MAAP #248: Implicações do próximo grande evento El Niño para os incêndios na Amazônia

Figura 1. El Niño 2023. Dados: Google Gemini

Em nossa série anual sobre as tendências de perda florestal na Amazônia (MAAP nº244 e MAAP nº229), observamos que as duas temporadas recentes de incêndios mais intensas – 2016 e 2024 –  ocorreram logo após eventos significativos do El Niño

Por exemplo, o forte El Niño no final de 2023 provocou condições de seca extrema que persistiram no ano seguinte, favorecendo incêndios amplamente distribuídos pela Amazônia em 2024. Em contraste, a redução dos incêndios em 2025 esteve associada às condições mais úmidas trazidas pelo La Niña.

Como contexto, a definição de El Niño se baseia no aumento da temperatura da superfície do mar em uma região específica do Oceano Pacífico, localizada a centenas de quilômetros da costa da América do Sul (Figura 1).

Especificamente, uma Anomalia da Temperatura da Superfície do Mar (SSTA, a sigla em inglês) acima de 0,5°C na Zona El Niño 3.4 caracteriza um evento El Niño (consulte a seção Métodos para mais detalhes). Anomalias acima de 1°C indicam um evento moderado, e acima de 2°C, um evento muito forte.

Coletamos esses dados de SSTA anualmente, de 2002 a 2025, para o período de três meses outubro–novembro–dezembro, que normalmente coincide com o pico das anomalias de temperatura.

Em seguida, analisamos esses valores em relação à perda de floresta primária causada por incêndios no ano subsequente (dados da Universidade de Maryland). A análise foi concentrada nos anos que apresentaram pelo menos um evento El Niño fraco (SSTA > 0,5°C).

Resultados

Figura 2. El Niño e incêndios na Amazônia. Dados: UMD, NOAA

Ao filtrar o conjunto de dados para os anos de El Niño (SSTA > 0,5°C), identificamos oito eventos históricos específicos: 2002, 2004, 2006, 2009, 2014, 2015, 2018 e 2023.

Entre eles:

  • Quatro foram El Niños fracos (SSTA entre 0,5 e 0,9): 2004, 2006, 2014 e 2018;
  • Dois foram moderados (SSTA entre 1,0 e 1,4): 2002 e 2009;
  • Um foi forte (SSTA entre 1,5 e 1,9): 2023;
  • E um foi muito forte (SSTA ≥ 2,0): 2015.

Para avaliar o impacto defasado, o SSTA de cada ano (Ano t) foi associado diretamente à área de perda de floresta primária por incêndios no ano seguinte (Ano t+1).

A Figura 2 apresenta essa correlação visual entre os eventos de El Niño (em azul) e a perda de floresta primária por incêndios (em vermelho).

Vale destacar a observação inicial que motivou este estudo: o grande pico de incêndios em 2016, após o El Niño “muito forte” de 2015, seguido pela temporada recorde de incêndios em 2024, após o El Niño “forte” de 2023.

Apesar do tamanho reduzido da amostra (apenas oito eventos de El Niño desde 2000) e do consequente poder estatístico limitado, a análise revela uma relação positiva clara e consistente entre a intensidade dos eventos de El Niño – isto é, a magnitude da anomalia da temperatura da superfície do mar – e a gravidade da temporada de incêndios subsequente.

A força dessa relação se aproxima do limiar tradicional de significância estatística (p < 0,05), apresentando um valor de p de 0,08 (ver Anexo para detalhes).

Assim, os dados sugerem uma possível relação crescente entre El Niño e a ocorrência de incêndios na Amazônia.

De forma particularmente notável, as duas maiores anomalias de temperatura da superfície do mar – 2015 (+2,34) e 2023 (+1,49) – antecederam diretamente as duas maiores temporadas de incêndios: 2016 (1,76 milhão de hectares) e 2024 (2,79 milhões de hectares), respectivamente.

Por outro lado, anomalias de aquecimento de baixa intensidade (como +0,52 ou +0,73) correspondem a temporadas de incêndios menores, com perdas inferiores a 160 mil hectares, ocorrendo com certo atraso.

Discussão

Conforme detalhado acima, os dados disponíveis indicam uma forte correlação positiva entre a gravidade dos eventos de El Niño e a intensidade da temporada de incêndios na Amazônia no ano seguinte.

Essa correlação se apoia em dois eventos-chave que motivaram esta análise: o pico da temporada de incêndios em 2016, após o El Niño muito forte de 2015; e a temporada recorde de incêndios em 2024 (ver MAAP nº229), após o El Niño forte de 2023.

Atualmente, essas descobertas ganham urgência diante da previsão de um evento El Niño “muito forte” (SSTA > 2°C) no final de 2026 e das implicações para a temporada de incêndios de 2027. Algumas projeções sugerem que o SSTA poderá atingir o maior valor já registrado, aproximando-se de 3°C entre novembro e dezembro de 2026.

