Protegido: MAAP #242 Mineração ilegal de ouro na Terra Indígena Yanomami (norte da Amazônia brasileira)

Foto 1. Garimpo de ouro na Terra Indígena Yanomami. Crédito da foto: Lucas Silva/Platô/ISA

A Terra Indígena Yanomami, localizada no norte da Amazônia brasileira (na fronteira com a Venezuela), é um dos territórios mais impactados pelo garimpo de ouro na Amazônia (MAAP #226).

Este relatório detalha os resultados do monitoramento geoespacial da atividade de garimpo ilegal de ouro na Terra Indígena Yanomami, com base em dados coletados até dezembro de 2025. Esse território está localizado no norte da Amazônia brasileira, ao longo da fronteira com a Venezuela.

Esse esforço de monitoramento, baseado na análise de imagens de satélite de alta resolução e em dados de monitoramento colaborativo realizado pelas comunidades Yanomami e Ye’kwana, ocorre em um contexto de transição operacional no território, marcado pelos esforços do governo atual para retirar ocupantes ilegais e pela persistência de certos focos de mineração (ver Observação1 abaixo).

Nos últimos anos, esse território enfrentou uma escalada do garimpo ilegal que atingiu seu auge em 2022, resultando em uma crise humanitária e de saúde sem precedentes. Dados atuais produzidos pelo Instituto Socioambiental (ISA) – veja detalhes abaixo – revelam que a área total impactada pelo garimpo chegou a 5.564 hectares em 2025.

No entanto, a análise da série temporal demonstra um ponto de inflexão crítico: após o pico em 2022, o aumento anual de novas áreas impactadas pelo garimpo apresentou quedas significativas e sucessivas nos anos de 2023 a 2025. Comparativamente, enquanto a área acumulada até 2023 representa a maior parte do impacto (cerca de 5.500 ha), houve um aumento documentado de 129 hectares em 2024 e 2025 (83,95 ha e 45,2 ha, respectivamente).

Essa recente desaceleração no ritmo de expansão do garimpo é resultado direto das operações de comando e controle iniciadas pelo governo brasileiro em 2023, pouco depois do reconhecimento oficial da emergência de saúde pública (ver Observação 2). Os dados, no entanto, também funcionam como um alerta: embora a expansão do garimpo tenha diminuído, a detecção contínua em 2024 e 2025 confirma que a atividade garimpeira não foi completamente erradicada.

O monitoramento mensal indica que o garimpo ilegal continua exercendo pressão sobre o território, os garimpeiros estão se adaptando às operações de fiscalização e mantêm núcleos de resistência que exigem continuidade e aprimoramento das estratégias de proteção e monitoramento territorial.

Análise do garimpo ilegal de ouro na Terra Indígena Yanomami

Metodologia

Foto 2. Garimpo de ouro na Terra Indígena Yanomami. Crédito da foto: Lucas Silva/Platô/ISA

Os dados apresentados neste relatório baseiam-se no monitoramento conduzido pelo Instituto Socioambiental (ISA). Essa análise é realizada mensalmente a partir da interpretação visual de imagens de satélite da Planet (mosaicos mensais) e do Sentinel-2, da Agência Espacial Europeia. Os polígonos de impacto do garimpo foram então gerados incorporando: 1) desmatamento recente causado pelo garimpo, 2) áreas de garimpo ativas com solo exposto, 3) áreas recentemente abandonadas com início de regeneração vegetal (revegetação com capim nas áreas anteriormente escavadas), e 4) lagoas de rejeito.

Todos os meses, as regiões impactadas são revisitadas para refinar o mapeamento e verificar possíveis interpretações equivocadas. A análise considera não apenas a assinatura espectral dos objetos, mas também o contexto. Assim, todo o mapeamento é realizado levando em conta a localização das comunidades e de suas áreas de cultivo, entre outras informações sobre a TI Yanomami, como pistas de pouso e postos de saúde, o que permite diferenciar a remoção de cobertura florestal para manejo agrícola tradicional do desmatamento associado à exploração mineral ou a outros tipos de exploração.

O monitoramento remoto sistemático da TI Yanomami começou em 2018, com a experimentação de diferentes metodologias. A partir de 2020, iniciou-se o refinamento das áreas impactadas utilizando mosaicos da Planet (resolução espacial de 3 m). Por essa razão, 2020 é utilizado como o ano inicial da análise detalhada.

Na seção de Observações, também comparamos esses dados de monitoramento conduzidos pelo ISA com informações obtidas pelo Amazon Mining Watch.

Além do monitoramento remoto, desde 2023 foi implementada uma ferramenta de monitoramento colaborativo para registrar eventos que representem riscos às comunidades e às pessoas na TI Yanomami. O Sistema de Alertas ‘Wãnori’ recebe e qualifica denúncias, com o objetivo de fortalecer a comunicação entre as comunidades indígenas, suas organizações e o Poder Público. Por meio de um aplicativo gratuito (ODK Collect), um monitor de alertas pode registrar um incidente de saúde ou uma ameaça ambiental ou territorial, usando um formulário offline composto por coordenadas geográficas e uma descrição do problema em áudio e/ou foto. O sistema utiliza o formulário/aplicativo como principal ferramenta de recebimento das denúncias, mas continua recebendo informações de outras fontes, como mensagens de WhatsApp, cartas e transmissões de rádio, incorporando tudo em um fluxo único. Todos os alertas são compilados em boletins semanais e enviados às autoridades brasileiras.

Resultados

Até dezembro de 2025, a área total impactada pelo garimpo ilegal na TI Yanomami foi mapeada em 5.564 hectares (ver Observação 3 para comparação com o Amazon Mining Watch). Como mostrado no Gráfico 1 (partindo de uma linha de base de 400 ha em 2020), o impacto anual do garimpo aumentou em 2021 (pouco mais de 1.000 ha) e atingiu seu pico em 2022 (quase 1.800 ha), seguido por quedas significativas em 2023 (330 ha), 2024 (84 ha) e 2025 (45 ha), respectivamente. Essa redução foi resultado da intervenção do governo brasileiro, que iniciou, em 2023, um processo de retirada dos garimpeiros ilegais do território, após reconhecer a crise humanitária causada pelo garimpo ilegal entre os povos Yanomami e Ye’kwana.

Gráfico 1 – Aumento anual da área afetada pelo garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami.

O monitoramento documentou 45 hectares (distribuídos em 121 polígonos) de desmatamento recente causado pelo garimpo dentro da TI Yanomami em 2025. 

A grande maioria (90%) dos polígonos correspondeu a pequenas expansões de garimpo, com menos de 1 hectare. Esse impacto recente concentrou-se principalmente em seis áreas: 1) Ericó; 2) Cabeceira do Aracaju; 3) Hokomawaë; 4) Parima–Parafuri; 5) Surucucus/Feijão Queimado; e 6) Couto Magalhães (ver Figura 1).

Figura 1. Garimpo ilegal de ouro na Terra Indígena Yanomami, com destaque para as áreas de maior impacto em 2025.

Os dois maiores polígonos (quase 4 hectares) foram identificados em Parima (Área 5) e em Surucucus, próximo à pista de pouso do Feijão Queimado (Área 6).

Figura 2 – Comparação entre imagens de janeiro e novembro de 2025 nas proximidades da pista de pouso do Feijão Queimado. O desmatamento recente é claramente perceptível na parte superior da segunda imagem.
Figura 3 – Comparação entre as imagens de janeiro e novembro de 2025 na região de Parima.

A distribuição das novas áreas de garimpo também indica uma tendência de fragmentação da atividade, em contraste com a antiga concentração em torno de pistas de pouso (como Capixaba, Jeremias, Malária e Mucuim). Com exceção da região do rio Couto Magalhães (Área 6 da Figura 1), onde a abertura de novas frentes próximas a cicatrizes antigas continuou (Figura 4), os demais polos de maior concentração, como Alto Catrimani, Médio Uraricoera e Homoxi, parecem estar relativamente neutralizados.

Figura 4 – Mapeamento do garimpo ilegal no rio Couto Magalhães (regiões de Papiu e Kayanau).

Além da descentralização do garimpo, há também um movimento claro em direção às áreas próximas da fronteira com a Venezuela (um possível efeito de transbordamento). É o que mostram as frentes mapeadas em Parafuri–Parima, Hokomawë e Cabeceira do Aracaçá (Áreas 2 a 4 da Figura 1). Parte desse deslocamento se deve à estratégia dos garimpeiros de escapar da fiscalização brasileira recorrendo a bases logísticas instaladas em território venezuelano, como as pistas de Dicão e Simada Ocho.

Em 2025, o sistema de alertas da TI Yanomami registrou pelo menos cinco ocorrências envolvendo aeronaves clandestinas na região de Auaris. Na maioria dos casos, os aviões seguiam rumo a Hokomawë, em direção à pista Gaúcho Animal, na foz do rio Auaris, ou à pista localizada nas cabeceiras do rio Aracaçá (possivelmente a pista Gongo). A Figura 5 detalha a Área 2 da Figura 1.

Figura 5 – Mapeamento do garimpo ilegal nas cabeceiras do rio Aracaçá, nas proximidades da pista Gongo e da fronteira com a Venezuela.

No Sistema de Alertas Wãnori, foram registrados 66 alertas territoriais ao longo de 2025. A grande maioria deles (83%) dizia respeito a invasões (Gráfico 2), categoria que reúne informações sobre a movimentação de aeronaves clandestinas, barcos, balsas e outros veículos. Também houve registros de ataques e da entrada de armas de fogo. Já os casos de desaparecimento foram posteriormente esclarecidos e não tiveram relação direta com violência nas áreas de garimpo ilegal.

Gráfico 2 – Alertas territoriais em 2025, por tipo de alerta

A Figura 6 mostra a distribuição espacial desses alertas, evidenciando novamente a concentração no norte da Terra Indígena, nas proximidades da fronteira com a Venezuela.

Figura 6 – Mapa de calor dos alertas territoriais de 2024 e 2025

A área com o maior número de alertas, Apiaú (Gráfico 3), também aparece entre as regiões que registraram intrusões no espaço aéreo (ver Anexo 1 para evidências fotográficas), possivelmente associadas ao garimpo ilegal no rio Couto Magalhães.

Alto Catrimani também registrou alertas de movimentação aérea. Nesse caso, chama atenção a conexão entre essa atividade e o garimpo ilegal nas cabeceiras do rio Orinoco, já em território venezuelano; uma das regiões com maior intensidade de mineração ilegal nos últimos anos.

Outras áreas que registraram alertas de intrusão no espaço aéreo incluem Auaris e Xitei (ver Anexo 2 para evidências fotográficas). Vale destacar que, embora a pista de Taboca esteja localizada em território venezuelano, ela segue dando suporte aos remanescentes do garimpo ilegal em Alto Catrimani e Xitei, incluindo a frente de exploração próxima à comunidade Pixahanapi. No caso específico do garimpo em Xitei (ver Anexo 3 para o alerta comunitário), os avisos reforçam a preocupação dos moradores com a entrada de munições e armas de fogo levadas por garimpeiros, que buscam recrutar jovens e intimidar lideranças contrárias à atividade mineral na região. Desde 2021, Xitei tem sido palco de conflitos violentos associados ao garimpo, e 2025 não fugiu à regra. Apenas nesse ano, estima-se que ao menos cinco pessoas tenham sido mortas em decorrência desses confrontos.

Graph 3 – Territorial alerts in 2025 by region

Além das violações do espaço aéreo, o sistema de alertas também registrou diversas incursões ilegais pelos rios da TI Yanomami, especialmente nos rios Uraricoera, Catrimani, Apiaú e Ajarani. Em alguns casos, o tráfego fluvial estava ligado à operação de balsas e dragas; em outros, ao transporte de cassiterita ou ao envio de suprimentos para reabastecer os acampamentos.

A região do Baixo Catrimani foi a que mais concentrou registros de invasões fluviais. Entre abril e dezembro de 2025, nove alertas foram emitidos sobre a presença de balsas, dragas e embarcações suspeitas (Figura 7).

