\u00f4nico, e n\u00e3o apenas os limites da bacia hidrogr\u00e1fica amaz\u00f4nica (ver Metodologia).<\/p>\n<p>O mapa apresenta tr\u00eas classes: Floresta Original da Amaz\u00f4nia, \u00c1reas originalmente n\u00e3o florestais (como savanas naturais) e Corpos d&#8217;\u00e1gua.<\/p>\n<p>Os resultados indicam que a floresta prim\u00e1ria original da Amaz\u00f4nia cobria <strong>647,6 milh\u00f5es de hectares<\/strong> (equivalentes a 1,6 bilh\u00e3o de acres).<\/p>\n<p>Desse total, 61,4% correspondiam ao atual territ\u00f3rio brasileiro, seguido por Peru (12%), Col\u00f4mbia (7%), Venezuela (6%) e Bol\u00edvia (5%). Equador, Guiana, Suriname e Guiana Francesa representavam conjuntamente os 8% restantes.<\/p>\n<div id=\"attachment_29634\" class=\"thumbnail aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-29634 \" src=\"http:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Map1_OriginalForest_AmzBiog_200dpi_v5-1024x825.jpg\" alt=\"\" width=\"810\" height=\"653\" srcset=\"https:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Map1_OriginalForest_AmzBiog_200dpi_v5-1024x825.jpg 1024w, https:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Map1_OriginalForest_AmzBiog_200dpi_v5-300x242.jpg 300w, https:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Map1_OriginalForest_AmzBiog_200dpi_v5-768x619.jpg 768w, https:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Map1_OriginalForest_AmzBiog_200dpi_v5-1536x1237.jpg 1536w, https:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Map1_OriginalForest_AmzBiog_200dpi_v5-2048x1650.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 810px) 100vw, 810px\" \/><div class=\"caption\">Figure 2. Original Amazon biome forest. Data: Amazon Conservation\/MAAP. Source MAAP#164.<\/div><\/div>\n<div class=\"fitem-sep\"><\/div>\n<p><strong>Perda Florestal na Amaz\u00f4nia<\/strong><\/p>\n<p>No <a href=\"https:\/\/www.maapprogram.org\/amazon-tipping-point\/\">MAAP #164<\/a>, foi estimada a perda acumulada de floresta prim\u00e1ria na Amaz\u00f4nia at\u00e9 o final de 2021, totalizando 85,5 milh\u00f5es de hectares, o equivalente a 13,2% da cobertura florestal original.<\/p>\n<p>Neste relat\u00f3rio, a an\u00e1lise foi atualizada com dados at\u00e9 o final de 2025. Os resultados foram organizados em tr\u00eas per\u00edodos distintos.<\/p>\n<p>At\u00e9 o ano 2000, estima-se que a floresta original da Amaz\u00f4nia j\u00e1 havia perdido 36 milh\u00f5es de hectares (MAAP #164).<\/p>\n<p>A estimativa de perda de floresta prim\u00e1ria entre 2001 e 2021 foi revisada de 49,5 milh\u00f5es para 48 milh\u00f5es de hectares, em fun\u00e7\u00e3o de ajustes metodol\u00f3gicos nos dados de perda florestal da Universidade de Maryland (UMD). Esse total engloba perdas decorrentes tanto de inc\u00eandios florestais (7,3 milh\u00f5es de hectares) quanto de outras causas (40,7 milh\u00f5es de hectares), sem considerar ganhos de cobertura florestal ou processos de regenera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para o per\u00edodo de 2022 a 2025, uma nova estimativa baseada nos dados mais recentes da UMD indica uma perda adicional de 13,04 milh\u00f5es de hectares. Esse resultado inclui o ano recorde de 2024, marcado por inc\u00eandios florestais de grande escala, impulsionados principalmente pelos efeitos do intenso epis\u00f3dio de El Ni\u00f1o de 2023 (ver <a href=\"https:\/\/www.maapprogram.org\/amazon-deforestation-fire-hotspots-2024\/\">MAAP #229<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.maapprogram.org\/el-nino-amazon-fires\/\">#248<\/a>). Desse total, 5,43 milh\u00f5es de hectares foram perdidos por inc\u00eandios e 7,61 milh\u00f5es de hectares por outras causas. Em apenas quatro anos, a \u00e1rea perdida equivale ao tamanho do estado norte-americano da Louisiana.