MAAP #240: Expansão da mineração ilegal de ouro na Bacia do Xingu, na Amazônia brasileira (parte 2. Unidades de Conservação)

Base Map. Mining sites in the Xingu Socio-environmental Diversity Corridor. Data: ACA/MAAP, ISA.

Apresentamos a segunda parte de uma série em duas edições sobre o desmatamento causado pela mineração ilegal de ouro na Bacia do Rio Xingu, localizada na porção leste da Amazônia brasileira (estados do Pará e Mato Grosso). Este relatório analisa as operações de mineração em unidades de conservação do Xingu, enquanto a Parte 1 abordou os territórios indígenas (ver MAAP #239)

A Bacia do Xingu concentra a maior ocorrência histórica de desmatamento associado à mineração de ouro na Amazônia brasileira (ver MAAP nº 235). No coração dessa bacia está o Corredor de Diversidade Socioambiental do Xingu, um dos maiores blocos contínuos de florestas designadas do planeta (mais de 26 milhões de hectares) conectando 24 territórios indígenas e 9 unidades de conservação (ver Mapa Base). Apesar das designações oficiais, a região segue ameaçada, sobretudo pela expansão das operações de mineração ilegal de ouro impulsionadas pelos preços recordes do metal.

Para enfrentar esse cenário, foi criada a Rede Xingu+, uma aliança política formada por uma coalizão de organizações que representam a região. A rede monitora mensalmente o desmatamento e outras pressões no Corredor do Xingu, utilizando tecnologia de radar por meio do sistema SiRAD X (link).

Em 2025, a Rede Xingu+ estabeleceu uma parceria com a Amazon Conservation, viabilizando o acesso a imagens de satélite de alta resolução (da Planet), o que permitiu validar alertas e identificar vetores de pressão. Essa colaboração também incorpora a plataforma online Amazon Mining Watch (AMW).

Ambos os sistemas, o SiRAD X e o AMW, detectaram uma grande expansão do desmatamento por mineração de ouro desde 2018 no Corredor Xingu, incluindo a continuidade de atividades ilegais ao longo de 2025. Ao longo do relatório, apresentamos dados de ambos os sistemas, observando suas pequenas diferenças decorrentes de metodologias distintas (Nota 1), embora os padrões gerais sejam consistentes entre os dois conjuntos de dados.

Os dois sistemas de monitoramento detectaram desmatamento recente por mineração em seis unidades de conservação do Corredor Xingu (Nota 2), além dos cinco territórios indígenas reportados na Parte 1.

Na Parte 1, detalhamos o desmatamento recente por mineração de ouro em três desses territórios indígenas (Kuruaya, Baú e Kayapó). 

Já nesta Parte 2, focamos o desmatamento recente por mineração de ouro em três dessas unidades de conservação (a Floresta Nacional de Altamira, a Estação Ecológica da Terra do Meio e a Reserva Biológica Nascentes da Serra do Cachimbo) no Corredor Xingu, incluindo a apresentação de uma série de imagens de alta resolução.

O mapa de base indica as áreas de foco desta série, sendo que os pontos A a C foram abordados no primeiro relatório (territórios indígenas) e os pontos D a F no presente segundo relatório (áreas protegidas).

Mineração em Unidades de Conservação

Floresta Nacional de Altamira

A Floresta Nacional de Altamira, no estado do Pará, vem registrando a expansão da mineração ilegal em três áreas, com aumentos expressivos ao longo de 2025.

A atividade minerária teve início nas porções noroeste e oeste entre 2016 e 2018, alcançando 832 hectares desmatados até setembro de 2025. A Figura D1 ilustra o desmatamento recente por mineração na porção oeste, comparando outubro de 2024 (painel esquerdo) e setembro de 2025 (painel direito). Embora existam pedidos de pesquisa mineral para essas áreas, a mineração não é permitida pelo Plano de Manejo nem pelo decreto de criação da unidade (Decreto nº 2.483/1998).

Consultar a Nota 3 para comparação com o AMW.