Figura 7 – Barco com suprimentos para o garimpo ilegal na região do Baixo Catrimani e draga de mineração operando nas proximidades de uma comunidade Yanomami na mesma área.

A partir de Apiaú, surgiram relatos sobre a existência de uma suposta trilha para quadriciclos que estaria sendo usada para abastecer frentes de garimpo situadas rio acima, desviando do ponto onde a nova base da Funai está sendo instalada. Essa trilha conectaria estradas secundárias já existentes fora da Terra Indígena e alcançaria o igarapé Ingarana, afluente do rio Apiaú (Figura 8).

Figura 8 – Mapa da região de Apiaú indicando a localização do suposto ponto de transbordo.

Por fim, outra região que merece atenção é Ericó, acessível pelo rio Uraricaá, onde foram identificados, em 2025, sinais expressivos de desmatamento associado ao garimpo. Entre 2018 e 2022, havia registros de dragas operando no Uraricaá, mas não existiam indícios claros de garimpo terrestre na área. Com a intensificação das operações em outras partes da Terra Indígena, porém, tudo indica que houve um efeito de transbordamento para essa bacia – que, por estar mais distante dos principais pontos de vigilância, acabou se tornando mais vulnerável. A Figura 9 apresenta um detalhamento da Área 1 da Figura 1.

Figura 9 – Mapeamento do garimpo ilegal no rio Uraricaá.

Anexo

Anexo 1. Registro de aeronave a serviço da operação de garimpo em Apiaú

Anexo 2. Avião de garimpo ilegal registrado em Xitei

Anexo 3. Vídeo enviado ao Sistema de Alertas, que registra a presença de garimpeiros ilegais atuando à noite nas proximidades da comunidade Pixahanapi, em Xitei.

Implicações para Políticas Públicas e Recomendações

A análise dos dados de 2025 indica um ponto de inflexão importante na dinâmica do garimpo ilegal. Embora a área total impactada some 5.564 hectares, observa-se uma redução expressiva e contínua na expansão anual de novas áreas degradadas desde o pico registrado em 2022. Em 2025, foram identificados apenas 45,2 hectares de novas frentes, distribuídos em 121 polígonos, a maior parte deles com menos de 1 hectare.

Apesar dessa retração, torna-se evidente a capacidade de adaptação dos garimpeiros às operações governamentais. Eles têm adotado estratégias de fragmentação e descentralização, deslocando-se para áreas próximas à fronteira com a Venezuela, onde passam a utilizar pontos de apoio logístico situados fora do alcance direto da fiscalização brasileira. Paralelamente, alguns núcleos de garimpo demonstram elevada resiliência, como é o caso da atividade no rio Couto Magalhães.

Com isso em mente, para consolidar os resultados das operações de desintrusão e enfrentar a reentrada da atividade criminosa no território, recomenda-se:

  • Que todos os órgãos de fiscalização mantenham operações de combate ao garimpo ilegal nas áreas remanescentes, com a destruição completa das máquinas utilizadas na extração mineral e a aplicação das sanções administrativas correspondentes.
  • Garantir o monitoramento remoto contínuo da TI Yanomami, bem como respostas rápidas a novos alertas das forças de segurança.
  • Assegurar a manutenção das estruturas físicas e do efetivo mínimo necessário para o funcionamento contínuo dos Postos de Proteção existentes (Ajarani, Xexena, Walopali, Serra da Estrutura e Pakilapi).
  • Finalizar a construção dos Postos de Proteção de Apiaú e Kayanau.
  • Instalar novos Postos de Proteção em rios estratégicos utilizados como rotas do garimpo ilegal, especificamente nos rios Uraricaá e Catrimani.
  • Implementar barreiras fluviais mais eficientes nos rios Uraricoera, Mucajaí, Uraricaá e Catrimani.
  • Promover patrulhamento regular dos órgãos de fiscalização nos rios Uraricoera, Mucajaí, Ajarani, Apiaú, Uraricaá, Catrimani, Parima e Couto Magalhães.
  • Reforçar o controle do espaço aéreo e a aplicação rigorosa do Código Brasileiro de Aeronáutica.
  • Desativar todas as pistas clandestinas e aeronaves apreendidas dentro do território Yanomami (Território Integrado Yanomami).
  • Promover ações regulares de fiscalização em rodovias, postos de combustível, aeroportos e portos localizados no entorno da TI Yanomami.
  • Garantir apoio do governo federal para a implementação do Plano de Vigilância Indígena, integrando as informações do Sistema de Alertas das comunidades às ações estatais.
  • Implementar um cordão sanitário e de proteção territorial rigoroso ao redor do território dos grupos isolados, sob liderança da FUNAI e do Distrito Sanitário, com apoio das Forças Nacionais.
  • Que a FUNAI ou a Casa de Governo conduzam a elaboração de um plano de incentivo ao desarmamento voluntário em regiões sensíveis.
  • Que o governo brasileiro fomente espaços de governança e diálogo, com participação de representantes governamentais, associações indígenas e parceiros técnicos da sociedade civil, para acompanhar a implementação das ações de proteção territorial.
  • Que o governo brasileiro desenvolva, traduza e distribua boletins regulares às comunidades sobre as ações de proteção territorial e seus avanços.
  • Que o governo nacional coordene com o governo venezuelano ações conjuntas para combater os pontos de distribuição logística localizados logo além da fronteira, que funcionam como refúgio e rota de fuga para garimpeiros ilegais.

Observações

  1. A transição operacional refere-se às mudanças no modelo, na regularidade e na intensidade das ações de fiscalização adotadas após a mudança de governo. https://g1.globo.com/rr/roraima/noticia/2024/02/29/casa-de-governo-com-foco-na-crise-yanomami-e-instalada-em-rr-com-orcamento-de-r-1-bilhao.ghtml
  2. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2023/decreto/D11405.htm
  3. Para fins de comparação, o Amazon Mining Watch detectou 2.470 hectares de garimpo na Terra Indígena Yanomami entre 2018 e 2025. Esses dados também mostram um pico em 2022 (aumento de 850 ha), seguido por quedas em 2023 (250 ha) e 2024 (80 ha). O AMW não detectou nenhuma nova área de garimpo em 2025. Importante destacar que os padrões espaciais identificados são semelhantes, com ambos os sistemas de monitoramento apontando a concentração da atividade na porção norte do território.
  4. As bases de proteção são pontos de controle administrados pela Funai que oferecem apoio às operações de outros órgãos de fiscalização, como o Ibama e a Polícia Federal.
  5. As Barreiras Fluviais funcionam como pontos de controle e bloqueios náuticos administrados pela Funai, com apoio do Ibama e da Polícia Federal, para impedir o acesso logístico de garimpeiros e outros invasores aos rios da Terra Indígena Yanomami.
  6. Isso deve envolver as agências reguladoras, juntamente com os órgãos de fiscalização ambiental e de comando e controle, como a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), para inspeções de aeródromos; a Agência Nacional do Petróleo (ANP), para inspeções em postos de combustíveis; e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), para inspeções em estradas e rodovias.

7. https://acervo.socioambiental.org/acervo/documentos/urihi-noamatima-thepe-plano-de-vigilancia-indigena-da-ti-yanomami

Agradecimentos

Este relatório faz parte de uma série dedicada ao monitoramento do garimpo de ouro na Amazônia, desenvolvida por meio de uma colaboração estratégica entre a Amazon Conservation e parceiros regionais, com apoio da Gordon and Betty Moore Foundation. Neste caso, agradecemos ao nosso parceiro Instituto Socioambiental (ISA) pela liderança na elaboração deste relatório.

MAAP 239: Expansão do garimpo ilegal na Bacia do Xingu, na Amazônia brasileira (parte 1: Terras Indígenas)

Áreas de mineração no Corredor Xingu. Dados: Amazon Conservation/MAAP and ISA.

A mineração ilegal segue avançando na Amazônia brasileira, muito provavelmente impulsionada pela valorização do ouro. Até o fim de 2025, estima-se que as áreas impactadas por atividades de mineração na região somem cerca de 223 mil hectares, de acordo com o Amazon Mining Watch (consulte também MAAP #197, #226 e #235 para mais detalhes).

Um dado especialmente preocupante é que a maior concentração de desmatamento associado ao garimpo está na Bacia do Rio Xingu, que se estende por aproximadamente 51 milhões de hectares no leste da Amazônia brasileira, entre os estados do Pará e Mato Grosso.

No coração desse território está o Corredor Xingu de Diversidade Socioambiental, um dos maiores blocos contínuos de florestas oficialmente protegidas do planeta – mais de 26 milhões de hectares que conectam 24 Terras Indígenas e 9 áreas protegidas (veja o Mapa-base). Apesar dessas designações legais, a região segue sob forte pressão devido ao avanço constante do garimpo ilegal, da expansão agropecuária, da extração de madeira, da abertura de estradas e das queimadas provocadas por ações humanas.

O corredor abriga 26 povos indígenas, que historicamente têm desempenhado um papel fundamental como guardiões contra o avanço da fronteira do desmatamento. Para enfrentar as pressões crescentes na região, surgiu a Rede Xingu+, uma articulação política que reúne 53 organizações (43 indígenas, 5 ribeirinhas e 5 da sociedade civil) representando as populações que vivem no Corredor. A trajetória dessa aliança remonta aos movimentos de resistência contra o represamento do Rio Xingu, em 1989. Após décadas de mobilização e cooperação entre diferentes povos e organizações, a Rede foi oficialmente formalizada em 2013.

A Rede Xingu+ realiza monitoramento mensal do desmatamento e de outras pressões no Corredor Xingu por meio do SiRAD X (Sistema Remoto de Alerta de Desmatamento do Xingu), que utiliza tecnologia de radar. O sistema também se apoia em uma rede de parceiros locais responsáveis pela vigilância territorial diretamente em campo.

Em 2025, o Instituto Socioambiental firmou uma parceria com a Amazon Conservation, ampliando o acesso a imagens de satélite em alta resolução fornecidas pela Planet. Esse recurso permitiu aprimorar a validação dos alertas e a identificação dos vetores de pressão. A colaboração também integra o painel público Amazon Mining Watch, desenvolvido em parceria pela Amazon Conservation, Earth Genome e Pulitzer Center.

Tanto o SiRAD X quanto o Amazon Mining Watch identificaram uma forte expansão do desmatamento causado pela mineração de ouro no Corredor a partir de 2018, incluindo a continuidade de atividades ilegais no período mais recente, em 2025. Ao longo do relatório, apresentamos os dados dos dois sistemas, destacando pequenas diferenças decorrentes de suas metodologias distintas (Nota 1), embora os padrões gerais observados sejam consistentes entre ambos.

Entre 2018 e 2024, o sistema de monitoramento Sirad X registrou a perda de aproximadamente 11.500 hectares de floresta associados ao garimpo ilegal dentro dos territórios indígenas e das áreas protegidas do Corredor Xingu (o Amazon Mining Watch estima cerca de 16.000 ha), além de outros 400 hectares de janeiro a setembro de 2025, número semelhante ao estimado pelo Amazon Mining Watch.

Atualmente, esse avanço do desmatamento ligado ao garimpo afeta 5 Terras Indígenas (Kayapó, Baú, Kuruaya, Trincheira Bacajá e Apyterewa) e 5 áreas protegidas (Floresta Nacional de Altamira, Floresta Estadual do Iriri, Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio, Reserva Biológica Nascentes da Serra do Cachimbo e Reserva Extrativista Rio Iriri) no Corredor Xingu.

Estamos publicando uma série em duas partes sobre o desmatamento causado pelo garimpo ilegal no Corredor Xingu. A Parte 1, apresentada abaixo, concentra-se nas Terras Indígenas; a Parte 2, que será divulgada em seguida, abordará as áreas protegidas.

Nesta primeira parte, detalhamos o desmatamento recente associado ao garimpo em três Terras Indígenas (Kuruaya, Baú e Kayapó), incluindo uma sequência de imagens de alta resolução.