A SSTA atual é de +0,47°C, indicando a saída da fase de La Niña e um rápido aquecimento.

O melhor análogo recente é o El Niño muito forte de 2015 e a subsequente queima de quase 1,8 milhão de hectares de floresta primária amazônica em 2016. O análogo mais próximo no tempo é 2023 (ver Figura 1) e a temporada recorde de incêndios de 2024.

Também levantamos a hipótese de que o impacto sobre os incêndios possa se estender para um segundo ano após um grande evento de El Niño – o que poderia explicar as severas temporadas de 2017 (1 milhão de hectares) e 2025 (1,5 milhão de hectares).

Os anos com El Niño mais fraco apresentam um padrão direcional consistente, embora com magnitude de resposta bem menor.

Observamos ainda uma ruptura estrutural importante nos dados: de modo geral, os incêndios tornam-se muito mais intensos a partir de 2016 (área média queimada antes de 2016: ~150 mil ha; após 2016: ~1,0 milhão ha). Esse período antecede ligeiramente, se sobrepõe e continua após o governo do presidente Bolsonaro (2019–2023), que enfraqueceu políticas de fiscalização do desmatamento ilegal. Assim, pode haver uma nova linha de base elevada para a atividade de incêndios na Amazônia brasileira.

Como o El Niño costuma atingir seu pico entre novembro e dezembro – período que marca o início da estação chuvosa (monção) – o mecanismo por trás dessa correlação pode envolver a interrupção do processo de convecção que sustenta a estação chuvosa. A redução do fluxo de umidade poderia prolongar as estações seca e de transição, diminuir a precipitação, intensificar a secura e impedir a recuperação da umidade do solo, deixando a Amazônia mais vulnerável a uma temporada de incêndios intensa.

Por fim, vale destacar que outro estudo recente constatou que os anos com maiores áreas queimadas na Amazônia peruana entre 2013 e 2024 coincidem com eventos de El Niño e condições de seca (Referência 10).

Quão preparados estão os países amazônicos para a próxima temporada de incêndios associadas ao El Niño de 2027?

A experiência de 2024

O El Niño de 2023 e a subsequente temporada de incêndios de 2024 evidenciaram a profundidade da lacuna de preparação em toda a bacia amazônica. As respostas adotadas foram, em grande parte, reativas – acionadas já em meio à crise, apesar de os sistemas de monitoramento terem indicado o risco meses antes. Brasil, Peru e, especialmente, Bolívia foram os países mais afetados, e esta análise de preparação institucional concentra-se nesses três casos. Ainda assim, as condições mais secas provocadas pelo El Niño aumentaram o risco de incêndios em todo o bioma, afetando todos os países amazônicos.

O Brasil montou a resposta nacional mais robusta, embora tardia. Em agosto de 2024 – quase três meses após o início dos incêndios florestais – foi decretado estado de emergência em 45 municípios, e 48 cidades foram colocadas em alerta máximo (Referência 1). No total, os incêndios afetaram diretamente 1,9 milhão de hectares, o maior valor já registrado (MAAP nº229).

O Peru também declarou emergência nacional durante a crise de 2024, ativando mecanismos de coordenação de emergência e solicitação de assistência internacional. Ainda assim, os incêndios afetaram 47.574 hectares, mais que o dobro do recorde anterior (MAAP nº229).

A Bolívia enfrentou sua pior temporada de incêndios já registrada em 2024, com 779.960 hectares afetados – superando amplamente o recorde anterior (MAAP nº229). A principal causa do desmatamento e dos incêndios subsequentes foi provavelmente a especulação agrária. Dois decretos supremos de 2024 concederam isenções tarifárias e incentivos fiscais ao agronegócio, estimulando a demanda por terras para monoculturas de soja, cana-de-açúcar e oleaginosas. Essa expansão foi facilitada por regulamentações que agilizam o desmatamento de até 20 hectares.

O governo boliviano declarou emergência nacional e, posteriormente, desastre nacional, mas a resposta foi prejudicada pela fiscalização frágil: as multas por queimadas ilegais (menos de US$ 20 por hectare) equivalem a cerca de 2% das aplicadas no Brasil. Além disso, tensões entre governos nacional e locais atrasaram a coordenação das ações de emergência. Para conter o desastre, o governo instituiu uma “Pausa Ecológica e Ambiental”, suspendendo licenças de queimada e colocando terras públicas queimadas em quarentena por cinco anos. O relator especial da Comissão Interamericana de Direitos Humanos documentou como essas tensões políticas dificultaram as respostas emergenciais, enquanto políticas voltadas à expansão agressiva da agricultura industrial haviam ressecado grandes áreas do país, deixando os ecossistemas mais vulneráveis ao fogo.