Figura D1 Dados: Planet, NICFI

Na porção sudeste, a mineração começou em 2024 e atingiu um total acumulado de 36 hectares até outubro de 2025, segundo o monitoramento da Rede Xingu+. A mineração de ouro nessa área correspondeu a 45,7% do desmatamento por mineração registrado em 2025 dentro da FLONA, com pico de expansão em junho. A Figura D2 mostra o desmatamento recente por mineração nessa porção, entre setembro de 2024 (painel esquerdo) e setembro de 2025 (painel direito).

Figura D2 Dados: Planet, NICFI

Estação Ecológica da Terra do Meio

A Estação Ecológica da Terra do Meio desponta como uma nova frente de mineração. Identificada pela primeira vez em setembro de 2024, as operações de mineração expandiram-se rapidamente, alcançando um total acumulado de 30 hectares até o final de 2025, segundo o monitoramento da Rede Xingu+ (ver Nota 4 para comparação com o AMW). A Figura E ilustra essa expansão entre dezembro de 2024 (painel esquerdo) e setembro de 2025 (painel direito).

Embora a Estação Ecológica da Terra do Meio enfrente outras atividades ilegais, como o desmatamento, a presença de operações de mineração ilegal dentro de seus limites é particularmente preocupante. Esse caso não apenas evidencia o grau de avanço dos infratores sobre uma área de proteção integral, como também revela sua elevada capacidade operacional. Essa combinação aumenta o risco de expansão da atividade, com potencial para causar degradação ambiental em outras partes da unidade de conservação.

Figure E. Data: Planet, NICFI

Reserva Biológica Nascentes da Serra do Cachimbo

A Reserva Biológica Nascentes da Serra do Cachimbo está estrategicamente localizada ao longo da rodovia BR-163, no estado do Pará. Trata-se de uma unidade de proteção integral criada pelo Decreto de 20 de maio de 2005, situada entre os municípios de Altamira e Novo Progresso, na região entre os rios Tapajós e Xingu, e adjacente às Terras Indígenas Menkragnoti e Panará em sua porção leste.

A mineração ilegal na Reserva Biológica passou a se expandir sobretudo a partir de janeiro de 2025. Naquele momento, o ponto de mineração – que anteriormente ocupava uma área de dois hectares – foi objeto de denúncia registrada no Ofício nº 01/2025 pela Rede Xingu+. Em junho, a atividade voltou a ser reportada por meio do Ofício nº 15/2025, após uma expansão de 18 hectares, e, em julho, pelo Ofício nº 18/2025, após nova ampliação de 6,82 hectares, totalizando 26,82 hectares.

Dois pontos de mineração estão localizados na porção nordeste da Rebio, abertos em novembro de 2024 e março de 2025, e um terceiro ponto situa-se na porção leste, aberto em junho de 2025. Vale destacar que o ponto localizado na região leste também foi objeto de denúncia registrada no Ofício nº 18/2025, por estar situado sobre – e causando poluição em – um afluente do rio Pitxatxá, curso d’água que margeia a Terra Indígena Menkragnoti e onde se encontram seis aldeias do povo Kayapó.

A mineração ilegal teve início em dezembro de 2024, expandindo-se para um total acumulado de 19 hectares até setembro de 2025, distribuídos por diferentes áreas da unidade de conservação, segundo o monitoramento da Rede Xingu+ (ver Nota 5 para comparação com o AMW).

A Figura F1 mostra o desmatamento recente por mineração na porção nordeste da Reserva Biológica, entre dezembro de 2024 (painel esquerdo) e novembro de 2025 (painel direito).

Figura F1 Dados: Planet, NICFI

A Figura F2 mostra o desmatamento recente por mineração na porção leste da Reserva Biológica, entre junho de 2025 (painel esquerdo) e novembro de 2025 (painel direito).

Figura F2 Dados: Planet, NICFI

A Figura F3 mostra uma nova pista de pouso (aberta em agosto de 2025) na porção leste da Reserva Biológica, entre junho de 2025 (painel esquerdo) e novembro de 2025 (painel direito).

Figure F3 Data: Planet, NICFI

Conclusão e Recomendações

Com base nas informações apresentadas acima (e no relatório anterior MAAP nº 239) fica evidente que a mineração ilegal na Bacia do Xingu não é uma atividade isolada. Ela se disseminou tanto em territórios indígenas quanto em unidades de conservação, avançando para novas áreas e revelando a existência de uma rede de apoio que fornece a capacidade operacional e a infraestrutura necessárias para sustentar essa expansão. A mineração ilegal representa uma ameaça direta às áreas protegidas, tanto pelo desmatamento quanto pela contaminação dos rios pelo uso de mercúrio, afetando ecossistemas sensíveis e as populações que dependem desses recursos. 