O Mapa Base destaca as áreas de foco desta série: os Pontos A–C são analisados neste relatório (Terras Indígenas), enquanto os Pontos D–F serão abordados no segundo relatório (áreas protegidas).

Mineração em Terras Indígenas

Terra Indígena Kuruaya

A Terra Indígena Kuruaya (localizada no estado do Pará, no município de Altamira) convive com atividades de garimpo de ouro desde o início dos anos 1980, especialmente ao longo do rio Curuá, onde se concentram as aldeias do povo Kuruaya. Nos últimos anos, porém, a atividade mais intensa tem ocorrido em um afluente do Curuá, conhecido como igarapé Madalena.

Desde 2023, o monitoramento da Rede Xingu+ vem registrando a expansão do garimpo ilegal ao longo do igarapé Madalena. Naquele ano, foi protocolada uma denúncia formal (por meio do Ofício 42/2023 – Rede Xingu+), relatando a perda de cerca de 3 hectares devido à atividade garimpeira. Em 2024, a situação se agravou, com o desmatamento de mais 13,4 hectares. E, entre janeiro e julho de 2025, a área de garimpo no Madalena já havia avançado outros 17,8 hectares, totalizando 34,2 hectares acumulados.

As Figuras A1 e A2 mostram a expansão do garimpo ilegal no Madalena entre 2024 (painéis à esquerda) e 2025 (painéis à direita). A atividade avança principalmente em direção à confluência do igarapé Madalena com o rio Curuá. Além disso, surgiram novos pontos menores de garimpo na região ao redor.

Figura A1. Garimpo na Terra Indígena Kuruaya. Dados: Planet/NICFI
Figura A2. Garimpo na Terra Indígena Kuruaya. Dados: Planet/NICFI
Resultados do Amazon Mining Watch para a Terra Indígena Kuruaya.

O Amazon Mining Watch indica um desmatamento acumulado de 33 hectares causado pelo garimpo na Terra Indígena Kuruaya, incluindo 4 hectares somente em 2025 (clique aqui para visualizar no AMW).

Essa atividade ocorre dentro de uma concessão de lavra de ouro ativa registrada no cadastro digital do SIGMINE. No entanto, conforme a Constituição brasileira, esse tipo de concessão (Permissão de Lavra Garimpeira – PLG) não é autorizado em Terras Indígenas (Nota 2).

 

 

 

 

 

 

Terra Indígena Baú

A Terra Indígena Baú (estado do Pará, município de Altamira) é habitada pelos povos Mebengôkre (Kayapó) Mekrãgnoti e Purô isolados, distribuídos ao longo de seus vastos 1,5 milhão de hectares. O garimpo ilegal afeta esse território desde pelo menos 2019 e tem sido palco de diversos conflitos armados entre garimpeiros e indígenas.

Na primeira metade de 2025, foram detectados pontos ativos de garimpo ilegal em diversas partes do território, com destaque para a principal área de garimpo conhecida como Pista Velha. Pista Velha é um antigo local de garimpo, mas foi em 2019 que sua reativação se tornou palco de vários conflitos armados entre povos indígenas e garimpeiros, colocando em risco a vida dos Kayapó. Os esforços para retomar o controle dessa área continuam em andamento e têm sido amplamente reportados pela Rede Xingu+. Em julho de 2025, um sobrevoo confirmou a presença de atividade de mineração em Pista Velha (ver foto).

Foto de sobrevoo: área de garimpo de Pista Velha (Terra Indígena Baú) em 19 de julho de 2025. Foto: Rede Xingu+.

A Figura B ilustra a expansão do garimpo em Pista Velha entre 2024 (painel à esquerda) e 2025 (painel à direita).

Garimpo na Terra Indígena Baú. Dados: Planet/NICFI
Resultados do Amazon Mining Watch para a Terra Indígena Baú

O Amazon Mining Watch indica um desmatamento acumulado de 110 hectares causado pelo garimpo na Terra Indígena Baú, incluindo 10 hectares somente em 2025 (clique aqui para visualizar no AMW)

 

 

 

 

 

 

 

 

Terra Indígena Kayapó

A Terra Indígena Kayapó (estado do Pará, abrangendo quatro municípios) possui um longo histórico de garimpo ilegal que remonta à década de 1960 e é o território com a maior área desmatada por garimpo ilegal em toda a Amazônia brasileira.

As operações do governo para retirar garimpeiros ilegais da Terra Indígena Kayapó começaram em maio de 2025, em cumprimento a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (ADPF 709), que busca não apenas proteger os povos indígenas, mas também conter o avanço do garimpo ilegal.

A primeira fase dessas operações parece ter sido eficaz, já que menos de 2 hectares de novas áreas de garimpo foram detectados em junho de 2025 pelo monitoramento do SIRAD-X. No entanto, dados de outubro indicam um pequeno aumento da atividade, com acréscimo de 15 hectares no território.

As Figuras C1 e C2 mostram o avanço recente do garimpo ilegal em dois pontos da Terra Indígena Kayapó entre 2024 (painéis à esquerda) e 2025 (painéis à direita).

Figura C1. Garimpo na Terra Indígena Kayapó. Dados: Planet/NICFI
Figura C2. Garimpo na Terra Indígena Kayapó. Dados: Planet/NICFI

O Amazon Mining Watch indica um desmatamento acumulado de 7.940 hectares causado pelo garimpo na Terra Indígena Kayapó, incluindo 140 hectares somente em 2025 (veja no AMW). No entanto, grande parte desse aumento foi detectada no primeiro semestre do ano, o que indica que pode se tratar de um remanescente da expansão de 2024. Assim, boa parte da atividade de garimpo recentemente detectada pelo Amazon Mining Watch provavelmente ocorreu no final de 2024 e início de 2025, antes da intervenção governamental em maio, em consonância com os resultados do SiRAD-X mencionados acima.

Resultados do Amazon Mining Watch para a Terra Indígena Kayapó

Conclusão e Recomendações

Com base nas informações apresentadas acima, fica evidente que o garimpo ilegal na bacia do Xingu não é uma atividade isolada. Ele se espalhou tanto por territórios indígenas quanto por áreas protegidas, indicando a existência de uma rede de apoio que fornece a capacidade operacional e a infraestrutura necessárias para sua continuidade. Essa expansão traz consigo uma série de riscos graves para a região e para suas comunidades.

A mineração ilegal representa uma ameaça direta à integridade territorial e ao bem-estar das comunidades ribeirinhas e indígenas. As principais consequências incluem a degradação de áreas nativas e a contaminação dos rios pelo uso de mercúrio. Além dos danos ambientais, a expansão dessa atividade ilegal aumenta o risco de conflitos socioambientais entre garimpeiros e comunidades tradicionais, que buscam proteger seus territórios e seu modo de vida.

A seguir, apresentamos um conjunto de recomendações às autoridades brasileiras relacionadas a: (i) ações de fiscalização; (ii) monitoramento e restauração conduzidos pelas comunidades; e (iii) rastreabilidade das cadeias de fornecimento de ouro.

(i) Ações de fiscalização:

Para garantir a proteção de longo prazo dos territórios indígenas contra o garimpo ilegal, é fundamental ir além das operações imediatas de retirada e estabelecer um marco sustentável e preventivo. Embora o governo brasileiro tenha iniciado ações de desintrusão em resposta a decisões judiciais recentes, ainda não existe uma estratégia de longo prazo para evitar a reincidência dessas invasões. Soluções eficazes e duradouras exigem a atuação de diferentes órgãos reguladores e intervenções estratégicas que ultrapassem os limites geográficos das próprias terras indígenas. Portanto, recomenda-se a adoção das seguintes medidas de política pública:

  • Estabelecer uma força-tarefa permanente e interinstitucional, coordenada pela Casa Civil da Presidência da República, para desenvolver e implementar um plano estratégico abrangente de cinco anos. Esse plano deve focar no desmantelamento das redes econômicas e logísticas externas que sustentam o garimpo ilegal, prevenindo assim o retorno de invasores após a desintrusão. O papel articulador da Casa Civil é essencial para garantir a cooperação entre diferentes ministérios e órgãos governamentais, assegurando uma resposta nacional unificada e eficaz.
  • Promover ações integradas de fiscalização nas áreas do entorno dos territórios, com o objetivo de estrangular logisticamente as operações ilegais. Isso deve envolver órgãos reguladores em conjunto com entidades de fiscalização ambiental e de comando e controle, como a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), para inspeções de aeródromos; a Agência Nacional do Petróleo (ANP), para inspeções de postos de combustível; e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), para inspeções em estradas e rodovias.
  • Fortalecer os órgãos responsáveis pela fiscalização (IBAMA, ICMBio e FUNAI), garantindo que tenham capacidade operacional para atuar regularmente nos territórios destacados, por meio da recomposição orçamentária e de pessoal.
  • Promover a implementação de Planos de Proteção de longo prazo, assegurando orçamento contínuo para a manutenção de ações regulares de fiscalização e repressão a crimes ambientais.

(ii) Monitoramento e restauração conduzidos pelas comunidades:

A promoção e o fortalecimento de iniciativas de vigilância indígena voltadas ao monitoramento e à restauração dos territórios podem complementar as ações conduzidas pelo governo. Um benefício adicional dessas iniciativas é que elas representam alternativas econômicas sustentáveis dentro das próprias terras, reduzindo a vulnerabilidade de jovens ao aliciamento por grupos ilegais. Para isso, as seguintes ações podem ser adotadas:

  • Apoiar a construção e a manutenção de “Centros de Vigilância” em pontos estratégicos (confluências de rios, limites das TIs), geridos pelas próprias comunidades, para garantir a ocupação física de áreas remotas e a produção de informações relevantes que subsidiem ações mais eficazes do Estado.
  • Desenvolver e implementar mecanismos de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) para agentes comunitários, reconhecendo a vigilância territorial como um trabalho essencial para a conservação do bioma.
  • Fortalecer as ações de governança dentro dos territórios, apoiando reuniões, assembleias e fóruns, além de promover o desenvolvimento de instrumentos de gestão, como os Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs) e Protocolos de Consulta.
  • Promover e financiar ações de recuperação ambiental e de descontaminação/reabilitação nas áreas mais afetadas, além de garantir o monitoramento contínuo dos níveis de mercúrio na população.

(iii) Rastreabilidade da cadeia de fornecimento de ouro:

O governo brasileiro já adotou algumas medidas para aprimorar a regulamentação da cadeia de fornecimento de ouro e passou a exigir o registro formal dos principais atores envolvidos na cadeia do ouro da mineração artesanal e de pequena escala (como garimpeiros, compradores e exportadores). Em 2023, implementou a Nota Fiscal Eletrônica do Ouro (NF-e Ouro), documento obrigatório que verifica e registra a origem do mineral.

Apesar disso, ainda são necessárias medidas adicionais para continuar aprimorando os mecanismos de rastreabilidade do ouro e implementar uma legislação mais robusta para o controle da produção e do comércio mineral. Entre essas medidas está a criação de um portal público digital contendo informações sobre títulos minerários, licenças, embargos e áreas monitoradas, permitindo que compradores verifiquem o local de origem vinculado à NF-e Ouro. Isso contribuiria significativamente para melhorar a rastreabilidade para empresas e compradores que importam ouro do Brasil, promovendo assim uma cadeia de fornecimento mais transparente.

*Observações

  1. Metodologia dos sistemas de monitoramento

Para o monitoramento do Sirad X, são utilizadas imagens de radar do satélite Sentinel-1, processadas por uma série de algoritmos na plataforma Google Earth Engine (GEE), juntamente com imagens ópticas dos satélites Landsat-9 (sensor OLI-2) e Sentinel-2 (sensor MSI). Uma equipe de analistas examina a área monitorada, buscando visualmente anomalias nas imagens produzidas. Cada polígono de desmatamento é avaliado com base em sua proximidade de outras áreas de degradação e no histórico da região e, quando necessário, pessoas familiarizadas com o local são contatadas para confirmar o desmatamento. O conhecimento direto da área é fundamental para a validação dos dados.