<\/p>\n<p>A soma dos tr\u00eas per\u00edodos resulta em uma perda acumulada de <strong>97,06 milh\u00f5es de hectares<\/strong> de floresta amaz\u00f4nica, o equivalente a cerca de 240 milh\u00f5es de acres. Desse total, 12,78 milh\u00f5es de hectares foram perdidos em decorr\u00eancia de inc\u00eandios florestais e 84,28 milh\u00f5es de hectares em fun\u00e7\u00e3o do desmatamento.<\/p>\n<p>O Brasil concentrou a maior parcela dessa perda (79,4%), seguido por Bol\u00edvia (6,2%), Peru (5,8%), Col\u00f4mbia (4,5%), Venezuela (1,7%), Guiana (0,8%), Equador (0,7%), Suriname (0,6%) e Guiana Francesa (0,2%).<\/p>\n<p>Ao relacionar a perda acumulada de 97,06 milh\u00f5es de hectares \u00e0 \u00e1rea original estimada de 647,6 milh\u00f5es de hectares, chega-se ao principal resultado deste estudo: <strong>15% da floresta original do bioma amaz\u00f4nico j\u00e1 foi perdida<\/strong>, sobretudo em decorr\u00eancia do desmatamento e dos inc\u00eandios (<strong>Figura 1<\/strong>). Essa estimativa tamb\u00e9m contempla perdas associadas a causas naturais, como deslizamentos de terra e tempestades de vento.<\/p>\n<p>A <strong>Figura 3<\/strong> apresenta os resultados desagregados segundo as rotas sazonais dos fluxos de umidade atmosf\u00e9rica, conforme descrito no <a href=\"https:\/\/www.maapprogram.org\/amazon-flying-rivers\/\">MAAP #232<\/a>. A an\u00e1lise indica que a rota associada \u00e0 esta\u00e7\u00e3o de transi\u00e7\u00e3o \u00e9 a mais vulner\u00e1vel, com 9,1% de perda florestal acumulada, seguida pela rota da esta\u00e7\u00e3o seca, com 8,6%.<\/p>\n<p>Esse resultado \u00e9 especialmente relevante porque, durante esses per\u00edodos cr\u00edticos, os rios voadores desempenham papel fundamental no transporte de umidade para as florestas do sudoeste da Amaz\u00f4nia, mais suscet\u00edveis ao estresse h\u00eddrico. Assim, o desmatamento extensivo nas por\u00e7\u00f5es leste e central dessas rotas pode comprometer a disponibilidade de umidade nas \u00e1reas localizadas a oeste, a jusante dos fluxos atmosf\u00e9ricos. Esses achados refor\u00e7am que o ponto de inflex\u00e3o da Amaz\u00f4nia n\u00e3o constitui um evento \u00fanico e homog\u00eaneo em todo o bioma. Pelo contr\u00e1rio, determinadas regi\u00f5es tendem a ser impactadas mais cedo e de forma mais intensa, em fun\u00e7\u00e3o de sua maior depend\u00eancia desses fluxos de umidade.<\/p>\n<p>Em contraste, a rota de umidade associada \u00e0 esta\u00e7\u00e3o chuvosa permanece relativamente mais preservada, com apenas 3,2% de perda florestal acumulada.<\/p>\n<div id=\"attachment_29628\" class=\"thumbnail aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-29628 \" src=\"http:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Map_TippingPoint_Moisture_Flow_v4_rayas-1024x819.jpeg\" alt=\"\" width=\"810\" height=\"648\" srcset=\"https:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Map_TippingPoint_Moisture_Flow_v4_rayas-1024x819.jpeg 1024w, https:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Map_TippingPoint_Moisture_Flow_v4_rayas-300x240.jpeg 300w, https:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Map_TippingPoint_Moisture_Flow_v4_rayas-768x615.jpeg 768w, https:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Map_TippingPoint_Moisture_Flow_v4_rayas-1536x1229.jpeg 1536w, https:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Map_TippingPoint_Moisture_Flow_v4_rayas-2048x1639.jpeg 2048w\" sizes=\"(max-width: 810px) 100vw, 810px\" \/><div class=\"caption\"><em>Figura 3. Perda florestal da Amaz\u00f4nia nas rotas dos rios voadores. Dados: Amazon Conservation\/MAAP.