{"id":29715,"date":"2026-10-28T07:33:42","date_gmt":"2026-10-28T07:33:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.maapprogram.org\/?p=29715"},"modified":"2026-10-28T13:54:21","modified_gmt":"2026-10-28T13:54:21","slug":"maap-no-251-mineracao-ilegal-de-ouro-transfronteirica-brasil-rio-purue-e-colombia-rio-pure","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.maapprogram.org\/pt-br\/maap-no-251-mineracao-ilegal-de-ouro-transfronteirica-brasil-rio-purue-e-colombia-rio-pure\/","title":{"rendered":"MAAP #251: Minera\u00e7\u00e3o ilegal de ouro transfronteiri\u00e7a: Brasil (rio Puru\u00ea) e Col\u00f4mbia (rio Pur\u00e9)"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_29650\" class=\"thumbnail alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-29650 \" src=\"http:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Base_map_v6-1024x731.jpg\" alt=\"\" width=\"742\" height=\"530\" srcset=\"https:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Base_map_v6-1024x731.jpg 1024w, https:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Base_map_v6-300x214.jpg 300w, https:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Base_map_v6-768x548.jpg 768w, https:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Base_map_v6-1536x1097.jpg 1536w, https:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Base_map_v6-2048x1463.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 742px) 100vw, 742px\" \/><div class=\"caption\"><em>Figura 1. Mapa-base da \u00e1rea de minera\u00e7\u00e3o transfronteiri\u00e7a Col\u00f4mbia-Brasil. Dados: ACA\/MAAP<\/em><\/div><\/div>\n<p><em>*Este relat\u00f3rio transfronteiri\u00e7o \u00e9 uma colabora\u00e7\u00e3o com o Field Museum of Natural History, como parte de um <\/em><a href=\"https:\/\/www.rapidinventories.fieldmuseum.org\/\"><em>Invent\u00e1rio Biol\u00f3gico e Social R\u00e1pido<\/em><\/a><em> do Alto Rio Japur\u00e1 e Puru\u00ea, coordenado pelo Field Museum em parceria com 11 organiza\u00e7\u00f5es de pesquisa e federa\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas no Brasil.<\/em><\/p>\n<p>Em um relat\u00f3rio recente (<a href=\"https:\/\/www.maapprogram.org\/gold-mining-pure-colombia\/\">MAAP n\u00ba 245<\/a>), documentamos o avan\u00e7o <strong>do desmatamento associado \u00e0 minera\u00e7\u00e3o de ouro <\/strong>ao longo do <strong>rio Pur\u00e9<\/strong>, que atravessa o cora\u00e7\u00e3o do Parque Nacional do Rio Pur\u00e9, no <strong>sudeste da Amaz\u00f4nia colombiana<\/strong>.<\/p>\n<p>Especificamente, relatamos que esse processo de desmatamento teve in\u00edcio em 2024, intensificou-se em 2025 e j\u00e1 havia afetado <strong>mais de 500 hectares <\/strong>at\u00e9 maio de 2026.<\/p>\n<p>Neste relat\u00f3rio, destacamos ainda que o rio Pur\u00e9 atravessa o <strong>noroeste da Amaz\u00f4nia brasileira<\/strong>, onde passa a ser denominado<strong> rio Puru\u00ea<\/strong>, afluente do rio Japur\u00e1, que, por sua vez, integra a bacia do alto rio Amazonas (ver Figura 1 \u2013 Mapa-base).<\/p>\n<p>A regi\u00e3o remota <strong>dos rios Pur\u00e9 e Puru\u00ea<\/strong>, embora remota, possui import\u00e2ncia estrat\u00e9gica devido \u00e0 sua excepcional biodiversidade, aos elevados estoques de carbono e \u00e0 presen\u00e7a de comunidades ind\u00edgenas, incluindo <strong>povos ind\u00edgenas que vivem em isolamento volunt\u00e1rio <\/strong>(especificamente, os <a href=\"https:\/\/www.amazonteam.org\/indigenous-peoples-in-isolation-or-a-natural-state-in-colombia-a-recent-history-of-the-challenges-involved-in-their-protection\/\">Yur\u00ed e os Pass\u00e9<\/a>).<\/p>\n<p>Apresentamos aqui novos dados sobre o desmatamento causado pela minera\u00e7\u00e3o de ouro ao longo de toda a regi\u00e3o dos rios Pur\u00e9 (Col\u00f4mbia) e Puru\u00ea (Brasil), configurando um importante estudo <strong>de caso transfronteiri\u00e7o<\/strong>.