Para o Amazon Mining Watch, o detector de minas é uma rede neural artificial treinada para distinguir áreas de mineração de outros tipos de terreno, a partir de exemplos rotulados manualmente que mostram minas e outros elementos relevantes tal como aparecem nas imagens do satélite Sentinel-2. A rede opera sobre blocos quadrados de dados extraídos do produto Sentinel-2 L1C. Cada pixel do bloco registra a luz refletida da superfície terrestre em doze bandas do espectro visível e infravermelho. Os dados do Sentinel são combinados (mediana composta) ao longo de vários meses para reduzir a presença de nuvens, sombras de nuvens e outros efeitos transitórios. Durante a execução, a rede avalia cada bloco em busca de sinais de atividade mineradora recente, e a região de interesse é então deslocada pela metade da largura do bloco para que a rede faça uma nova avaliação. Esse processo se repete até cobrir toda a área de interesse.

2. Mineração em Terras Indígenas. 

De acordo com a Constituição brasileira, a Permissão de Lavra Garimpeira — ou seja, a concessão de exploração para mineração artesanal — é vedada dentro de territórios indígenas. (Molina, Luísa Pontes, 2023. Terra rasgada: como avança o garimpo na Amazônia brasileira. Instituto Socioambiental).

No caso específico analisado, a concessão, outorgada em 1981, é anterior à homologação da Terra Indígena Kuruaya, ocorrida em 2001. Após a homologação, a concessionária (a empresa Brasinor) também apresentou diversos pedidos de concessão para pesquisa mineral dentro do território, que aparentemente foram rejeitados. No entanto, um protocolo relacionado à concessão anteriormente ativa foi aprovado pela Agência Nacional de Mineração em 30 de janeiro de 2026. A legalidade desse ato, bem como da própria concessão, deve ser investigada.

Um princípio consolidado no direito brasileiro é que os direitos territoriais indígenas produzem efeitos antes de seu reconhecimento formal, de modo que o fato de a concessão ser anterior à homologação do território é irrelevante. Caso a autorização da ANM seja considerada irregular, deve prevalecer a vedação constitucional à mineração em terras indígenas, e a concessão deve ser anulada. Uma decisão da Justiça Federal, em 2019, determinou que a Agência Nacional de Mineração deve indeferir qualquer pedido de pesquisa ou lavra dentro de territórios indígenas, mesmo antes de sua aprovação formal.

Agradecimentos

Este relatório faz parte de uma série dedicada à extração do ouro na Amazônia, desenvolvida por meio de uma colaboração estratégica entre a Amazon Conservation e parceiros regionais, com apoio da Gordon and Betty Moore Foundation. Neste caso, agradecemos ao nosso parceiro Instituto Socioambiental (ISA) pela liderança na elaboração deste relatório.

 

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MAAP #211: Estradas ilegais e desmatamento em reservas indígenas e parques nacionais da Amazônia colombiana

Mapa base. Estradas ilegais causando desmatamento recente na Reserva Indígena Llanos del Yari-Yaguara II e no Parque Nacional Chiribiquete adjacente. Dados: MAAP/ACA, FCDS.

Estradas ilegais são uma grande ameaça à Amazônia colombiana, muitas vezes abrindo florestas primárias remotas para os principais causadores do desmatamento: pastagens para gado, grilagem de terras e produção de coca.

Essas estradas ilegais ameaçam áreas protegidas (incluindo parques nacionais) e territórios indígenas (conhecidos como Resguardos na Colômbia).

Em 2024, em colaboração com nosso parceiro colombiano FCDS , documentamos esses impactos em duas áreas importantes no coração da Amazônia colombiana: a Reserva Indígena Llanos del Yari-Yaguara II e o adjacente Parque Nacional Chiribiquete (ver Mapa Base ).

Mais notavelmente, na Reserva Indígena Llanos del Yari-Yaguara II , vemos a construção de uma nova estrada, causando desmatamento maciço de florestas primárias, tanto dentro quanto adjacentes ao território (856 hectares, ou 2.115 acres, no total).

No Parque Nacional de Chiribiquete , vemos a expansão do desmatamento de 64 hectares (158 acres) ao longo de uma estrada ilegal que penetra no setor noroeste desta importante área protegida.

Abaixo, mostramos imagens de satélite para ambos os casos.

Reserva Indígena Llanos del Yari- Yaguara II

Desde março de 2023, uma nova estrada ilegal de 14 quilômetros foi construída nesta área, dos quais 5,3 km estão dentro do setor nordeste da Reserva Indígena Llanos del Yari-Yaguara II, localizada no departamento de Guaviare. As Figuras 1 e 2 mostram que esta construção causou desmatamento massivo: 856 hectares (2.115 acres), dos quais 394 hectares estão dentro da Reserva, entre fevereiro de 2023 (painel esquerdo) e março de 2024 (painel direito). Este desmatamento é presumivelmente para novas pastagens para gado, facilitado pela nova estrada. Observe que a Figura 1 mostra as imagens de satélite sem marcações, enquanto a Figura 2 adiciona marcações para a construção ilegal da estrada e o desmatamento associado.

Figura 1. Desmatamento ao longo da nova estrada ilegal na Reserva Indígena Llanos del Yari- Yaguara II, sem demarcações. Dados: Planet, NICFI.

Figura 2. Desmatamento ao longo da nova estrada ilegal na Reserva Indígena Llanos del Yari- Yaguara II, com marcações. Dados: Planet, NICFI.

Parque Nacional Chiribiquete

No setor noroeste adjacente do Parque Nacional Chiribiquete, o desmatamento continua a se expandir ao longo de uma estrada ilegal existente, conhecida como estrada Tunia-Ajaju , localizada no departamento de Caquetá.  As Figuras 3-6 mostram o desmatamento de 64 hectares (56 hectares na zona B e 8 hectares na zona C) ao longo desta estrada dentro do parque nacional, entre março de 2023 (painel esquerdo) e março de 2024 (painel direito). Este desmatamento é presumivelmente para novas pastagens de gado, facilitadas pela estrada. Observe que as Figuras 3 e 5 mostram as imagens de satélite sem marcações, enquanto as Figuras 4 e 6 adicionam marcações para a construção ilegal da estrada e o desmatamento associado.

Figura 3. Desmatamento ao longo da nova estrada ilegal no Parque Nacional Chiribiquete (zona B), sem marcações. Dados: Planet, NICFI.
Figura 4. Desmatamento ao longo da nova estrada ilegal no Parque Nacional Chiribiquete (zona B), com marcações. Dados: Planet, NICFI.
Figura 5. Desmatamento ao longo da nova estrada ilegal no Parque Nacional Chiribiquete (zona C), sem marcações. Dados: Planet, NICFI.
Figura 6. Desmatamento ao longo da nova estrada ilegal no Parque Nacional Chiribiquete (zona C), com marcações. Dados: Planet, NICFI

Citação

Finer M, Ariñez A (2024) Estradas ilegais e desmatamento em reservas indígenas e parques nacionais da Amazônia colombiana. MAAP: 211

 

MAAP #200: Estado da Amazônia em 2023

Figura 1. Visão mais recente sem nuvens de todo o bioma Amazônia (2023, trimestre 3). Dados: Planet, NICFI, ACA/MAAP.

O primeiro relatório do MAAP , publicado em março de 2015, analisou detalhadamente o crescente desmatamento da mineração de ouro na Amazônia peruana.

Os 198 relatórios a seguir, nos últimos 8,5 anos, continuaram a examinar as questões mais urgentes relacionadas ao desmatamento na Amazônia.

Em nosso 200º relatório , fornecemos nossa avaliação rápida do estado atual da Amazônia.

No geral, a situação é terrível, com a Amazônia se aproximando de dois pontos críticos de inflexão induzidos pelo desmatamento . O primeiro é a amplamente temida conversão de florestas tropicais úmidas em savanas mais secas, devido à diminuição da reciclagem de umidade na Amazônia (veja MAAP #164 ). O segundo é a mais recentemente temida conversão da Amazônia como um sumidouro crítico de carbono amortecendo a mudança climática global, para uma fonte de carbono que a alimenta (veja MAAP #144 ).

Há motivos para esperança, no entanto. É possível proteger o núcleo da Amazônia a longo prazo, já que quase metade agora é designada como áreas protegidas e territórios indígenas , ambos com taxas de desmatamento muito mais baixas do que as áreas vizinhas (veja MAAP #183 ). Além disso, novos dados da NASA revelam que a Amazônia ainda abriga reservas abundantes de carbono nessas áreas centrais (veja MAAP #160 e MAAP #199 ).

Também no front de notícias positivas, relatamos recentemente uma grande redução (mais da metade) na perda de floresta primária entre o ano atual de 2023 e o ano passado de 2022 em toda a Amazônia, especialmente no Brasil e na Colômbia ( MAAP #201 ).

Muito se fala sobre os incêndios na Amazônia na mídia, mas nos últimos anos revelamos que a grande maioria dos grandes incêndios na Amazônia (nomeadamente, no Brasil, Bolívia, Peru e Colômbia) estão, na verdade, queimando áreas recentemente desmatadas ( MAAP #168 ). É somente durante as intensas estações secas que alguns desses incêndios escapam e se tornam incêndios florestais reais.

A Figura 1 mostra a visão mais recente sem nuvens de todo o bioma da Amazônia. No lado positivo, pode-se ver claramente que o núcleo da Amazônia ainda está de pé. No lado negativo, no entanto, o desmatamento em expansão ao redor das bordas é evidente.

Principais Frentes de Desmatamento – 2023

Nesta seção, revisamos as principais frentes atuais de desmatamento na Amazônia.

A Figura 2 indica essas frentes (inserções AH) em relação aos dados de hotspots de desmatamento nos últimos 8 anos durante o período de monitoramento ativo do MAAP (2015-2022). Abaixo, descrevemos cada área de desmatamento, por país. Os drivers comuns em vários países da Amazônia incluem estradas ( MAAP #157 ), agricultura ( MAAP #161 ), gado e mineração de ouro ( MAAP #178 ).

Observe também que, mais abaixo, no Anexo , mostramos a ordem relativa da perda total de floresta primária na Amazônia por país nos últimos dois anos: Brasil, de longe, o mais alto, seguido por um grupo intermediário de Bolívia, Peru e Colômbia, seguido por níveis mais baixos na Venezuela, Equador, Suriname, Guiana e Guiana Francesa.

Figura 2. Pontos críticos de perda florestal na Amazônia, 2015-2022. Dados: UMD, Planet/NICFI, ACA/MAAP.

Amazônia brasileira

Figura 3. Principais pontos críticos de perda florestal na Amazônia brasileira. Dados: UMD, Planet/NICFI, ACA/MAAP.

O Brasil continua sendo, de longe, a principal fonte de desmatamento na Amazônia ( MAAP #187 ), liderado por três principais fatores: expansão de pastagens para gado perto de estradas, plantações de soja e mineração de ouro.

O desmatamento para novas pastagens para gado está concentrado ao longo das extensas redes rodoviárias que abrangem o leste e o sul da Amazônia brasileira (por exemplo, Inserção A).

O desmatamento para expansão de plantações de soja está concentrado no sudeste da Amazônia brasileira (Inserto B; ver MAAP #161 ).

O desmatamento da mineração de ouro afeta vários locais, incluindo vários territórios indígenas (por exemplo, Inserção C; veja MAAP #178 ).

Amazônia boliviana

Figura 4. Principais pontos críticos de perda florestal na Amazônia boliviana. Dados: UMD, Planet/NICFI, ACA/MAAP.

A Bolívia emergiu como a segunda principal fonte de desmatamento na Amazônia, com uma grande tendência crescente nos últimos dois anos ( MAAP #187 ).

O desmatamento está concentrado na fronteira da soja localizada no sudeste (Inserto D, ver MAAP #179 ).