Mudanças implementadas em 2025

O impacto dos incêndios foi significativamente menor em 2025 em comparação a 2024 – 1,5 milhão contra 2,8 milhões de hectares de floresta primária queimados, respectivamente (MAAP nº 244). Vários países amazônicos implementaram políticas mais rigorosas de gestão de incêndios após a temporada crítica de 2024. No entanto, a redução da área queimada não pode ser atribuída exclusivamente a uma melhor preparação institucional: as condições climáticas também foram mais favoráveis, com o fenômeno La Niña trazendo alívio por meio de níveis mais elevados de umidade em todo o bioma.

No Brasil, em fevereiro de 2025, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, decretou uma emergência ambiental preventiva antes da temporada de incêndios, concedendo às autoridades poderes e recursos adicionais para conter focos antes que se espalhassem. O governo federal anunciou a contratação de mais 250 bombeiros federais e destinou R$ 45 milhões para reforçar brigadas estaduais em seis estados amazônicos (Referência 3). Medidas estruturais também avançaram: o Supremo Tribunal Federal determinou que o governo federal e todos os estados da Amazônia e do Pantanal elaborassem planos de gestão de emergências contra incêndios; o Ministério do Meio Ambiente anunciou a criação de “secretarias de governança” em 70 municípios amazônicos – com apoio do FUNBIO e do PNUD – para fornecer veículos, barcos, drones e treinamento para prevenção de incêndios (Referência 4). O programa Prevfogo, do IBAMA, foi ampliado como plataforma integrada de detecção por satélite e resposta em campo. Esses esforços combinados contribuíram para uma redução mensurável da atividade de incêndios em 2025 em relação ao ano anterior (MAAP nº244).

No Peru, em resposta aos eventos de 2024, o Ministério do Meio Ambiente propôs uma Lei de Prevenção e Controle de Incêndios Florestais, que prevê a criação de brigadas regionais e proíbe a mudança de uso do solo em áreas afetadas por incêndios. Contudo, emendas recentes à Lei Florestal (Lei nº 31973) podem comprometer essa abordagem (Referência 5). Sete das 24 regiões do país publicaram planos de prevenção e redução de riscos de incêndios florestais, e um Plano Multissetorial de Resposta a Incêndios Florestais 2025–2027 está em elaboração, baseado em avaliações que classificam quase 20% do território nacional como de risco alto ou muito alto de incêndio.

Na Bolívia, a trajetória legislativa desde 2024 seguiu direção oposta. Grupos do agronegócio pressionaram pela redução das multas por queimadas, e uma reforma agrária que teria acelerado o desmatamento em Santa Cruz e Beni – os departamentos mais afetados em 2024 – chegou a ser promulgada no primeiro semestre de 2026, mas foi posteriormente revogada após protestos sociais (Referência 6). O país enfrenta sua pior crise econômica e política em décadas, e a preparação institucional para a temporada de incêndios de 2027 pode estar seriamente comprometida nessas condições.

Em termos de cooperação regional, o avanço mais significativo recente é o Acordo Operacional de Preparação e Resposta, aprovado pelos países membros da OTCA no início de 2026. Esse marco de cooperação – não vinculativo – estabelece mecanismos para coordenar assistência mútua quando a magnitude dos incêndios exigir resposta conjunta, facilitando a articulação das capacidades nacionais, a troca de informações operacionais e o apoio técnico durante emergências. Paralelamente, os países concordaram em criar o Comitê de Resposta a Incêndios Florestais (CRIF), responsável por desenvolver instrumentos técnicos, procedimentos operacionais e mecanismos de coordenação para aprimorar a preparação e a resposta conjunta (Referência 7).

Em conclusão, a redução da área queimada observada em 2025 nos três países ocorreu sob condições climáticas favoráveis – condições que, conforme nossa análise, provavelmente não estarão presentes em 2027. O verdadeiro teste da preparação institucional ocorrerá sob o estresse imposto pelo El Niño. A arquitetura regional, por sua vez, só pode funcionar tão bem quanto seu elo nacional mais fraco. Em um cenário político deteriorado e sem avanços nas políticas desde 2024, a Bolívia pode se tornar o epicentro da temporada de incêndios de 2027.

Perspectivas para 2026–2027

De acordo com a lista de verificação de preparação para incêndios do El Niño da FAO (Referência 8), há cinco componentes principais para a preparação da temporada de incêndios de 2027.

O primeiro é a Conscientização sobre Incêndios, que envolve compreender as tendências históricas que diferenciam uma temporada típica de uma temporada anômala, além de identificar os fatores que impulsionam grandes incêndios – como a carga de combustível proveniente de áreas recentemente desmatadas – que podem ser incorporados às estratégias de redução de riscos.