<\/em><\/div><\/div>\n<div class=\"fitem-sep\"><\/div>\n<p><strong>Metodologia<\/strong><\/p>\n<p>Este estudo baseia-se em duas estimativas centrais: a extens\u00e3o da floresta original da Amaz\u00f4nia e a perda florestal hist\u00f3rica acumulada no bioma.<\/p>\n<p>Para ambas as estimativas, foi adotado o limite biogeogr\u00e1fico da Amaz\u00f4nia definido pela RAISG (2020), abrangendo territ\u00f3rios de nove pa\u00edses. Dessa forma, utilizou-se uma defini\u00e7\u00e3o mais ampla da Amaz\u00f4nia, correspondente ao bioma amaz\u00f4nico, em vez dos limites estritos da bacia hidrogr\u00e1fica amaz\u00f4nica, que excluem parte da por\u00e7\u00e3o nordeste do bioma.<\/p>\n<p>Conforme apresentado no <a href=\"https:\/\/www.maapprogram.org\/amazon-tipping-point\/\">MAAP #164<\/a>, a estimativa da floresta original da Amaz\u00f4nia foi constru\u00edda a partir de tr\u00eas classes principais: Floresta, N\u00e3o Floresta e Cursos d\u2019\u00e1gua. A an\u00e1lise baseou-se nos dados do MapBiomas Brasil (Cole\u00e7\u00e3o 2, ano-base 1990), complementados por ajustes metodol\u00f3gicos adicionais. Como mencionado anteriormente, a floresta original corresponde \u00e0 cobertura florestal existente antes da coloniza\u00e7\u00e3o europeia, embora possa refletir modifica\u00e7\u00f5es decorrentes da ocupa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena pr\u00e9-colonial.<\/p>\n<p>A classe Floresta Original compreende as categorias Forma\u00e7\u00e3o Florestal, Manguezal, Floresta Alagada e Mosaico de Agricultura e Pastagem. A classe N\u00e3o Floresta inclui Forma\u00e7\u00e3o Sav\u00e2nica, Forma\u00e7\u00e3o Natural N\u00e3o Florestal Alagada, Campo e Outras Forma\u00e7\u00f5es N\u00e3o Florestais. Por fim, a classe Cursos d\u2019\u00e1gua abrange as categorias Rio, Lago, Oceano e Geleira.<\/p>\n<p>Em seguida, foram realizados ajustes e revis\u00f5es manuais com base em dados da Universidade de Maryland (UMD), do INPE (TerraBrasilis), em imagens de sat\u00e9lite do ArcGIS, mosaicos da Planet, imagens Landsat de 1984 a 1990 dispon\u00edveis no Google Earth Engine e em bases oficiais de diversos pa\u00edses, incluindo o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente do Equador (MAE), o GeoBosques\/MINAM do Peru, o IDEAM da Col\u00f4mbia, o INPE\/TerraBrasilis do Brasil, a Dire\u00e7\u00e3o Geral de Gest\u00e3o e Desenvolvimento Florestal da Bol\u00edvia (DGGDF) e o Servi\u00e7o Nacional de \u00c1reas Protegidas da Bol\u00edvia (SERNAP). Um dos principais ajustes consistiu na reclassifica\u00e7\u00e3o de \u00e1reas desmatadas e de reservat\u00f3rios de barragens hist\u00f3ricas como Floresta Original, com base na an\u00e1lise das imagens de sat\u00e9lite mais antigas dispon\u00edveis para cada localidade (1984-1990). Tamb\u00e9m foram corrigidas inconsist\u00eancias de classifica\u00e7\u00e3o. \u00c1reas florestais identificadas em regi\u00f5es claramente n\u00e3o florestais foram reclassificadas como N\u00e3o Floresta (e