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, documentamos <strong>7.900 hectares <\/strong>de desmatamento associado \u00e0 minera\u00e7\u00e3o de ouro entre 2001 e 2026 na regi\u00e3o transfronteiri\u00e7a dos rios Pur\u00e9 e Puru\u00ea. Embora as primeiras evid\u00eancias da atividade miner\u00e1ria no lado brasileiro remontem a 2001,<strong> 88% desse desmatamento ocorreu a partir de 2022<\/strong>, indicando uma forte intensifica\u00e7\u00e3o da minera\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos anos. A maior parte da atividade miner\u00e1ria (92%) concentrou-se no lado brasileiro (rio Puru\u00ea), mas, mais recentemente, tamb\u00e9m se expandiu e se intensificou no lado colombiano (rio Pur\u00e9).<\/p>\n<p><strong>Desmatamento associado \u00e0 minera\u00e7\u00e3o de ouro transfronteiri\u00e7a (Gr\u00e1fico)<\/strong><\/p>\n<p><strong>A Figura 2 <\/strong>apresenta a evolu\u00e7\u00e3o do desmatamento associado \u00e0 minera\u00e7\u00e3o de ouro ao longo do rio Puru\u00ea, no Brasil (barras laranja), e do rio Pur\u00e9, na Col\u00f4mbia (barras amarelas).<\/p>\n<p>As primeiras evid\u00eancias de desmatamento relacionado \u00e0 minera\u00e7\u00e3o foram detectadas no lado brasileiro em 2001. Nas duas d\u00e9cadas seguintes, a \u00e1rea afetada aumentou gradualmente, alcan\u00e7ando um total acumulado de 980 hectares at\u00e9 o final de 2021.<\/p>\n<p>Em seguida, observou-se um forte aumento da atividade miner\u00e1ria no lado brasileiro, com um pico de desmatamento em 2022 e 2023, quando foram registrados 4.130 hectares apenas nesses dois anos.<\/p>\n<p>A partir de 2024, o desmatamento associado \u00e0 minera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m passou a ser detectado no lado colombiano. Embora em n\u00edveis inferiores aos observados durante o pico no Brasil, o desmatamento combinado nos dois pa\u00edses permaneceu elevado entre 2024 e junho de 2026, totalizando 2.791 hectares nesse per\u00edodo.<\/p>\n<p>No total, estimamos <strong>7.901 hectares de<\/strong> <strong>desmatamento associados \u00e0 minera\u00e7\u00e3o de ouro <\/strong>na regi\u00e3o transfronteiri\u00e7a dos rios Pur\u00e9 e Puru\u00ea at\u00e9 junho de 2026. Desse total, 92% (7.307 hectares) ocorreram no lado brasileiro (rio Puru\u00ea), enquanto 8% (594 hectares) foram registrados no lado colombiano (rio Pure).<\/p>\n<div id=\"attachment_29655\" class=\"thumbnail aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-29655\" src=\"http:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/annual_forest_loss_Pure_Purue_v2-1024x551.png\" alt=\"\" width=\"977\" height=\"526\" srcset=\"https:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/annual_forest_loss_Pure_Purue_v2-1024x551.png 1024w, https:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/annual_forest_loss_Pure_Purue_v2-300x162.png 300w, https:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/annual_forest_loss_Pure_Purue_v2-768x414.png 768w, https:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/annual_forest_loss_Pure_Purue_v2-1536x827.png 1536w, https:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/annual_forest_loss_Pure_Purue_v2-2048x1103.png 2048w\" sizes=\"(max-width: 977px) 100vw, 977px\" \/><div class=\"caption\"><em>Figura 2. Desmatamento associado \u00e0 minera\u00e7\u00e3o de ouro na \u00e1rea de estudo. Dados: Amazon Conservation\/MAAP<\/em><\/div><\/div>\n<div class=\"fitem-sep\"><\/div>\n<p><strong>Opera\u00e7\u00f5es governamentais<\/strong><\/p>\n<p>Em resposta ao avan\u00e7o da minera\u00e7\u00e3o ilegal de ouro e ao aumento do desmatamento na regi\u00e3o, foram realizadas <strong>sete opera\u00e7\u00f5es governamentais recentes<\/strong> voltadas ao combate da atividade miner\u00e1ria ilegal nos rios Puru\u00ea e Pur\u00e9 (ver linhas roxas na Figura 2).