Como mencionado anteriormente, os relatórios anuais do MAAP (MAAP nº 229, MAAP nº 244) fornecem tendências históricas sobre o impacto dos incêndios nas florestas primárias da Amazônia, permitindo identificar temporadas intensas ou anômalas, como a de 2024.

Quanto aos fatores que impulsionam grandes incêndios, análises anteriores do MAAP demonstram a forte relação entre desmatamento e incêndios na Amazônia (MAAP nº189). Em geral, os grandes incêndios começam em áreas recentemente desmatadas e podem se espalhar para florestas vizinhas, especialmente durante períodos prolongados de seca, como em 2016 e 2024. No Brasil, mais de 70% dos grandes incêndios atingem áreas recém-desmatadas (MAAP nº189). Na Bolívia, o padrão é semelhante: o desmatamento costuma preceder os incêndios, que depois se expandem para florestas ou savanas próximas.

Assim, uma das principais estratégias para reduzir grandes incêndios em 2027 é minimizar o novo desmatamento em 2026.

O segundo componente é o estabelecimento de Sistemas de Classificação de Risco de Incêndio e Alerta Precoce, bem como a disseminação dessas informações às partes interessadas. À medida que o El Niño se intensificar ao longo de 2026, isso inclui monitorar condições de umidade e seca e emitir alertas correspondentes.

O terceiro componente é a Preparação para Incêndios, que envolve diretrizes para prevenção, detecção e combate, baseadas no sistema de classificação e alerta mencionado acima.

Em termos de prevenção, práticas agrícolas sem uso de fogo poderiam ser promovidas ao longo de 2026 e aplicadas de forma mais rigorosa em 2027, em estreita coordenação com sindicatos rurais e cooperativas locais (Referência 9). As iniciativas das comunidades locais representam um componente essencial dessa preparação, oferecendo exemplos concretos de mecanismos de prevenção, detecção e combate.

Um exemplo são as Ações de Fortalecimento Territorial implementadas em toda a Bacia Amazônica, que demonstram essa abordagem integrada. Comunidades na Colômbia, Peru, Bolívia e Equador vêm desenvolvendo capacidades locais para detecção de incêndios, manejo sustentável (incluindo o uso seguro do fogo) e resposta precoce, ao mesmo tempo em que promovem práticas alternativas à agricultura de corte e queima.

Essa abordagem comunitária é fortalecida por esforços regionais mais amplos, como o programa CoRAmazonia, que promove uma estratégia de Gestão Integrada de Incêndios baseada na integração de conhecimentos técnicos, científicos e tradicionais indígenas. Por meio de plataformas como a ExpoMIF e a Rede Amazônica de Gestão Integrada de Incêndios (RAMIF), o programa destaca o papel crucial dos povos indígenas e das comunidades tradicionais na governança dos incêndios, enfatizando a importância das brigadas comunitárias, do monitoramento territorial e do resgate da fauna silvestre afetada.

O quarto componente é o de Atividades Pré-temporada de Incêndios, que avalia se as agências estão envolvendo adequadamente as partes interessadas e estabelecendo acordos nacionais.

O quinto componente é Detecção, Comunicação e Despacho de Incêndios, que define os procedimentos e mecanismos de resposta em tempo real.

Em termos de detecção, o monitoramento de incêndios em tempo real deve ser plenamente integrado aos protocolos nacionais de resposta e à coordenação em campo.

Para comunicação e despacho, é fundamental estabelecer planos de contingência que permitam extinguir rapidamente incêndios florestais antes que se espalhem – com atenção especial aos focos que começam em áreas recentemente desmatadas e avançam em direção a áreas protegidas ou territórios indígenas.

No caso específico do Peru (Referência 10), os distritos mais críticos estão concentrados nas regiões de Ucayali, Madre de Dios e Huánuco. Em termos de orçamento público, persistem lacunas na prevenção e resposta a incêndios florestais, resultando em capacidades operacionais limitadas e grandes disparidades na alocação e execução de recursos para gestão de riscos de desastres. De modo geral, há necessidade de fortalecer sistemas de monitoramento, alerta precoce, planejamento e resposta institucional, priorizando áreas com maior vulnerabilidade histórica.

Métodos

A análise combinou duas fontes principais de dados: 1) Índice Oceânico Relativo do Niño (RONI), baseado na anomalia da temperatura da superfície do mar (SSTA), e 2) perda anual de floresta primária causada por incêndios.

O RONI – padrão utilizado pela NOAA para classificar eventos de El Niño (quente) e La Niña (frio) no Pacífico tropical oriental – corresponde à média móvel de três meses da temperatura da superfície do mar (SST) na região Niño 3.4, subtraída da média geral da anomalia da temperatura da superfície do mar tropical (SSTA) no mesmo período. Para este estudo, utilizamos o período de três meses de outubro a dezembro de cada ano.