Note que, cada vez mais, esse desmatamento de soja é realizado por colônias menonitas ( MAAP #180 ). Revelamos que os menonitas causaram o desmatamento de mais de 210.000 hectares desde 2001, incluindo 33.000 hectares desde 2017.

Amazônia peruana

Figura 5. Principais pontos críticos de perda florestal na Amazônia peruana. Dados: UMD, Planet/NICFI, ACA/MAAP.

O Peru é a terceira maior fonte de desmatamento na Amazônia ( MAAP #187 ).

Na Amazônia central, temos destacado o rápido desmatamento para  novas colônias menonitas  (ver  MAAP #188 ). Os relatórios do MAAP revelaram, em tempo real, que o desmatamento menonita cresceu de zero em 2016 para 3.400 hectares em 2021, para 4.800 hectares em 2022 e para 7.032 hectares em 2023.

No sul da Amazônia, o desmatamento por mineração de ouro continua sendo uma das principais causas de desmatamento, principalmente em comunidades indígenas, zonas de amortecimento de áreas protegidas e dentro do Corredor de Mineração oficial ( MAAP #185 ). Mais recentemente, mostramos que a mineração de ouro causou o desmatamento em quase 24.000 hectares entre apenas 2021 e 2023 ( MAAP #195 ).

Amazônia Colombiana

Figura 6. Principais pontos críticos de perda florestal na Amazônia colombiana. Dados: UMD, Planet/NICFI, ACA/MAAP.

A Colômbia é a quarta maior fonte de desmatamento na Amazônia.

O desmatamento na Colômbia aumentou após o acordo de paz de 2016 entre o governo colombiano e o grupo guerrilheiro FARC ( MAAP #120 ), mas foi o único país com uma redução notável no desmatamento em 2022 ( MAAP #187 ).

A perda florestal está concentrada em um “arco de desmatamento” ao redor de inúmeras Áreas Protegidas (como os Parques Nacionais de Chiribiquete, Tinigua e Macarena) e Reservas Indígenas.

Na Colômbia, o principal impulsionador direto do desmatamento é o pasto para gado, mas essa expansão é causada em grande parte pela grilagem de terras como um impulsionador indireto crítico. As plantações de coca também continuam a ser um impulsionador direto importante em certas áreas remotas.

Tanto o gado quanto a coca estão impactando áreas protegidas, especialmente os Parques Nacionais Tinigua e Chiribiquete (gado); e o Parque Nacional Macrarena e a Reserva Natural Nacional Nukak (coca).

 

Amazônia equatoriana

Figura 7. Principais pontos críticos de perda florestal na Amazônia equatoriana. Dados: UMD, Planet/NICFI, ACA/MAAP, RAISG.

Embora represente apenas 1% da perda total na Amazônia, o desmatamento na Amazônia equatoriana foi o  maior já registrado  em 2022 (18.902 hectares), um aumento impressionante de 80% desde 2021.

Existem vários focos de desmatamento causados ​​pela mineração de ouro (ver  MAAP #182 ), expansão de plantações de dendezeiros e agricultura de pequena escala.

Amazônia venezuelana

Há um ponto crítico de desmatamento causado pela  mineração de ouro no Parque Nacional Yapacana  (ver  MAAP #173MAAP #156MAAP #169 ).

Amazônia venezuelana

Há um ponto crítico de desmatamento causado pela  mineração de ouro no Parque Nacional Yapacana  (ver  MAAP #173MAAP #156MAAP #169 ).

Anexo: Perda de Floresta Primária na Amazônia (Por País), 2021-2022

Acknowledgments

We deeply thank the following funders for supporting MAAP over the past 10 years:
International Conservation Fund of Canada (ICFC)
Norwegian Agency for Development Cooperation (NORAD)
United States Agency for International Development (USAID)
MacArthur Foundation
Andes Amazon Fund (AAF)
Wyss Foundation
Erol Foundation
Global Forest Watch/World Resources Institute
Overbrook Foundation
Global Conservation

We also thank our key data providers:
Planet (optical satellite imagery)
University of Maryland (automated forest loss alerts)
Global Forest Watch (portal featuring integrated forest loss alerts)
NICFI monthly mosaics
CLASlite (our original forest loss detection tool)

Citation

Finer M, Mamani N, Novoa S, Ariñez A (2023) State of the Amazon in 2023. MAAP: 200.

 

MAAP #195: Desmatamento da mineração de ouro na Amazônia peruana do sul, 2021-2023

Figura 1. Desmatamento recente no Corredor de Mineração da região de Madre de Dios, no sul da Amazônia peruana (zona de Guacamayo). Dados: Planet.

No contexto geral da mineração de ouro na Amazônia , onde a mineração ilegal é desenfreada, o sul do Peru é um estudo de caso importante, visto que o governo criou o “ Corredor de Mineração ”, onde a mineração é permitida para organizar e promover essa atividade.

Nesta grande área, oficialmente conhecida como “Zona de mineração artesanal e de pequena escala no departamento de Madre Dios”, a atividade de mineração pode ser formal, informal ou ilegal , dependendo da localização e da conformidade legal (veja mais detalhes na seção Notas).

Conhecer o nível de desmatamento minerário que ocorre dentro de seus limites é importante porque, embora não seja ilegal, pode ser considerável, visto que o Corredor de Mineração cobre uma grande área de quase meio milhão de hectares (498.296 ha).

De fato, estimamos o desmatamento por mineração de 18.174 hectares dentro do Corredor de Mineração nos últimos três anos (2021-2023).

Além disso, identificamos o desmatamento minerário de 5.707 hectares fora do Corredor de Mineração , ou seja, em áreas proibidas e, portanto, com provável mineração ilegal .

Consequentemente, encontramos um desmatamento total de mineração de 23.881 hectares (59.011 acres) durante este período (2021-2023) no sul do Peru.

Desse total, 76% do desmatamento ocorreu dentro do Corredor de Mineração, enquanto os 24% restantes correspondem à mineração ilegal no entorno.

Mapa Base: Desmatamento Minerário na Amazônia Sul Peruana

O Mapa Base destaca o desmatamento de mineração mais recente nos anos de 2021-2023 (mostrado em vermelho ) em relação à perda histórica de florestas na área (mostrada em preto), tanto dentro quanto fora do Corredor de Mineração.

Mapa base. Desmatamento minerário dentro e fora do Corredor Mineiro Madre de Dios, na Amazônia meridional do Peru, durante os anos de 2021 e 2023. Dados: ACCA/MAAP.

Note que o desmatamento da mineração está concentrado dentro do Corredor de Mineração , representando 76% do total. Isso é especialmente evidente na área de mineração de Guacamayo (Veja Zooms A e B ) e ao longo do Rio Madre Dios.

O restante do desmatamento de mineração (24%) está fora do Corredor de Mineração. A maior parte desse desmatamento está ocorrendo nas 10 Comunidades Indígenas da área, cobrindo 3.406 hectares. As comunidades mais afetadas são Barranco Chico ( Zoom C ), San José de Karene, Tres Islas e Kotsimba.

O desmatamento por mineração também foi identificado em zonas de amortecimento de áreas naturais protegidas . As mais afetadas são a Reserva Nacional de Tambopata, o Parque Nacional Bahuaja Sonene e a Reserva Comunal de Amarakaeri. No entanto, deve-se enfatizar que a mineração dentro de áreas naturais protegidas tem sido efetivamente controlada pelo Estado peruano, por meio do Serviço Nacional de Áreas Naturais Protegidas (SERNANP).

Além disso, uma certa quantidade de desmatamento por mineração (161 hectares) foi detectada em concessões florestais de castanha-do-brasil localizadas na área de Pariamanu ( Zoom D ).

Por fim, vale mencionar uma área de importância na zona de amortecimento da Reserva Nacional de Tambopata, conhecida como La Pampa ( Zoom E ). Esta área foi o epicentro do desmatamento destrutivo da mineração entre 2014 e 2018. No entanto, as imagens revelam que após a Operação Mercurio, que começou no início de 2019, a expansão do desmatamento da mineração em La Pampa basicamente parou. Apesar disso, um relatório recente mostrou um grande aumento na atividade de mineração em áreas previamente desmatadas de La Pampa ( MAAP #193).

Zooms de alta resolução (AE)

Os seguintes zooms de alta resolução comparam o desmatamento de mineração entre o ano de 2020 (painel esquerdo) e o período atual de 2023 (painel direito). Os zooms A e B estão localizados dentro do Corredor de Mineração (área de Guacamayo), enquanto os zooms CE estão localizados fora.

Zoom A. Corredor de Mineração (zona Guacamayo – oeste)

Zoom B. Corredor de Mineração (zona Guacamayo – leste)


Comunidade Indígena Zoom C. Barranco Chico

Zoom D. Concessão de Castanha do Brasil, zona de Pariamanu

Zoom E. La Pampa

Notas

O Corredor Mineiro, designado pelo Decreto Legislativo n.º 1100 como “Zona de mineração de pequena escala e artesanal no departamento de Madre de Dios”, categoriza as atividades de mineração da seguinte forma:

  • Formal: Processo de formalização concluído com licenças ambientais e operacionais aprovadas.
  • Informal: Em processo de formalização; Opera apenas em áreas de extração autorizadas, utiliza maquinário permitido e é considerado uma infração administrativa, não um crime.
  • Ilegal: Opera em áreas proibidas, como corpos d’água (por exemplo, rios ou lagos), usa maquinário proibido, é considerado uma infração criminal e é punível com prisão.

Metodologia

Utilizamos o LandTrendR, um algoritmo de segmentação temporal que identifica mudanças nos valores de pixels ao longo do tempo, para detectar perdas florestais dentro do Corredor de Mineração entre 2021 e 2023 usando a plataforma Google Earth Engine. É importante notar que este método foi originalmente projetado para imagens Landsat com resolução moderada (30 metros) 1 , mas o adaptamos para mosaicos mensais NICFI-Planet de maior resolução espacial (4,7 metros). 2

Além disso, criamos uma linha de base para o período de 2016-2020 para eliminar áreas antigas desmatadas (antes de 2021) devido a mudanças rápidas no processo de regeneração natural.

Por fim, separamos manualmente a perda florestal devido à mineração e outras causas entre 2021 e 2023 para relatar especificamente os impactos diretos relacionados à mineração. Para esta parte da análise, usamos vários recursos para auxiliar o processo manual, como alertas de imagem de radar (RAMI) do programa SERVIR Amazônia, dados históricos do CINCIA de 1985 a 2020, dados de perda florestal do governo peruano (Programa Nacional de Conservação Florestal para Mitigação das Mudanças Climáticas) e da Universidade de Maryland.

  1. Kennedy, RE, Yang, Z., Gorelick, N., Braaten, J., Cavalcante, L., Cohen, WB, Healey, S. (2018). Implementação do Algoritmo LandTrendr no Google Earth Engine. Sensoriamento Remoto. 10, 691.
  2. Erik Lindquist, FAO, 2021

Reconhecimentos

Este relatório foi preparado com o apoio técnico da USAID por meio do Prevent Project. O Prevent (Proyecto Prevenir em espanhol) trabalha com o Governo do Peru, a sociedade civil e o setor privado para prevenir e combater crimes ambientais para a conservação da Amazônia peruana, particularmente nas regiões de Loreto, Madre de Dios e Ucayali.

Aviso Legal: Esta publicação é possível graças ao generoso apoio do povo americano por meio da USAID. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva dos autores e não reflete necessariamente as opiniões da USAID ou do Governo dos Estados Unidos.

 

Citation

Finer M, Mamani N, Ariñez A (2023) Gold Mining Deforestation in the Southern Peruvian Amazon, 2021-2023. MAAP: 195.

MAAP #197: Mineração ilegal de ouro na Amazônia

Exemplo de grande zona de mineração de ouro na Amazônia peruana.

A mineração ilegal de ouro  continua sendo um dos principais problemas enfrentados por quase todos os países amazônicos.