<\/p>\n<p>Tr\u00eas dessas opera\u00e7\u00f5es foram conduzidas por meio de coopera\u00e7\u00e3o binacional entre Brasil e Col\u00f4mbia, enquanto as outras quatro se concentraram exclusivamente no lado brasileiro.<\/p>\n<p>A primeira opera\u00e7\u00e3o binacional registrada ocorreu em dezembro de 2023. Embora ainda n\u00e3o houvesse evid\u00eancias de desmatamento associado \u00e0 minera\u00e7\u00e3o no lado colombiano naquela \u00e9poca, j\u00e1 havia a presen\u00e7a de balsas de minera\u00e7\u00e3o no rio Pur\u00e9.<\/p>\n<p>Posteriormente, foram realizadas duas importantes opera\u00e7\u00f5es binacionais em 2025, nos meses de maio e novembro, per\u00edodo em que o desmatamento associado \u00e0 minera\u00e7\u00e3o se intensificava na Col\u00f4mbia. Essas a\u00e7\u00f5es envolveram a coordena\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es colombianas, incluindo a Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica, por meio da Diretoria de Crimes Especializados contra o Meio Ambiente, a For\u00e7a Aeroespacial Colombiana e o Ex\u00e9rcito Nacional da Col\u00f4mbia, juntamente com institui\u00e7\u00f5es brasileiras, como o Minist\u00e9rio da Defesa, o Ex\u00e9rcito Brasileiro, a Pol\u00edcia Federal e o ICMBio.<\/p>\n<p>Os resultados indicam que essas opera\u00e7\u00f5es tiveram efeitos positivos no curto prazo, mas n\u00e3o foram suficientes para interromper de forma duradoura as atividades de minera\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s a opera\u00e7\u00e3o de maio de 2025, por exemplo, o desmatamento associado \u00e0 minera\u00e7\u00e3o diminuiu no lado colombiano durante os meses de junho e julho, mas voltou a aumentar de forma acentuada em novembro do mesmo ano.<\/p>\n<p>Situa\u00e7\u00e3o semelhante foi observada ap\u00f3s a opera\u00e7\u00e3o de novembro de 2025. Houve redu\u00e7\u00e3o do desmatamento relacionado \u00e0 minera\u00e7\u00e3o em dezembro de 2025 e janeiro de 2026, por\u00e9m a atividade voltou a ganhar intensidade a partir de mar\u00e7o de 2026.<\/p>\n<div class=\"fitem-sep\"><\/div>\n<h3><strong>Desmatamento transfronteiri\u00e7o associado \u00e0 minera\u00e7\u00e3o de ouro (mapas)<\/strong><\/h3>\n<div id=\"attachment_29659\" class=\"thumbnail alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-29659 size-large\" src=\"http:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Base_map_zoom_v6-1024x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"640\" srcset=\"https:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Base_map_zoom_v6-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Base_map_zoom_v6-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Base_map_zoom_v6-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Base_map_zoom_v6-768x768.jpg 768w, https:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Base_map_zoom_v6-1536x1536.jpg 1536w, https:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Base_map_zoom_v6-2048x2048.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><div class=\"caption\"><em>Figura 3. Desmatamento associado \u00e0 minera\u00e7\u00e3o de ouro nas \u00e1reas de estudo. Dados: Amazon Conservation\/MAAP<\/em><\/div><\/div>\n<p>A <strong>Figura 3<\/strong> mostra a distribui\u00e7\u00e3o espacial do desmatamento associado \u00e0 minera\u00e7\u00e3o de ouro ao longo dos rios Pur\u00e9 e Puru\u00ea, na Col\u00f4mbia e no Brasil, respectivamente.<\/p>\n<p>Conforme apresentado anteriormente, estimamos um total de <strong>7.901 hectares<\/strong> de desmatamento associado \u00e0 minera\u00e7\u00e3o de ouro at\u00e9 junho de 2026, dos quais 92% ocorreram no lado brasileiro, ao longo do rio Puru\u00ea.<\/p>\n<p>No mapa, o desmatamento acumulado entre 2001 e 2021 (980 hectares) est\u00e1 representado em amarelo. O per\u00edodo de maior expans\u00e3o da atividade miner\u00e1ria, entre 2022 e 2023 (4.130 hectares), aparece em laranja. J\u00e1 o desmatamento mais recente, registrado entre 2024 e junho de 2026 (2.791 hectares), est\u00e1 indicado em vermelho.