Os eventos são definidos como cinco períodos consecutivos e sobrepostos de três meses com anomalia igual ou superior a +0,5 para eventos quentes (El Niño) e igual ou inferior a -0,5 para eventos frios (La Niña). O limiar é subdividido em quatro categorias: eventos Fracos (com anomalia de SST de 0,5 a 0,9), Moderados (1,0 a 1,4), Fortes (1,5 a 1,9) e Muito Fortes (≥ 2,0). 

Além da anomalia positiva da SST no Pacífico, reconhece-se que as condições de seca na Amazônia também podem ser influenciadas por anomalias positivas da SST no Atlântico Tropical Norte (Referência 10). No entanto, essa variável não foi incluída em nossa análise.

A análise dos incêndios utilizou dados anuais de perda florestal com resolução de 30 metros, produzidos pela Universidade de Maryland e disponibilizados pelo Global Forest Watch. Esse conjunto de dados sobre perda florestal global causada por incêndios é único por ser consistente em toda a Amazônia – diferentemente de estimativas específicas por país – e por distinguir a perda florestal causada diretamente por incêndios (considerando que praticamente todos os incêndios amazônicos têm origem humana). Foram incluídos apenas os níveis de confiança “médio” e “alto” (códigos 3–4).

Para a linha de base, definimos áreas com densidade de cobertura arbórea superior a 30% no ano 2000. É importante destacar que aplicamos um filtro para calcular exclusivamente a perda de floresta primária, cruzando os dados de perda de cobertura florestal com o conjunto “florestas tropicais úmidas primárias” a partir de 2001 (Turubanova et al., 2018). Para mais detalhes sobre essa metodologia, consulte o Blog Técnico do Global Forest Watch (Goldman e Weisse, 2019).

A análise foi apoiada e revisada pelas IAs Gemini e Claude.

Anexo

Como o subconjunto analisado é restrito (N = 8), o poder estatístico é limitado, mas ainda assim emerge um padrão positivo claro e consistente em várias métricas relevantes.

A correlação linear de Pearson indica uma forte relação linear positiva entre a magnitude da anomalia de aquecimento e a área queimada no ano seguinte (r = +0,6146), aproximando-se do limiar tradicional de significância estatística (p = 0,1049). Essa relação se torna ainda mais forte quando aplicamos o logaritmo natural à área de incêndios – uma transformação que leva em conta a natureza exponencial da propagação do fogo – reduzindo o valor de p para 0,0827.

A correlação de Spearman por postos confirma que valores mais elevados de SSTA estão associados a resultados mais severos em termos de incêndios no ano seguinte (ρ = +0,5476; p = 0,1600).

Resumo das métricas principais:

  • Correlação de Pearson com transformação logarítmica (r log): +0,6474
  • Como a propagação de incêndios florestais tende a ser exponencial, e não linear, o cálculo do logaritmo natural da área queimada (ln{Fire}_{t+1}) reforça a relação, elevando a correlação para quase +0,65 e aproximando-a da margem tradicional de significância estatística (p < 0,10).

Referências

  1. Lancet Regional Health – Americas / PMC. (2025). The 2024 South America ablaze: Health impacts and policy imperatives for protecting population health in an era of wildfires
  2. IACHR (2025) REDESCA publishes report on wildfires in Bolivia and calls for urgent action to address impacts on human rights and ecosystems
  3. Mongabay (2025). Brazil declares environmental emergency ahead of 2025 fire season.
  4. Muggah, R., & Szabo, I. / Mongabay. (2025). Brazil is speeding-up forest fire prevention to avoid dangerous tipping points in the Amazon.
  5. Lancet Regional Health – Americas / PMC. (2025). The 2024 South America ablaze.(Ver nota de rodapé 3.) Seção sobre governança específica do Peru
  6. Copa Pabón, M. V. (2026, May 15). Indigenous protest forces repeal of land privatization law in Bolivia.
  7. ACTO. (2026, February–March). ACTO member countries approve Operational Understanding for Preparedness and Response to Forest Fires in the Amazon Region.
  8. Lista de verificação da FAO para preparação contra incêndios relacionados ao El Niño (2024), conforme apresentada no Centro Global de Gestão de Incêndios e baseada em suas Diretrizes Voluntárias para a Gestão Integrada de Incêndios
  9. Brown F, et al (2026). Alert related to the coming severe dry period, heat waves, fires, smoke and climate in the Madre de Dios-Peru, Acre-Brazil, Pando-Bolivia (MAP) Region – 30 de abril de 2026. Foster Brown
  10. ACCA (2026) El Niño y los incendios forestales en la Amazonía peruana, ¿qué podemos esperar para la temporada 2026-2027?

Citação

Finer M, Bodin B (2026) Implications of upcoming major El Niño event on Amazon fires. MAAP: 248.