De fato, após a recente cúpula de alto nível da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, os líderes das nações assinaram a Declaração de Belém , que contém um compromisso para prevenir e combater a mineração ilegal, incluindo o fortalecimento da cooperação regional e internacional (Objetivo 32).

A mineração ilegal de ouro é uma grande ameaça à Amazônia porque afeta tanto florestas primárias quanto rios , geralmente em áreas remotas e críticas, como  áreas protegidas e territórios indígenas.

Ou seja, a mineração ilegal de ouro é um grande impulsionador do desmatamento e uma fonte de contaminação da água (especialmente mercúrio) na Amazônia.

Anteriormente, no MAAP #178 , apresentamos uma visão geral em larga escala dos principais hotspots de desmatamento de mineração de ouro em todo o bioma da Amazônia. Descobrimos que a mineração de ouro está ativamente causando desmatamento em quase todos os nove países da Amazônia.

Aqui, atualizamos esta análise com duas adições importantes. Primeiro, adicionamos à visão geral as principais operações de mineração de ouro que ocorrem em rios , além daquelas que causam desmatamento (veja a Figura 1 ). Segundo, apresentamos um novo mapa de prováveis ​​locais de mineração ilegal de ouro, com base em informações de parceiros e localização com áreas protegidas e territórios indígenas (veja a Figura 2 ).

Mapa de mineração de ouro da Amazônia atualizado

A Figura 1 é nosso mapa atualizado de mineração de ouro na Amazônia. Os pontos laranja indicam áreas onde a mineração de ouro está atualmente causando desmatamento de florestas primárias. Os pontos azuis indicam áreas onde a mineração de ouro está ocorrendo em rios. Combinados, documentamos 58  locais ativos de mineração florestal e fluvial na Amazônia.

Os pontos destacados em vermelho indicam os locais de mineração que provavelmente são ilegais, tanto para mineração florestal quanto fluvial. Encontramos pelo menos 49 casos de mineração ilegal na Amazônia, a vasta maioria dos locais de mineração ativos observados acima.

Observe as concentrações de mineração ilegal causando desmatamento no sul do Peru, no leste do Brasil e no Equador. Da mesma forma, observe as concentrações de mineração ilegal em rios no norte do Peru e na Colômbia e no Brasil adjacentes.

Figura 1. Mapa atualizado de mineração de ouro na Amazônia. Dados: ACA/MAAP. Clique para ampliar.

Áreas Protegidas e Territórios Indígenas

A Figura 2 acrescenta áreas protegidas e territórios indígenas. Encontramos pelo menos 36 sobreposições conflituosas : 16 em áreas protegidas e 20 em territórios indígenas. Também encontramos mais dois conflitos com as Florestas Nacionais Brasileiras.

Destacamos uma série de zonas de alto conflito. Para áreas protegidas : Parque Nacional Podocarpus no Equador; Parque Nacional Madidi na Bolívia; Parques Nacionais Canaima, Caura e Yapacana na Venezuela. Observamos que o governo peruano tem minimizado efetivamente as invasões em áreas protegidas na região sul de Madre de Dios (Reserva Nacional Tambopata e Reserva Comunal Amarakaeri). Para territórios indígenas : Kayapo, Menkragnoti, Yanomami e Mundurucu no Brasil; Pueblo Shuar Arutam no Equador e uma série de comunidades no sul do Peru.

Figura 1. Mapa de mineração de ouro na Amazônia, com áreas protegidas e territórios indígenas. Dados: ACA/MAAP, RAISG. Clique para ampliar.

Métodos

Os locais de mineração baseados em florestas exibidos na Figura 1 são amplamente baseados em informações obtidas ao longo dos últimos anos de nosso trabalho de monitoramento de desmatamento. Os locais baseados em rios são amplamente baseados em informações obtidas de parceiros no país e no solo.

Complementamos essas informações com dados automatizados e baseados em máquinas do Amazon Mining Watch e dados do RAISG . Para essas fontes, verificamos imagens recentes e incluímos apenas sites que pareciam ainda estar ativos.

A classificação como local de mineração ilegal é amplamente baseada na localização dentro de áreas protegidas ou territórios indígenas, ou claramente fora de uma zona de mineração autorizada.

Citação

Finer M, Mamani N, Arinez A, Novoa S, Larrea-Alcázar D, Villa J (2023) Mineração ilegal de ouro na Amazônia. MAAP: 197.

MAAP #183: Áreas Protegidas e Territórios Indígenas Eficazes Contra o Desmatamento na Amazônia

Mapa base. Perda de floresta primária (2017-21) na Amazônia, em relação a áreas protegidas e territórios indígenas.

Como o desmatamento continua a ameaçar as florestas primárias na Amazônia, as principais  designações de uso da terra  são uma das melhores esperanças para a conservação a longo prazo das florestas intactas restantes.

Aqui, avaliamos o impacto de dois dos mais importantes:  áreas protegidas e territórios indígenas .

Nosso estudo analisou todos os nove países do bioma Amazônia, uma vasta área de 883,7 milhões de hectares (ver  Mapa Base ).

Calculamos  a perda de floresta primária  nos últimos 5 anos ( 2017-2021 ).

Pela primeira vez, conseguimos distinguir a perda florestal causada por fogo da não causada por fogo. Para não causada por fogo, embora isso inclua eventos naturais (como deslizamentos de terra e tempestades de vento), consideramos este nosso melhor proxy para o desmatamento causado pelo homem .

Analisamos os resultados em três categorias principais de uso do solo:

1)  Áreas Protegidas  (níveis nacional e estadual/departamental), que cobrem 197 milhões de hectares (23,6% da Amazônia).

2)  Territórios Indígenas  (oficiais), que abrangem 163,8 milhões de hectares (19,6% da Amazônia).

3)  Outras  (todas as áreas restantes fora das unidades de conservação e territórios indígenas), que abrangem 473 milhões de hectares (56,7% da Amazônia).

Em resumo , descobrimos que o desmatamento foi o principal impulsionador da perda florestal, com o fogo sempre sendo um subconjunto menor. Em média, em todos os 5 anos, áreas protegidas e territórios indígenas tiveram níveis semelhantes de eficácia, reduzindo a taxa de perda de floresta primária em 3x em comparação com áreas fora dessas designações .

Abaixo, mostramos os principais resultados na Amazônia com mais detalhes, incluindo uma análise para a Amazônia ocidental (Bolívia, Colômbia, Equador e Peru) e a Amazônia brasileira.

Principais conclusões

Bioma amazônico

Documentamos a perda de 11 milhões de hectares de florestas primárias em todos os nove países do bioma Amazônia entre 2017 e 2021. Desse total, 71% não foi causado por fogo (desmatamento e natural) e 29% foi causado por fogo.

Para as principais categorias de uso da terra, 11% da perda florestal ocorreu em áreas protegidas e territórios indígenas, respectivamente, enquanto os 78% restantes ocorreram fora dessas designações.

Para padronizar esses resultados para as coberturas de áreas variáveis, calculamos taxas anuais de perda de floresta primária  (perda/área total de cada categoria).  A Figura 1  exibe os resultados para essas taxas em todos os nove países do bioma Amazônia.

Figura 1. Taxas de perda de florestas primárias na Amazônia, 2017-21.

Dividido por ano, 2017 teve as maiores taxas de perda florestal, com uma temporada severa de desmatamento e incêndios. Além disso, 2021 teve a segunda maior taxa de desmatamento, enquanto 2020 teve a segunda maior taxa de perda por incêndios.

Na média dos cinco anos,  as áreas protegidas  (verde) tiveram a menor taxa geral de perda de floresta primária (0,12%), seguidas de perto pelos  territórios indígenas  (0,14%).

Curiosamente, os territórios indígenas (laranja) tiveram uma taxa de desmatamento ligeiramente menor em comparação às áreas protegidas (0,7 vs 0,8%), mas uma taxa de perda por incêndio maior (0,7 vs 0,04%), resultando na maior taxa geral de perda florestal observada acima.

Fora dessas designações ( vermelho ), a taxa de perda de floresta primária foi tripla (0,36%), especialmente devido ao desmatamento muito maior.

Amazônia Ocidental

Analisando os resultados especificamente para a Amazônia Ocidental (Bolívia, Colômbia, Equador e Peru), documentamos a perda de 2,6 milhões de hectares de florestas primárias entre 2017 e 2021. Desse total, 80% não foram causados ​​por incêndios (desmatamento e naturais) e 20% foram causados ​​por incêndios.

Para as principais categorias de uso da terra, 9,6% ocorreram em áreas protegidas, 15,6% em territórios indígenas e os 74,8% restantes ocorreram fora dessas designações.

A Figura 2  exibe as taxas padronizadas de perda de florestas primárias na Amazônia ocidental.

Figura 2. Taxas de perda de florestas primárias na Amazônia Ocidental, 2017-21.

Dividido por ano, 2017 teve a maior taxa de desmatamento e taxas gerais de perda florestal. Mas 2020 teve a maior taxa de perda por incêndio, principalmente devido a incêndios extensos na Bolívia. 2021 também teve uma taxa de desmatamento relativamente alta. Além disso, observe o alto nível de incêndios em áreas protegidas em 2020 e 2021, e em territórios indígenas em 2019.

Na média dos cinco anos,  as áreas protegidas tiveram a menor taxa geral de perda de floresta primária (0,11%), seguidas pelos  territórios indígenas  (0,16%).

Fora dessas designações, a taxa de perda de floresta primária foi de 0,30%. Ou seja, o triplo da taxa de áreas protegidas e o dobro da taxa de territórios indígenas.

Amazônia brasileira

Analisando os resultados especificamente para a Amazônia brasileira, documentamos a perda de 8,1 milhões de hectares de florestas primárias entre 2017 e 2021. Desse total, 68% não foram causados ​​por incêndios (desmatamento e naturais) e 32% foram causados ​​por incêndios.

Para as principais categorias de uso da terra, 9,4% ocorreram em territórios indígenas, 11,2% ocorreram em áreas protegidas e os 79,4% restantes ocorreram fora dessas designações.

A Figura 3  exibe as taxas padronizadas de perda de florestas primárias na Amazônia brasileira.

Figura 3. Taxas de perda de floresta primária na Amazônia brasileira, 2017-21.

Dividido por ano, 2017 teve a maior taxa de perda florestal registrada em todo o estudo (0,58%), devido tanto ao desmatamento elevado quanto ao fogo. Observe que os territórios indígenas foram particularmente impactados pelo fogo em 2017.

2020 teve a próxima maior taxa de perda florestal, também impulsionada por uma intensa temporada de incêndios. Os incêndios não foram tão severos no ano seguinte, em 2021, mas o desmatamento aumentou.

Na média dos cinco anos, os territórios indígenas  tiveram a menor taxa geral de perda de floresta primária (0,14%), seguidos de perto pelas  áreas protegidas  (0,15%).

Curiosamente, os territórios indígenas tiveram uma taxa de desmatamento menor em comparação às áreas protegidas (0,5 vs 0,11%), mas maior impacto de incêndios (0,09 vs 0,04%).

Fora dessas designações ( vermelho ), a taxa de perda de floresta primária foi tripla (0,45%).

Metodologia

Para estimar o desmatamento em todas as três categorias (áreas protegidas, territórios indígenas e outros), usamos dados anuais de perda florestal (2017-21) da Universidade de Maryland (laboratório Global Land Analysis and Discovery GLAD) para ter uma fonte consistente em todos os países (Hansen et al 2013).

Obtivemos esses dados, que têm uma resolução espacial de 30 metros, da página de download de dados “Global Forest Loss due to Fires 2000–2021” . Também é possível visualizar e interagir com os dados no portal principal Global Forest Change .

Os dados anuais são desagregados em perda florestal devido a incêndio vs. não incêndio (outros drivers de perturbação). É importante notar que os drivers não incêndio incluem tanto o desmatamento causado pelo homem quanto a perda florestal causada por forças naturais (deslizamentos de terra, tempestades de vento, etc.).