<\/p>\n<p>No lado brasileiro, observa-se que o desmatamento associado \u00e0 minera\u00e7\u00e3o ao longo do rio Puru\u00ea se estende desde sua conflu\u00eancia com o rio Japur\u00e1 at\u00e9 a fronteira com a Col\u00f4mbia, incluindo diversos afluentes localizados ao sul. A partir de 2024, a atividade miner\u00e1ria avan\u00e7ou para o lado colombiano, ao longo do rio Pur\u00e9.<\/p>\n<p>Devido \u00e0 ampla extens\u00e3o da \u00e1rea afetada, os padr\u00f5es espaciais do desmatamento associado \u00e0 minera\u00e7\u00e3o podem ser dif\u00edceis de visualizar em escala regional. Por esse motivo, as se\u00e7\u00f5es seguintes apresentam uma an\u00e1lise mais detalhada de quatro \u00e1reas representativas, duas em cada pa\u00eds.<\/p>\n<div class=\"fitem-sep\"><\/div>\n<p><strong>Amplia\u00e7\u00f5es do desmatamento associado \u00e0 minera\u00e7\u00e3o de ouro<\/strong><\/p>\n<p>Em cada uma das quatro amplia\u00e7\u00f5es apresentadas a seguir, mostramos os dados de desmatamento associado \u00e0 minera\u00e7\u00e3o de ouro, acompanhados por pain\u00e9is de imagens de sat\u00e9lite que permitem comparar as condi\u00e7\u00f5es anteriores e posteriores \u00e0 expans\u00e3o da atividade miner\u00e1ria. A localiza\u00e7\u00e3o de cada \u00e1rea ampliada pode ser consultada nos quadros 1 a 4 da Figura 3, sendo duas \u00e1reas situadas no Brasil e duas na Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p><strong>Amplia\u00e7\u00e3o 1: Rio Puru\u00ea (Brasil)<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-29664 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Zoom1_v3-1024x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"654\" height=\"654\" srcset=\"https:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Zoom1_v3-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Zoom1_v3-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Zoom1_v3-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Zoom1_v3-768x768.jpg 768w, https:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Zoom1_v3-1536x1536.jpg 1536w, https:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Zoom1_v3-2048x2048.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 654px) 100vw, 654px\" \/><\/p>\n<div class=\"fitem-sep\"><\/div>\n<p><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-29667 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Panel_zoom1-1024x614.jpg\" alt=\"\" width=\"875\" height=\"525\" srcset=\"https:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Panel_zoom1-1024x614.jpg 1024w, https:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Panel_zoom1-300x180.jpg 300w, https:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Panel_zoom1-768x461.jpg 768w, https:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Panel_zoom1-1536x921.jpg 1536w, https:\/\/www.maapprogram.org\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Panel_zoom1-2048x1229.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 875px) 100vw, 875px\" \/><\/p>\n<div class=\"fitem-sep\"><\/div>\n<p><strong>Amplia\u00e7\u00e3o 2: Rio Puru\u00ea (Brasil)<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-29672 aligncenter\" 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p\u00fablicas<\/strong><\/p>\n<p>Os resultados apresentados neste relat\u00f3rio documentam um importante caso de <strong>garimpo ilegal de ouro em uma regi\u00e3o transfronteiri\u00e7a da Amaz\u00f4nia<\/strong>, localizada entre o sudeste da Col\u00f4mbia e o noroeste do Brasil.