Agradecimentos

Agradecemos aos colegas das seguintes organizações pelos comentários úteis sobre o relatório: Conservación Amazónica – ACEAA na Bolívia e Conservación Amazónica – ACCA no Peru.

Este trabalho contou com o apoio da Norad (Agência Norueguesa de Cooperação para o Desenvolvimento).

MAAP #240: Expansão da mineração ilegal de ouro na Bacia do Xingu, na Amazônia brasileira (parte 2. Unidades de Conservação)

Base Map. Mining sites in the Xingu Socio-environmental Diversity Corridor. Data: ACA/MAAP, ISA.

Apresentamos a segunda parte de uma série em duas edições sobre o desmatamento causado pela mineração ilegal de ouro na Bacia do Rio Xingu, localizada na porção leste da Amazônia brasileira (estados do Pará e Mato Grosso). Este relatório analisa as operações de mineração em unidades de conservação do Xingu, enquanto a Parte 1 abordou os territórios indígenas (ver MAAP #239)

A Bacia do Xingu concentra a maior ocorrência histórica de desmatamento associado à mineração de ouro na Amazônia brasileira (ver MAAP nº 235). No coração dessa bacia está o Corredor de Diversidade Socioambiental do Xingu, um dos maiores blocos contínuos de florestas designadas do planeta (mais de 26 milhões de hectares) conectando 24 territórios indígenas e 9 unidades de conservação (ver Mapa Base). Apesar das designações oficiais, a região segue ameaçada, sobretudo pela expansão das operações de mineração ilegal de ouro impulsionadas pelos preços recordes do metal.

Para enfrentar esse cenário, foi criada a Rede Xingu+, uma aliança política formada por uma coalizão de organizações que representam a região. A rede monitora mensalmente o desmatamento e outras pressões no Corredor do Xingu, utilizando tecnologia de radar por meio do sistema SiRAD X (link).

Em 2025, a Rede Xingu+ estabeleceu uma parceria com a Amazon Conservation, viabilizando o acesso a imagens de satélite de alta resolução (da Planet), o que permitiu validar alertas e identificar vetores de pressão. Essa colaboração também incorpora a plataforma online Amazon Mining Watch (AMW).

Ambos os sistemas, o SiRAD X e o AMW, detectaram uma grande expansão do desmatamento por mineração de ouro desde 2018 no Corredor Xingu, incluindo a continuidade de atividades ilegais ao longo de 2025. Ao longo do relatório, apresentamos dados de ambos os sistemas, observando suas pequenas diferenças decorrentes de metodologias distintas (Nota 1), embora os padrões gerais sejam consistentes entre os dois conjuntos de dados.

Os dois sistemas de monitoramento detectaram desmatamento recente por mineração em seis unidades de conservação do Corredor Xingu (Nota 2), além dos cinco territórios indígenas reportados na Parte 1.

Na Parte 1, detalhamos o desmatamento recente por mineração de ouro em três desses territórios indígenas (Kuruaya, Baú e Kayapó). 

Já nesta Parte 2, focamos o desmatamento recente por mineração de ouro em três dessas unidades de conservação (a Floresta Nacional de Altamira, a Estação Ecológica da Terra do Meio e a Reserva Biológica Nascentes da Serra do Cachimbo) no Corredor Xingu, incluindo a apresentação de uma série de imagens de alta resolução.

O mapa de base indica as áreas de foco desta série, sendo que os pontos A a C foram abordados no primeiro relatório (territórios indígenas) e os pontos D a F no presente segundo relatório (áreas protegidas).

Mineração em Unidades de Conservação

Floresta Nacional de Altamira

A Floresta Nacional de Altamira, no estado do Pará, vem registrando a expansão da mineração ilegal em três áreas, com aumentos expressivos ao longo de 2025.

A atividade minerária teve início nas porções noroeste e oeste entre 2016 e 2018, alcançando 832 hectares desmatados até setembro de 2025. A Figura D1 ilustra o desmatamento recente por mineração na porção oeste, comparando outubro de 2024 (painel esquerdo) e setembro de 2025 (painel direito). Embora existam pedidos de pesquisa mineral para essas áreas, a mineração não é permitida pelo Plano de Manejo nem pelo decreto de criação da unidade (Decreto nº 2.483/1998).

Consultar a Nota 3 para comparação com o AMW.

Figura D1 Dados: Planet, NICFI

Na porção sudeste, a mineração começou em 2024 e atingiu um total acumulado de 36 hectares até outubro de 2025, segundo o monitoramento da Rede Xingu+. A mineração de ouro nessa área correspondeu a 45,7% do desmatamento por mineração registrado em 2025 dentro da FLONA, com pico de expansão em junho. A Figura D2 mostra o desmatamento recente por mineração nessa porção, entre setembro de 2024 (painel esquerdo) e setembro de 2025 (painel direito).