Também filtramos esses dados apenas para perda de floresta primária, seguindo a metodologia estabelecida do Global Forest Watch. Floresta primária é geralmente definida como floresta intacta que não foi previamente desmatada (ao contrário de floresta secundária previamente desmatada, por exemplo). Aplicamos esse filtro cruzando os dados de perda de cobertura florestal com o conjunto de dados adicional “florestas tropicais úmidas primárias” de 2001 (Turubanova et al 2018). Assim, frequentemente usamos o termo “ perda de floresta primária ” para descrever esses dados filtrados.

Os dados apresentados como taxa de perda de floresta primária são padronizados pela área total coberta de cada categoria respectiva por ano (anual). Por exemplo, para comparar adequadamente os dados brutos de perda de floresta em áreas que são de 100 hectares vs 1.000 hectares de tamanho total, respectivamente, dividimos pela área para padronizar o resultado.

Nossa distribuição geográfica se estende dos Andes até a planície amazônica e alcança as transições com o Cerrado e o Pantanal. Essa distribuição inclui nove países da Amazônia (ou região Pan-Amazônica, conforme definido pela RAISG) e consiste em uma combinação do limite da bacia hidrográfica da Amazônia, o limite biogeográfico da Amazônia e o limite da Amazônia Legal no Brasil. Veja o Mapa Base acima para a delimitação desse limite híbrido da Amazônia, projetado para inclusão máxima.

Fontes de dados adicionais incluem:

  • Áreas protegidas em nível nacional e estadual/departamental: RUNAP 2020 (Colômbia), SNAP 2022 (Equador), SERNAP e ACEAA 2020 (Bolívia), SERNANP 2022 (Peru), INPE/Terrabrasilis 2022 (Brasil), SOS Orinoco 2021 (Venezuela) e RAISG 2020 (Guiana, Suriname e Guiana Francesa).
  • Territórios indígenas: RAISG e Ecociencia 2022 (Equador), INPE/Terrabrasilis 2022 (Brasil), RAISG 2020 (Colômbia, Bolívia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa) e MINCU e ACCA 2021 (Peru). Para o Peru, isso inclui comunidades nativas tituladas e Reservas Indígenas/Territoriais para grupos indígenas em isolamento voluntário.

Para análise, categorizamos primeiro as Áreas Protegidas, depois os Territórios Indígenas para evitar áreas sobrepostas. Cada categoria foi desagregada por ano de criação/reconhecimento para corresponder ao relatório anual de perda florestal, por exemplo. Se uma área protegida foi criada em dezembro de 2018, ela seria considerada na análise para o ano de 2019.

Reconhecimentos

Este trabalho foi apoiado pelo Fundo Andino-Amazônico (AAF), pela Agência Norueguesa de Cooperação para o Desenvolvimento (NORAD) e pelo Fundo Internacional de Conservação do Canadá (ICFC).

Agradecemos a M. MacDowell e M. Cohen pelos comentários úteis sobre este relatório.

Citação

Finer M, Mamani N (2023) Áreas protegidas e territórios indígenas eficazes contra o desmatamento na Amazônia. MAAP: 176.

MAAP #181: Mineração ilegal de ouro na Terra Indígena Yanomami (Brasil)

Base Map. Illegal mining deforestation alerts in Yanomami Indigenous Territory (northern Brazilian Amazon).

O governo brasileiro lançou recentemente uma série de operações contra a mineração ilegal de ouro na Terra Indígena Yanomami , localizada no norte da Amazônia brasileira (veja o detalhe do Mapa Base).

Essas incursões destacam as consequências graves trazidas pela atividade de mineração ilegal, particularmente desmatamento, contaminação, desnutrição e doenças.

Aqui apresentamos os resultados de um novo algoritmo de aprendizado de máquina que analisa arquivos de imagens de satélite em grandes áreas para detectar de forma rápida e precisa novas frentes de desmatamento na mineração de ouro.

A resolução desses alertas de desmatamento de mineração é de 10 metros, com base nos dados de imagens de satélite Sentinel-2, disponíveis gratuitamente pela Agência Espacial Europeia.

Esses alertas revelam que a extensão do desmatamento da mineração de ouro na Terra Indígena Yanomami é muito maior do que se imaginava (ver Mapa Base ).

No Mapa Base, os pontos vermelhos indicam os alertas de desmatamento de mineração de ouro mais recentes, ocorridos em 2022 .

Observe que, embora os ataques pareçam estar concentrados ao longo do Rio Uraricoera, o desmatamento ativo para mineração de ouro está ocorrendo em toda a vasta parte norte do território , incluindo também os Rios Parima e Mucajai.

Estimamos que o novo desmatamento da mineração de ouro seja de mais de 2.000 hectares desde 2019. Grande parte desse desmatamento (67%, ou 1.350 hectares) ocorreu mais recentemente em 2022.

Abaixo, mostramos cinco exemplos desse recente desmatamento de mineração de ouro com imagens de satélite de alta resolução (3 metros) que confirmam as detecções de alerta.

Zooms do desmatamento da mineração ilegal de ouro, 2020 – 2022

Abaixo, mostramos cinco exemplos desse recente desmatamento de mineração de ouro com imagens de satélite de alta resolução (3 metros) que confirmam as detecções de alerta (veja inserções AE no Mapa Base). Observe que dois dos exemplos estão no Rio Uraricoera, enquanto os outros três exemplos são de outras partes do território.

Zoom A

Zoom B

Zoom C

Zoom D

Zoom E

Metodologia

Alertas de desmatamento na mineração de ouro foram gerados pelo algoritmo de aprendizado de máquina atualizado do Amazon Mining Watch com base em dados de imagens do satélite Sentinel-2.

O Amazon Mining Watch é uma parceria entre a Rainforest Investigations Network do Pulitzer Center e a Earthrise Media. Essas duas organizações sem fins lucrativos uniram forças para reunir o poder do aprendizado de máquina e do jornalismo investigativo para lançar luz sobre problemas ambientais de larga escala na Amazônia.

MAAP #157: Estradas Novas e Propostas na Amazônia Ocidental

Amazon Roads Base Map 1. Data: ACA/MAAP, MTC (Peru), MINAM (Peru), MI (Brazil),  ABT (Bolivia), GAD Napo (Ecuador), FCDS (Colombia), EcoCiencia (Ecuador), Diálogo Chino, CSF, RAISG, ACCA, ACEAA (Bolivia).

O desmatamento extensivo , especialmente ao longo das principais redes rodoviárias , transformou surpreendentemente a Amazônia oriental brasileira em uma fonte líquida de carbono (ver MAAP #144 ).

Felizmente, a grande Amazônia, que abrange todos os nove países, ainda é um sumidouro líquido de carbono, em grande parte graças ao núcleo ainda intacto da Amazônia ocidental .

A maior ameaça de longo prazo para o núcleo da Amazônia provavelmente são as novas estradas, pois elas são uma das principais causas da abertura de áreas vastas e antes remotas ao desmatamento e à degradação (Vilela et al 2020).

Aqui, apresentamos uma análise inicial de estradas novas e propostas na Amazônia Ocidental .

Embora seja difícil prever quais projetos propostos têm probabilidade de avançar, encontramos o potencial de uma grande expansão rodoviária no centro da Amazônia ocidental (veja o Mapa Base 1 ).

Além disso, mesmo focando apenas nos projetos mais avançados ou discutidos ativamente, encontramos o risco de um grande impacto negativo .

Abaixo, discutimos nosso Mapa Base inicial de Estradas na Amazônia e apresentamos uma série de zooms mostrando a floresta primária em risco caso projetos rodoviários selecionados avancem.

Mapa Base de Estradas da Amazônia

O Mapa Base 2 destaca estradas novas, propostas e existentes (linhas vermelha, amarela e preta, respectivamente), em relação a áreas protegidas e territórios indígenas para contexto. Focamos no núcleo ainda amplamente intacto da Amazônia ocidental (Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e oeste do Brasil).

A maioria das novas estradas foi construída nos últimos cinco anos e foi digitalizada a partir de imagens de satélite. Observe que, para algumas dessas novas estradas, apenas a construção inicial de uma estrada irregular começou e ainda há potencial para impactos futuros de melhorias e pavimentação de estradas.

A maioria das estradas propostas foi obtida de conjuntos de dados oficiais do governo. Conforme observado acima, é difícil prever quais projetos de estradas propostas têm probabilidade de avançar eventualmente. No entanto, é claro que há potencial para dividir muito o núcleo restante da Amazônia ocidental com o portfólio de estradas propostas .

Amazon Roads Base Map 2. Data: ACA/MAAP, MTC (Peru), MINAM (Peru), MI (Brazil),  ABT (Bolivia), GAD Napo (Ecuador), FCDS (Colombia), EcoCiencia (Ecuador), Diálogo Chino, CSF, RAISG, ACCA, ACEAA (Bolivia).

Zooms de estradas novas e propostas de alto impacto

Nesta seção, focamos nos projetos mais avançados ou ativamente discutidos atualmente (veja Letters AF on Amazon Roads Base Map). Destacamos seus potenciais impactos em vastas seções das principais áreas protegidas da Amazônia Ocidental e territórios indígenas.

Estrada A. Boca Manu (Peru)

A nova/proposta estrada à qual nos referimos aqui como a estrada Boca Manu serviria como uma nova conexão entre as regiões de Cusco e Madre de Dios. Ela é notável devido à sua rota sensível entre o Parque Nacional Manu e a Reserva Comunitária Amarakaeri até Boca Manu, e de lá entre a Concessão de Conservação Los Amigos e a Reserva Comunitária Amarakaeri até Boca Colorado. Além de provavelmente impactar essas áreas protegidas e a concessão, a estrada também tem o potencial de impactar o território próximo de grupos indígenas em isolamento voluntário . Veja este relatório recente do Diálogo Chino  para mais informações sobre esta estrada e seu status e impactos.

Estrada Zoom A. Boca Manu. Dados: MTC, MINAM, ACA, ACCA, RAISG.

B. Pucallpa – Cruzeiro do Sul Road (Peru – Brazil)

Esta estrada proposta conectaria a cidade peruana de Pucallpa com a borda da rede rodoviária existente no oeste do Brasil, perto da cidade de Cruzeiro do Sul. Embora a rota potencial tenha várias opções, ela certamente cortaria ou passaria perto do Parque Nacional Sierra del Divisor no Peru e do adjacente Parque Nacional Serra do Divisor no Brasil. Esta área é caracterizada por vastas florestas primárias, portanto, criar uma nova rota binacional conectando as frentes de desmatamento em cada país poderia obviamente desencadear impactos significativos. Veja este relatório recente do Diálogo Chino  para mais informações sobre esta estrada e seu status e impactos.

Zoom B. Pucallpa – Cruzeiro do Sul Road. Data: MTC, MINAM, ACA, CSF, Diálogo Chino, RAISG.

Estrada C. Yurua (Peru)

A nova/proposta estrada à qual nos referimos aqui como estrada Yurua conectaria as cidades peruanas de Nueva Italia no Rio Ucayali e Breu no Rio Yurua. Esta rota de 200 km foi construída originalmente como uma estrada de exploração madeireira no final da década de 1980 para acessar áreas remotas de madeira na Amazônia central peruana, mas caiu em desuso no início dos anos 2000. Uma análise recente do MAAP (veja MAAP #146 ) descobriu que entre 2010 e 2021 grande parte da rota foi reabilitada, desencadeando um desmatamento elevado ao longo do caminho. Se esta estrada fosse pavimentada, os impactos provavelmente continuariam a aumentar, inclusive com comunidades nativas ao longo da rota. Veja MAAP #146 para mais informações sobre esta estrada e seu status e impactos.

Zoom C. Estrada Yurua. Dados: MTC, MINAM, ACA, ACCA, RAISG.