<\/p>\n<p>No <strong>lado brasileiro <\/strong><strong>(rio Puru\u00ea)<\/strong><strong>,<\/strong> a escala e a persist\u00eancia da atividade garimpeira ilegal indicam um desafio que dificilmente poder\u00e1 ser enfrentado apenas por meio de opera\u00e7\u00f5es pontuais de fiscaliza\u00e7\u00e3o. O Brasil concentra a grande maioria do desmatamento associado \u00e0 minera\u00e7\u00e3o documentado no corredor Pur\u00e9-Puru\u00ea (92%, ou mais de 7.300 hectares), com impactos distribu\u00eddos ao longo de toda a bacia, desde a conflu\u00eancia do rio Puru\u00ea com o rio Japur\u00e1 at\u00e9 a fronteira com a Col\u00f4mbia, incluindo diversos afluentes. Embora as opera\u00e7\u00f5es governamentais recentes tenham contribu\u00eddo para reduzir temporariamente o ritmo de expans\u00e3o da minera\u00e7\u00e3o, a recorrente retomada das atividades evidencia a necessidade de complementar as a\u00e7\u00f5es de fiscaliza\u00e7\u00e3o com estrat\u00e9gias de longo prazo voltadas \u00e0 prote\u00e7\u00e3o territorial, ao fortalecimento da governan\u00e7a e ao monitoramento permanente da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>No <strong>lado colombiano (rio Pur\u00e9)<\/strong>, apesar de o desmatamento associado \u00e0 minera\u00e7\u00e3o de ouro representar uma parcela menor do total registrado na \u00e1rea de estudo (8%, ou mais de 500 hectares), trata-se de um fen\u00f4meno recente e em r\u00e1pida expans\u00e3o. Al\u00e9m disso, todo o desmatamento relacionado \u00e0 minera\u00e7\u00e3o documentado at\u00e9 o momento ocorreu dentro do Parque Nacional Natural R\u00edo Pur\u00e9, uma \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o integral onde atividades de minera\u00e7\u00e3o s\u00e3o proibidas. Nesse contexto, registramos quase <strong>600 hectares de desmatamento ilegal associado \u00e0 minera\u00e7\u00e3o de ouro<\/strong> no interior do parque entre 2024 e meados de 2026 (<a href=\"https:\/\/www.maapprogram.org\/gold-mining-pure-colombia\/\">MAAP n\u00ba 245<\/a>). Vale destacar que, antes mesmo do surgimento desse desmatamento, j\u00e1 havia sido reportada a presen\u00e7a de mais de 50 dragas de minera\u00e7\u00e3o ao longo do rio Pur\u00e9, dentro dos limites do parque, em 2024 e 2025 (<a href=\"https:\/\/www.maapprogram.org\/mining-colombia-amazon\/\">MAAP n\u00ba 228<\/a>).<\/p>\n<p>Uma preocupa\u00e7\u00e3o central para ambos os pa\u00edses refere-se aos impactos da minera\u00e7\u00e3o ilegal de ouro sobre os <strong>povos ind\u00edgenas em isolamento volunt\u00e1rio<\/strong>. Evid\u00eancias provenientes da paisagem transfronteiri\u00e7a Pur\u00e9-Puru\u00ea sugerem que esses povos se deslocam por extensas \u00e1reas florestais que ultrapassam os limites pol\u00edticos entre Brasil e Col\u00f4mbia. No lado colombiano, os povos Yur\u00ed e Pass\u00e9 s\u00e3o oficialmente reconhecidos e protegidos no \u00e2mbito do Parque Nacional Natural R\u00edo Pur\u00e9. No lado brasileiro, por sua vez, os ind\u00edcios da presen\u00e7a de grupos ind\u00edgenas isolados refor\u00e7am a necessidade de investiga\u00e7\u00e3o, prote\u00e7\u00e3o preventiva e monitoramento por parte das autoridades competentes. Enquanto n\u00e3o houver informa\u00e7\u00f5es mais completas sobre sua presen\u00e7a, padr\u00f5es de deslocamento e uso do territ\u00f3rio, a expans\u00e3o cont\u00ednua da minera\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o representa um elevado risco de viola\u00e7\u00f5es de direitos ind\u00edgenas, incluindo conflitos violentos, transmiss\u00e3o de doen\u00e7as, contamina\u00e7\u00e3o por merc\u00fario, deslocamento for\u00e7ado e a perda de acesso a territ\u00f3rios e recursos essenciais para sua sobreviv\u00eancia f\u00edsica e cultural.