vice-versa), enquanto \u00e1reas de floresta em regi\u00f5es montanhosas classificadas incorretamente como \u00e1gua foram reclassificadas como Floresta. Da mesma forma, \u00e1reas agr\u00edcolas e urbanas localizadas em zonas provavelmente ocupadas por savanas foram reclassificadas como N\u00e3o Floresta. Adicionalmente, foram incorporados dados de Cursos d\u2019\u00e1gua do MapBiomas referentes a 1985. De forma geral, o esfor\u00e7o metodol\u00f3gico concentrou-se na delimita\u00e7\u00e3o mais precisa poss\u00edvel da Floresta Original. Por essa raz\u00e3o, as eventuais ambiguidades entre as classes N\u00e3o Floresta e Cursos d\u2019\u00e1gua foram tratadas com menor n\u00edvel de detalhamento.<\/p>\n<p>Para estimar a perda florestal hist\u00f3rica acumulada na Amaz\u00f4nia, foram utilizados dados da Universidade de Maryland (UMD). Inicialmente, a camada Tree Cover 2000 (cobertura arb\u00f3rea com densidade de copa superior a 30%) foi empregada para estimar a perda florestal ocorrida antes de 2000.<\/p>\n<p>Para o per\u00edodo de 2001 a 2025, foram utilizados os conjuntos de dados Mudan\u00e7a Global da Cobertura Florestal<em> (Global Forest Change &#8211; <\/em>GFC<em>) e <\/em>Perda Florestal Global Devida ao Fogo<em> (Global Forest Loss Due to Fire)<\/em>, tamb\u00e9m desenvolvidos pela UMD. A partir da camada que registra o ano da perda florestal no GFC, foi estimada a perda anual de cobertura florestal.<\/p>\n<p>Em seguida, a perda florestal foi separada entre eventos associados ao fogo e n\u00e3o associados ao fogo com base no conjunto de dados Perda Florestal Global Devida ao Fogo. \u00c1reas classificadas com n\u00edvel m\u00e9dio ou alto de certeza de atribui\u00e7\u00e3o ao fogo (c\u00f3digos 3 e 4) foram consideradas como perda florestal relacionada a inc\u00eandios. J\u00e1 as \u00e1reas classificadas com os c\u00f3digos 1 e 2 foram consideradas perdas n\u00e3o relacionadas ao fogo, atribu\u00eddas a outros fatores de supress\u00e3o florestal. Essa abordagem foi adotada para minimizar poss\u00edveis superestima\u00e7\u00f5es da perda florestal associada aos inc\u00eandios. Todo o processamento e as an\u00e1lises foram realizados na plataforma Google Colaboratory.<\/p>\n<p>\u00c9 importante destacar que, para o per\u00edodo mais recente (2001-2025), est\u00e3o dispon\u00edveis dados sobre perda florestal associada tanto ao fogo quanto a causas n\u00e3o relacionadas ao fogo. Esses dados representam nossa melhor estimativa, ou aproxima\u00e7\u00e3o, da perda de floresta prim\u00e1ria. As perdas n\u00e3o relacionadas ao fogo podem ser consideradas mais permanentes, como o desmatamento, enquanto as perdas associadas ao fogo podem ser entendidas principalmente como degrada\u00e7\u00e3o florestal. Os resultados apresentados acima combinam ambos os tipos de perda, de modo a manter a consist\u00eancia com os resultados originalmente apresentados no <a href=\"https:\/\/www.maapprogram.org\/amazon-tipping-point\/\">MAAP #164<\/a>.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 importante destacar que nossas estimativas n\u00e3o incluem ganhos de cobertura florestal ou regenera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por fim, estimamos a perda de floresta prim\u00e1ria nas principais rotas sazonais de fluxo de umidade (esta\u00e7\u00f5es chuvosa, seca e de transi\u00e7\u00e3o), conforme apresentado no <a href=\"https:\/\/www.maapprogram.org\/amazon-flying-rivers\/\">MAAP #232<\/a>.