Figura D2 Dados: Planet, NICFI

Estação Ecológica da Terra do Meio

A Estação Ecológica da Terra do Meio desponta como uma nova frente de mineração. Identificada pela primeira vez em setembro de 2024, as operações de mineração expandiram-se rapidamente, alcançando um total acumulado de 30 hectares até o final de 2025, segundo o monitoramento da Rede Xingu+ (ver Nota 4 para comparação com o AMW). A Figura E ilustra essa expansão entre dezembro de 2024 (painel esquerdo) e setembro de 2025 (painel direito).

Embora a Estação Ecológica da Terra do Meio enfrente outras atividades ilegais, como o desmatamento, a presença de operações de mineração ilegal dentro de seus limites é particularmente preocupante. Esse caso não apenas evidencia o grau de avanço dos infratores sobre uma área de proteção integral, como também revela sua elevada capacidade operacional. Essa combinação aumenta o risco de expansão da atividade, com potencial para causar degradação ambiental em outras partes da unidade de conservação.

Figure E. Data: Planet, NICFI

Reserva Biológica Nascentes da Serra do Cachimbo

A Reserva Biológica Nascentes da Serra do Cachimbo está estrategicamente localizada ao longo da rodovia BR-163, no estado do Pará. Trata-se de uma unidade de proteção integral criada pelo Decreto de 20 de maio de 2005, situada entre os municípios de Altamira e Novo Progresso, na região entre os rios Tapajós e Xingu, e adjacente às Terras Indígenas Menkragnoti e Panará em sua porção leste.

A mineração ilegal na Reserva Biológica passou a se expandir sobretudo a partir de janeiro de 2025. Naquele momento, o ponto de mineração – que anteriormente ocupava uma área de dois hectares – foi objeto de denúncia registrada no Ofício nº 01/2025 pela Rede Xingu+. Em junho, a atividade voltou a ser reportada por meio do Ofício nº 15/2025, após uma expansão de 18 hectares, e, em julho, pelo Ofício nº 18/2025, após nova ampliação de 6,82 hectares, totalizando 26,82 hectares.

Dois pontos de mineração estão localizados na porção nordeste da Rebio, abertos em novembro de 2024 e março de 2025, e um terceiro ponto situa-se na porção leste, aberto em junho de 2025. Vale destacar que o ponto localizado na região leste também foi objeto de denúncia registrada no Ofício nº 18/2025, por estar situado sobre – e causando poluição em – um afluente do rio Pitxatxá, curso d’água que margeia a Terra Indígena Menkragnoti e onde se encontram seis aldeias do povo Kayapó.

A mineração ilegal teve início em dezembro de 2024, expandindo-se para um total acumulado de 19 hectares até setembro de 2025, distribuídos por diferentes áreas da unidade de conservação, segundo o monitoramento da Rede Xingu+ (ver Nota 5 para comparação com o AMW).

A Figura F1 mostra o desmatamento recente por mineração na porção nordeste da Reserva Biológica, entre dezembro de 2024 (painel esquerdo) e novembro de 2025 (painel direito).

Figura F1 Dados: Planet, NICFI

A Figura F2 mostra o desmatamento recente por mineração na porção leste da Reserva Biológica, entre junho de 2025 (painel esquerdo) e novembro de 2025 (painel direito).

Figura F2 Dados: Planet, NICFI

A Figura F3 mostra uma nova pista de pouso (aberta em agosto de 2025) na porção leste da Reserva Biológica, entre junho de 2025 (painel esquerdo) e novembro de 2025 (painel direito).

Figure F3 Data: Planet, NICFI

Conclusão e Recomendações

Com base nas informações apresentadas acima (e no relatório anterior MAAP nº 239) fica evidente que a mineração ilegal na Bacia do Xingu não é uma atividade isolada. Ela se disseminou tanto em territórios indígenas quanto em unidades de conservação, avançando para novas áreas e revelando a existência de uma rede de apoio que fornece a capacidade operacional e a infraestrutura necessárias para sustentar essa expansão. A mineração ilegal representa uma ameaça direta às áreas protegidas, tanto pelo desmatamento quanto pela contaminação dos rios pelo uso de mercúrio, afetando ecossistemas sensíveis e as populações que dependem desses recursos. 

A seguir, apresentamos um conjunto de recomendações às autoridades brasileiras relacionadas a: (i) ações de fiscalização; (ii) monitoramento e restauração; e (iii) rastreabilidade das cadeias de fornecimento de ouro.

(i) Ações de fiscalização:

Ações de fiscalização isoladas não têm garantido a proteção de longo prazo das Unidades de Conservação. Por isso, é essencial implementar uma estratégia coordenada entre diferentes órgãos para desmantelar a estrutura logística que sustenta e alimenta a mineração ilegal. Paralelamente, é fundamental estruturar medidas preventivas.