D. Genaro Herrera – Estrada Angamos (Peru)

Esta nova/proposta estrada seria construída a partir de uma antiga trilha através das vastas florestas que conectam as cidades peruanas do norte de Genaro Herrera e Angamos, na região de Loreto. Em 2021, a limpeza começou ao longo desta rota, avançando mais de 100 quilômetros de ambas as extremidades. Se concluído e pavimentado, o projeto final da estrada impactaria áreas protegidas em ambos os lados (incluindo a Reserva Nacional Matsés ao sul) e representaria uma grande ameaça aos povos indígenas em isolamento voluntário que supostamente vivem ao norte. Veja este relatório recente para mais informações sobre esta estrada e seu status e impactos.

Zoom D. Genaro Herrera – Estrada Angamos. Dados: MTC, ACA, RAISG.

E. Cachicamo – Estrada Tunia (Parque Nacional Chiribiquete, Colômbia)

O Parque Nacional Chiribiquete, localizado no coração da Amazônia colombiana, vem sofrendo pressões crescentes de desmatamento, em parte devido à expansão das redes rodoviárias ao redor e até mesmo dentro do parque. Por exemplo, a Estrada Cachicamo-Tunia, construída em 2020, desencadeou uma nova frente de desmatamento na seção noroeste do parque. Observe que esta estrada também está impactando uma Reserva Indígena adjacente.

Zoom E. Cachicamo – Estrada Tunia. Dados: FCDS, RAISG, ACA.

F.  Manaus – Porto Velho Road (BR-319, Brazil)

Provavelmente o projeto mais controverso da lista: pavimentar a seção central da BR-319 no coração da Amazônia brasileira. Esta estrada de quase 900 km conecta a remota cidade de Manaus (de outra forma acessível apenas por via aérea ou marítima) com o resto da rede rodoviária brasileira em Humaitá e Porto Velho ao sul. Foi construída no início dos anos 1970, mas abandonada e intransitável no final dos anos 1980, isolando Manaus mais uma vez. Desde 2015, um programa básico de manutenção tornou a estrada geralmente transitável, mas o projeto principal permanece: pavimentar a seção central de 400 km que passa pelo núcleo da Amazônia ocidental. Esta pavimentação conectaria efetivamente Manaus com as rodovias existentes no sul e provavelmente desencadearia uma perda florestal massiva ao estender o arco de desmatamento para o norte, incluindo dentro e ao redor das áreas protegidas que cercam a estrada. Este projeto rodoviário tem sido objeto de inúmeras reportagens recentes da imprensa, incluindo artigos investigativos do Washington Post e do El Pais .

Zoom F. Manaus – Porto Velho Road. Data: Ministério da Infraestrutura, ACA, RAISG.

G. Ixiamas – Estrada Chivé (Bolívia)

Nos últimos anos, a Bolívia tem buscado financiamento para uma estrada de 250 km ligando a atual cidade fronteiriça de Ixiamas com a cidade isolada de Chivé, localizada perto da fronteira peruana no rio Madre de Dios. Esta estrada cruzaria grandes extensões de floresta amazônica primária e savana no norte do departamento de La Paz, incluindo a recém-criada Área de Conservação Municipal Bajo Madidi e o território indígena Tacana II.

Zoom G. Ixiamas – Estrada Chivé. Dados: ABT, ACEAA, ACA, RAISG.

Metodologia

Nossas análises e mapas se concentram na Amazônia ocidental (Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e oeste do Brasil).

A maioria das novas estradas foi construída nos últimos cinco anos e foi digitalizada a partir de imagens de satélite. Observe que, para algumas dessas novas estradas, apenas a reabilitação/melhoria inicial de uma estrada irregular começou e ainda há potencial para impactos futuros da pavimentação.

A maioria das estradas propostas foi obtida de conjuntos de dados oficiais do governo (e complementadas por relatórios da sociedade civil).

Creditamos as seguintes fontes de dados: Ministério dos Transportes e Comunicações (Peru), Geobosques/MINAM (Peru), Ministério da Infraestrutura (Brasil), Autoridade de Supervisão e Controle Social de Florestas e Terras – ABT (Bolívia), Autoridade Autônoma Descentralizada Provincial Governo de Napo (Equador), Fundação para Conservação e Desenvolvimento Sustentável – FCDS (Colômbia), Fundação EcoCiencia (Equador), Diálogo Chino, Fundo de Estratégia de Conservação, RAISG, Conservação da Amazônia – ACCA (Peru), Conservação da Amazônia – ACEAA (Bolívia) ) e Conservação da Amazônia (digitalização de algumas estradas novas e propostas).

Referência:
Vilela et al (2020) Uma melhor rede rodoviária na Amazônia para as pessoas e o meio ambiente. PNAS 17 (13) 7095-7102.

Agradecimentos

Agradecemos especialmente ao Diálogo Chino pelo apoio a este relatório. Também agradecemos a E. Ortiz, S. Novoa, S. Villacis, D. Larrea, M. Terán e D. Larrea pelos comentários úteis sobre rascunhos anteriores do texto e das imagens.

Citação

Finer M, Mamani N (2022) Estradas novas e propostas na Amazônia Ocidental. MAAP: 157.

MAAP #154: Mineração ilegal de ouro na Amazônia peruana – atualização de 2022

Mapa Base. Locais de locais de mineração ilegal de ouro no sul da Amazônia peruana analisados ​​neste relatório. Clique para ampliar. Dados: MAAP/ACA.

A mineração ilegal de ouro atingiu níveis críticos na Amazônia sul peruana em 2017 e 2018, desmatando mais de 1.200 hectares (3.000 acres) na área mais criticamente impactada, conhecida como La Pampa (localizada na zona de amortecimento da Reserva Nacional de Tambopata, região de Madre de Dios).

No início de 2019, o governo peruano lançou a Operação Mercúrio , uma repressão de longo prazo sem precedentes à mineração ilegal, com foco inicial em La Pampa.

Aqui, apresentamos uma análise atualizada da mineração ilegal de ouro na Amazônia peruana. Especificamente, comparamos as taxas de desmatamento antes e depois da Operação Mercury nos locais de mineração ilegal mais importantes (veja o Mapa Base).

Descobrimos que o desmatamento da mineração ilegal de ouro diminuiu 62% no geral em todos os locais após a Operação Mercúrio, incluindo uma notável redução de 96% em La Pampa.

No entanto, o desmatamento ilegal por mineração aumentou em vários locais importantes, principalmente em territórios indígenas .

Resultados: Mapa Base

O Mapa de Resultados abaixo ilustra as principais descobertas. Vermelho indica o desmatamento da mineração de ouro pós-Operação Mercury (3.688 hectares entre março de 2019 e dezembro de 2021), enquanto amarelo indica a linha de base pré-Operação (6.933 hectares entre janeiro de 2017 e fevereiro de 2019).

Note que o desmatamento na frente de mineração ilegal mais crítica, La Pampa (zona de amortecimento da Reserva Nacional de Tambopata), foi essencialmente interrompido. No entanto, a mineração continua em outras áreas importantes, como Mangote, Pariamanu, Camanti (zona de amortecimento da Reserva Comunitária de Amarakaeri), Chaspa (zona de amortecimento do Parque Nacional Bahuaja Sonene), levando a novas intervenções governamentais em cada uma dessas áreas.

Em relação às Comunidades Nativas , as mais impactadas após a Operação Mercúrio incluem Barranco Chico (1.098 hectares), Tres Islas (503 hectares), Puerto Luz (136 hectares) e Kotsimba (dentro da área de Alto Malinowski; 518 hectares). O governo conduziu recentemente duas incursões em Barranco Chico, indicando que está ciente dessa situação.

Mapa de resultados. Principais frentes de mineração de ouro na Amazônia peruana meridional antes (amarelo) e depois (vermelho) da Operação Mercúrio. Dados: MAAP. Clique para ampliar.

Resultados: Gráfico

O gráfico de resultados abaixo detalha ainda mais as principais descobertas:

  • No geral, o desmatamento da mineração de ouro diminuiu 62% em todos os locais após a Operação Mercúrio (de 279 para 105 hectares por mês).
  • Mais notavelmente, o desmatamento para mineração diminuiu 96% em La Pampa , a área mais criticamente impactada (de 149 para 6,5 ​​hectares por mês).

  • O desmatamento para mineração diminuiu 81% nos outros locais dentro das zonas de amortecimento da principal área protegida (Reserva Nacional de Tambopata, Parque Nacional Bahuaja Sonene e Reserva Comunitária de Amarakaeri)
  • O desmatamento para mineração aumentou 100% em duas novas frentes críticas, Pariamanu e Chaspa.
  • O desmatamento da mineração aumentou 128% nas quatro comunidades indígenas (Barranco Chico, Boca Inambari, Tres Islas e Puerto Luz).
Gráfico de resultados. Dados: ACA/MAAP.

Imagens de satélite de altíssima resolução (Skysat)

Abaixo, mostramos uma série impressionante de imagens recentes (janeiro a março de 2022) e de altíssima resolução (0,5 metro Skysat) de três principais locais de mineração ilegal atuais: Barranco Chico, Pariamanu e Mangote. Essas imagens revelam maquinário e infraestrutura (indicados por círculos vermelhos), bem como acampamentos (indicados por quadrados amarelos) diretamente associados à atividade de mineração ilegal de ouro.

Comunidade Nativa Barranco Chico

Comunidade Nativa Barranco Chico 1. Dados: MAAP/ACA, Skysat/Planet.
Comunidade Nativa Barranco Chico 2. Dados: MAAP/ACA, Skysat/Planet.

Pariamanu

Pariamanu 1. Dados: MAAP/ACA, Skysat/Planet.
Pariamanu 2. Data: MAAP/ACA, Skysat/Planet.
Pariamanu 3. Data: MAAP/ACA, Skysat/Planet.

Mangote

Mangote 1. Data: MAAP/ACA, Skysat/Planet.

 

Mangote 2. Data: MAAP/ACA, Skysat/Planet.

 

Metodologia

Analisamos imagens de alta resolução (3 metros) da empresa de satélite Planet obtidas de sua interface Planet Explorer. Com base nessas imagens, digitalizamos o desmatamento da mineração de ouro em dez locais principais: La Pampa, Mangote, Alto Malinowski, Camanti, Pariamanu/Pariamarca, Apaylon, Chaspa, Barranco Chico e Boca Inambari. Essas foram identificadas como as principais frentes ativas de desmatamento da mineração ilegal de ouro com base na análise de alertas automatizados de perda florestal gerados pela Universidade de Maryland (alertas GLAD) e pelo governo peruano (Geobosques) e camadas adicionais de uso da terra. A área referida como “corredor de mineração” não está incluída na análise porque a questão da legalidade é mais complexa.

Em todos esses sites, identificamos, digitalizamos e analisamos todo o desmatamento visível da mineração de ouro entre janeiro de 2017 e o presente (dezembro de 2021). Definimos antes da Operação Mercúrio como dados de janeiro de 2017 a fevereiro de 2019, e depois da Operação Mercúrio como dados de março de 2019 até o presente. Dado que o primeiro foi de 26 meses e o último de 32 meses, durante a análise os dados foram padronizados como desmatamento da mineração de ouro por mês.

Os dados são atualizados até dezembro de 2021.

Agradecimentos

Agradecemos a O. Liao, S. Otoya, J. Guerra, K. Nielsen, S. Novoa, ME Gutierrez, Z. Romero e G. Palacios pelos seus comentários úteis sobre este relatório.

Este relatório foi conduzido com assistência técnica da USAID, por meio do projeto Prevent. O Prevent trabalha com o Governo do Peru, a sociedade civil e o setor privado para prevenir e combater crimes ambientais em prol da conservação da Amazônia peruana, particularmente nas regiões de Loreto, Madre de Dios e Ucayali.

Esta publicação é possível com o apoio do povo americano por meio da USAID. Seu conteúdo é de responsabilidade exclusiva dos autores e não reflete necessariamente as opiniões da USAID ou do governo dos EUA.

Citação

Finer M, Mamani N, Spore J (2021) Atualização sobre mineração ilegal de ouro na Amazônia peruana. MAAP: #154.