<\/p>\n<div class=\"fitem-sep\"><\/div>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>Sampaio, G., Nobre, C., Costa, M. H., Satyamurty, P., Soares\u2010Filho, B. S., &amp; Cardoso, M. (2007). Regional climate change over eastern Amazonia caused by pasture and soybean cropland expansion. Geophysical Research Letters, 34(17).<\/p>\n<p>Hansen, M. C. et. al. (2013) High-Resolution Global Maps of 21st-Century Forest Cover Change. Science 342.<\/p>\n<p>Nobre et al. (2016) Land-use and climate change risks in the Amazon and the need of a novel sustainable development paradigm. PNAS, 113 (39).<\/p>\n<p>Turubanova S., Potapov P., Tyukavina, A., and Hansen M. (2018) Ongoing primary forest loss in Brazil, Democratic Republic of the Congo, and Indonesia.\u00a0<em>Environmental Research Letters.<\/em><\/p>\n<p>Lovejoy, T. E., &amp; Nobre, C. (2018). Amazon Tipping Point. Science Advances, 4(2).<\/p>\n<p>Lovejoy, T. E., &amp; Nobre, C. (2019). Amazon tipping point: Last chance for action. Science Advances, 5 (12).<\/p>\n<p>Bullock et. al. (2019) Satellite-based estimates reveal widespread forest degradation in the Amazon. Glob Change Biol., 26.<\/p>\n<p>Amigo, I. (2020) The Amazon\u2019s fragile future. Nature, 578.<\/p>\n<p>Killeen (2021) A Perfect Storm in the Amazon Wilderness<\/p>\n<p>Berenguer E. et. al. (2021) Ch 19. Drivers and ecological impacts of deforestation and forest degradation. In: Nobre C, Encalada et al. (Eds). Amazon Assessment Report 2021. United Nations Sustainable Development Solutions Network, New York, USA. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.theamazonwewant.org\/spa-reports\">https:\/\/www.theamazonwewant.org\/spa-reports<\/a><\/p>\n<p>Hirota M et. al (2021) Science Panel for the Amazon, Ch 24. Resilience of the Amazon Forest to Global Changes: Assessing the Risk of Tipping Points. In: Nobre C, Encalada et al. (Eds). Amazon Assessment Report 2021. United Nations Sustainable Development Solutions Network, New York, USA. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.theamazonwewant.org\/spa-reports\/\">https:\/\/www.theamazonwewant.org\/spa-reports\/<\/a><\/p>\n<p>Wunderling et al (2022) Recurrent droughts increase risk of cascading tipping events by outpacing adaptive capacities in the Amazon rainforest. PNAS 119 (32) e2120777119.<\/p>\n<div class=\"fitem-sep\"><\/div>\n<p><strong>Agradecimentos<\/strong><\/p>\n<p>Este trabalho contou com o apoio da NORAD (Ag\u00eancia Norueguesa para Coopera\u00e7\u00e3o ao Desenvolvimento).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-23526 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/maaproject.org-maap-208-mineria-de-oro-en-la-amazonia-peruana-sur-resumen-2021-2024-Norad-Logo.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"166\" \/><\/p>\n<div class=\"fitem-sep\"><\/div>\n<p><strong>Cita\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Finer M., Mamani N., Ari\u00f1ez A., Castillo H. (2026). <em>Amazon Tipping Point \u2013 Where Are We? (2026 Update).<\/em> Tradu\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo: <em>Ponto de Inflex\u00e3o da Amaz\u00f4nia \u2013 Situa\u00e7\u00e3o Atual (Atualiza\u00e7\u00e3o de 2026).<\/em><\/p>\n<div class=\"fitem-sep\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 frequente o alerta de que a maior floresta tropical do mundo, a Amaz\u00f4nia, est\u00e1 se aproximando rapidamente de um ponto de inflex\u00e3o. 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