  • Estabelecer bases avançadas permanentes (operadas por órgãos como o ICMBio) nas áreas protegidas mais críticas, garantindo presença contínua para impedir a reocupação das áreas pelos garimpeiros após operações de fiscalização.
  • Concentrar esforços na desativação de pistas de pouso e na apreensão de maquinário pesado (como escavadeiras hidráulicas) dentro das áreas protegidas, em coordenação com a ANAC e a ANP, para bloquear aeródromos clandestinos e pontos de abastecimento no entorno.
  • Reforçar a fiscalização no entorno das áreas protegidas para evitar que atividades de mineração legalizadas nas proximidades funcionem como fachada para a extração ilegal dentro dos limites das unidades, com participação da ANM e apoio de outros órgãos.

(ii) Monitoramento e restauração

Fortalecer a vigilância e a recuperação ambiental é essencial para desencorajar o retorno de garimpeiros ilegais.

  • Apoiar conselhos consultivos/deliberativos e associações de populações ribeirinhas e tradicionais na implementação de protocolos de vigilância, reconhecendo o papel dessas comunidades na manutenção da integridade das unidades de conservação de uso sustentável.
  • Implementar Planos de Recuperação de Áreas Degradadas (PRADs) voltados à revegetação de matas ciliares e à contenção do assoreamento causado por sedimentos do garimpo. Nas áreas federais, a responsabilidade recai sobre o ICMBio; nas unidades estaduais de conservação, sobre o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (IDEFLOR-Bio).

(iii) Rastreabilidade das cadeias de fornecimento de ouro

Implementar um sistema de cruzamento de dados que bloqueie automaticamente a emissão de Notas Fiscais Eletrônicas (NF-e) para minerais cuja origem declarada se sobreponha a polígonos de Áreas Protegidas. Aperfeiçoar a legislação referente à documentação da área de origem nos mecanismos de rastreabilidade, dificultando o “esquentamento” de minerais extraídos ilegalmente de Unidades de Conservação.

Observações

1. Metodologia dos sistemas de monitoramento

Para o monitoramento do Sirad X, são utilizadas imagens de radar do satélite Sentinel-1, processadas por uma série de algoritmos na plataforma Google Earth Engine (GEE), juntamente com imagens ópticas dos satélites Landsat-9 (sensor OLI-2) e Sentinel-2 (sensor MSI). Uma equipe de analistas examina a área monitorada, buscando visualmente anomalias nas imagens produzidas. Cada polígono de desmatamento é avaliado com base em sua proximidade de outras áreas de degradação e no histórico da região e, quando necessário, pessoas familiarizadas com o local são contatadas para confirmar o desmatamento. O conhecimento direto da área é fundamental para a validação dos dados.

Para o Amazon Mining Watch, o detector de minas é uma rede neural artificial treinada para distinguir áreas de mineração de outros tipos de terreno, a partir de exemplos rotulados manualmente que mostram minas e outros elementos relevantes tal como aparecem nas imagens do satélite Sentinel-2. A rede opera sobre blocos quadrados de dados extraídos do produto Sentinel-2 L1C. Cada pixel do bloco registra a luz refletida da superfície terrestre em doze bandas do espectro visível e infravermelho. Os dados do Sentinel são combinados (mediana composta) ao longo de vários meses para reduzir a presença de nuvens, sombras de nuvens e outros efeitos transitórios. Durante a execução, a rede avalia cada bloco em busca de sinais de atividade mineradora recente, e a região de interesse é então deslocada pela metade da largura do bloco para que a rede faça uma nova avaliação. Esse processo se repete até cobrir toda a área de interesse.

Comparações com a Amazon Mining Watch

  1. Floresta Nacional de Altamira, Estação Ecológica da Terra do Meio, Floresta Estadual do Iriri, Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio, Reserva Biológica Nascentes da Serra do Cachimbo e Reserva Extrativista Rio Iriri.
  2. Para comparação, o Amazon Mining Watch indica um total de 620 hectares de desmatamento por mineração na Floresta Nacional de Altamira entre 2018 e 2025.
  3. Para comparação, o Amazon Mining Watch indica um total de 3 hectares de desmatamento por mineração na Estação Ecológica da Terra do Meio entre 2018 e 2025.
  4. Para comparação, o Amazon Mining Watch indica um total de 51 hectares de desmatamento por mineração na Reserva Biológica Nascentes da Serra do Cachimbo entre 2018 e 2025.

Agradecimentos

Este relatório faz parte de uma série dedicada à extração do ouro na Amazônia, desenvolvida por meio de uma colaboração estratégica entre a Amazon Conservation e parceiros regionais, com apoio da Gordon and Betty Moore Foundation. Neste caso, agradecemos ao nosso parceiro Instituto Socioambiental (ISA) pela liderança na elaboração deste relatório.