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os impactos da minera\u00e7\u00e3o ilegal de ouro v\u00e3o muito al\u00e9m das \u00e1reas diretamente desmatadas para a extra\u00e7\u00e3o mineral e incluem, entre outros efeitos, a <strong>contamina\u00e7\u00e3o por merc\u00fario<\/strong>. O merc\u00fario utilizado no processo de minera\u00e7\u00e3o entra no sistema hidrogr\u00e1fico Pur\u00e9-Puru\u00ea-Japur\u00e1, gerando riscos para as popula\u00e7\u00f5es localizadas a jusante, cuja seguran\u00e7a alimentar, meios de subsist\u00eancia e sa\u00fade dependem fortemente dos recursos pesqueiros e de outros recursos aqu\u00e1ticos. A atividade miner\u00e1ria tamb\u00e9m pode exercer press\u00f5es indiretas sobre \u00e1reas protegidas vizinhas, como a Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica Juami-Japur\u00e1, bem como sobre territ\u00f3rios ind\u00edgenas inseridos na paisagem mais ampla da bacia do rio Japur\u00e1. Nesse contexto, a resposta das pol\u00edticas p\u00fablicas deve considerar o corredor Pur\u00e9-Puru\u00ea n\u00e3o apenas como um conjunto de \u00e1reas afetadas pela minera\u00e7\u00e3o ilegal, mas como parte de um sistema integrado de rios e florestas, no qual a contamina\u00e7\u00e3o ambiental, a perda de biodiversidade e a inseguran\u00e7a territorial podem se propagar para regi\u00f5es muito al\u00e9m das \u00e1reas diretamente impactadas pela minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 importante destacar que a Col\u00f4mbia implementou uma <strong>proibi\u00e7\u00e3o total do merc\u00fario em 2023<\/strong>, ampliando restri\u00e7\u00f5es que j\u00e1 vinham sendo adotadas desde 2013. A medida inclui a proibi\u00e7\u00e3o da importa\u00e7\u00e3o e da exporta\u00e7\u00e3o de merc\u00fario em todo o territ\u00f3rio nacional. Apesar desse marco regulat\u00f3rio, o merc\u00fario continua sendo amplamente utilizado na minera\u00e7\u00e3o ilegal de ouro em \u00e1reas de fronteira, como as analisadas neste relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Outro aspecto relevante \u00e9 que a economia da minera\u00e7\u00e3o ilegal est\u00e1 cada vez mais associada a um contexto mais amplo de inseguran\u00e7a e criminalidade organizada. Os munic\u00edpios de Japur\u00e1 e Mara\u00e3, que funcionam como importantes bases log\u00edsticas para o transporte de pessoas, combust\u00edvel, equipamentos e suprimentos destinados \u00e0s \u00e1reas de minera\u00e7\u00e3o, v\u00eam registrando uma presen\u00e7a crescente de grupos do crime organizado.<\/p>\n<p>Essa converg\u00eancia entre a minera\u00e7\u00e3o ilegal, as redes de transporte fluvial e o <strong>crime organizado<\/strong> amplia os riscos para al\u00e9m da esfera ambiental. Como consequ\u00eancia, torna-se necess\u00e1ria uma coordena\u00e7\u00e3o permanente entre \u00f3rg\u00e3os ambientais, institui\u00e7\u00f5es respons\u00e1veis pela prote\u00e7\u00e3o dos direitos ind\u00edgenas, for\u00e7as de seguran\u00e7a p\u00fablica e \u00f3rg\u00e3os de defesa, em articula\u00e7\u00e3o com suas contrapartes colombianas. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, a prote\u00e7\u00e3o efetiva do corredor Pur\u00e9-Puru\u00ea depender\u00e1 n\u00e3o apenas do combate direto \u00e0s atividades de minera\u00e7\u00e3o ilegal, mas tamb\u00e9m do desmantelamento das redes log\u00edsticas e financeiras que as sustentam, da prote\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es e dos territ\u00f3rios localizados a jusante e em \u00e1reas vizinhas, e do fortalecimento de mecanismos duradouros de prote\u00e7\u00e3o territorial em uma das regi\u00f5es mais remotas, biodiversas e vulner\u00e1veis da fronteira entre Brasil e Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p><strong>Em conclus\u00e3o<\/strong>, \u00e0 medida que a minera\u00e7\u00e3o ilegal de ouro na Amaz\u00f4nia continua a avan\u00e7ar ao longo da remota fronteira entre a Col\u00f4mbia e o Brasil, nossas conclus\u00f5es indicam que as opera\u00e7\u00f5es binacionais de fiscaliza\u00e7\u00e3o parecem ser eficazes no curto prazo, mas a atividade ilegal tende a retornar rapidamente, muitas vezes em quest\u00e3o de meses. O desafio est\u00e1 na implementa\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de longo prazo em uma regi\u00e3o binacional remota, afetada pelo crime organizado e habitada por grupos ind\u00edgenas vulner\u00e1veis, isolados e n\u00e3o contatados. De modo geral, o desafio consiste em fortalecer os esfor\u00e7os voltados \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma <strong>estrat\u00e9gia preventiva<\/strong> para combater a minera\u00e7\u00e3o ilegal, ao mesmo tempo em que se continua a desenvolver <strong>capacidades de resposta operacional<\/strong> e a coordenar a\u00e7\u00f5es binacionais em toda a regi\u00e3o de fronteira.<\/p>\n<p>A coordena\u00e7\u00e3o entre os governos \u00e9 fundamental, uma vez que insumos, dragas e infraestrutura de minera\u00e7\u00e3o s\u00e3o fornecidos por empres\u00e1rios de munic\u00edpios brasileiros, especialmente Japur\u00e1 (o centro urbano mais pr\u00f3ximo da \u00e1rea), Mara\u00e3 e Juta\u00ed. Al\u00e9m disso, as mesmas rotas fluviais utilizadas para transportar suprimentos e maquin\u00e1rio tamb\u00e9m servem para escoar o ouro extra\u00eddo dessas zonas, seguindo pelo corredor Pur\u00e9-Puru\u00ea e pelos rios Japur\u00e1 e Tef\u00e9 at\u00e9 a cidade de Manaus.<\/p>\n<p>Por fim, vale destacar que a Col\u00f4mbia ativou <strong>mecanismos de prote\u00e7\u00e3o<\/strong> estabelecidos em 2018 para o Parque Nacional do Rio Pur\u00e9 em resposta a relat\u00f3rios de risco. Mais recentemente, o Minist\u00e9rio do Interior emitiu o Alerta Precoce n\u00ba 1635, em agosto de 2026, determinando uma resposta institucional coordenada entre os Minist\u00e9rios da Sa\u00fade, da Defesa e das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores. No entanto, at\u00e9 o momento, o acompanhamento tem se limitado \u00e0 coordena\u00e7\u00e3o administrativa e \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de reuni\u00f5es interinstitucionais, sem novas mobiliza\u00e7\u00f5es operacionais em campo. O monitoramento por sat\u00e9lite continua registrando invas\u00f5es, com dezenas de balsas de minera\u00e7\u00e3o e centenas de hectares desmatados dentro de \u00e1reas protegidas. Embora o sistema tenha como objetivo garantir a integridade territorial e o isolamento dos povos Yur\u00ed e Pass\u00e9 por meio de protocolos de conting\u00eancia sanit\u00e1ria, colabora\u00e7\u00e3o com grupos ind\u00edgenas vizinhos e coordena\u00e7\u00e3o com governos locais, al\u00e9m de contar com opera\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a binacionais com o Brasil, o problema permanece sem solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De modo geral, os instrumentos jur\u00eddicos necess\u00e1rios j\u00e1 est\u00e3o em vigor, mas a capacidade de enfrentar a situa\u00e7\u00e3o atual depende da aloca\u00e7\u00e3o de recursos pelo governo nacional e da demonstra\u00e7\u00e3o de vontade pol\u00edtica para implementar medidas efetivas no terreno, indo al\u00e9m das formalidades legais e assegurando uma presen\u00e7a operacional capaz de desmantelar a infraestrutura da minera\u00e7\u00e3o ilegal ao longo da fronteira.<\/p>\n<div class=\"fitem-sep\"><\/div>\n<p><strong>Agradecimentos<\/strong><\/p>\n<p>Agradecemos ao Field Museum of Natural History por suas importantes contribui\u00e7\u00f5es para este relat\u00f3rio, incluindo a coelabora\u00e7\u00e3o na concep\u00e7\u00e3o e na reda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"fitem-sep\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Este relat\u00f3rio transfronteiri\u00e7o \u00e9 uma colabora\u00e7\u00e3o com o Field Museum of Natural History, como parte de um Invent\u00e1rio Biol\u00f3gico e Social R\u00e1pido do Alto Rio Japur\u00e1 e Puru\u00ea, coordenado pelo Field Museum em parceria com 11 organiza\u00e7\u00f5es de pesquisa e federa\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas no Brasil. 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