A seguir, apresentamos um conjunto de recomendações às autoridades brasileiras relacionadas a: (i) ações de fiscalização; (ii) monitoramento e restauração; e (iii) rastreabilidade das cadeias de fornecimento de ouro.

(i) Ações de fiscalização:

Ações de fiscalização isoladas não têm garantido a proteção de longo prazo das Unidades de Conservação. Por isso, é essencial implementar uma estratégia coordenada entre diferentes órgãos para desmantelar a estrutura logística que sustenta e alimenta a mineração ilegal. Paralelamente, é fundamental estruturar medidas preventivas.

  • Estabelecer bases avançadas permanentes (operadas por órgãos como o ICMBio) nas áreas protegidas mais críticas, garantindo presença contínua para impedir a reocupação das áreas pelos garimpeiros após operações de fiscalização.
  • Concentrar esforços na desativação de pistas de pouso e na apreensão de maquinário pesado (como escavadeiras hidráulicas) dentro das áreas protegidas, em coordenação com a ANAC e a ANP, para bloquear aeródromos clandestinos e pontos de abastecimento no entorno.
  • Reforçar a fiscalização no entorno das áreas protegidas para evitar que atividades de mineração legalizadas nas proximidades funcionem como fachada para a extração ilegal dentro dos limites das unidades, com participação da ANM e apoio de outros órgãos.

(ii) Monitoramento e restauração

Fortalecer a vigilância e a recuperação ambiental é essencial para desencorajar o retorno de garimpeiros ilegais.

  • Apoiar conselhos consultivos/deliberativos e associações de populações ribeirinhas e tradicionais na implementação de protocolos de vigilância, reconhecendo o papel dessas comunidades na manutenção da integridade das unidades de conservação de uso sustentável.
  • Implementar Planos de Recuperação de Áreas Degradadas (PRADs) voltados à revegetação de matas ciliares e à contenção do assoreamento causado por sedimentos do garimpo. Nas áreas federais, a responsabilidade recai sobre o ICMBio; nas unidades estaduais de conservação, sobre o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (IDEFLOR-Bio).

(iii) Rastreabilidade das cadeias de fornecimento de ouro

Implementar um sistema de cruzamento de dados que bloqueie automaticamente a emissão de Notas Fiscais Eletrônicas (NF-e) para minerais cuja origem declarada se sobreponha a polígonos de Áreas Protegidas. Aperfeiçoar a legislação referente à documentação da área de origem nos mecanismos de rastreabilidade, dificultando o “esquentamento” de minerais extraídos ilegalmente de Unidades de Conservação.

Observações

1. Metodologia dos sistemas de monitoramento

Para o monitoramento do Sirad X, são utilizadas imagens de radar do satélite Sentinel-1, processadas por uma série de algoritmos na plataforma Google Earth Engine (GEE), juntamente com imagens ópticas dos satélites Landsat-9 (sensor OLI-2) e Sentinel-2 (sensor MSI). Uma equipe de analistas examina a área monitorada, buscando visualmente anomalias nas imagens produzidas. Cada polígono de desmatamento é avaliado com base em sua proximidade de outras áreas de degradação e no histórico da região e, quando necessário, pessoas familiarizadas com o local são contatadas para confirmar o desmatamento. O conhecimento direto da área é fundamental para a validação dos dados.

Para o Amazon Mining Watch, o detector de minas é uma rede neural artificial treinada para distinguir áreas de mineração de outros tipos de terreno, a partir de exemplos rotulados manualmente que mostram minas e outros elementos relevantes tal como aparecem nas imagens do satélite Sentinel-2. A rede opera sobre blocos quadrados de dados extraídos do produto Sentinel-2 L1C. Cada pixel do bloco registra a luz refletida da superfície terrestre em doze bandas do espectro visível e infravermelho. Os dados do Sentinel são combinados (mediana composta) ao longo de vários meses para reduzir a presença de nuvens, sombras de nuvens e outros efeitos transitórios. Durante a execução, a rede avalia cada bloco em busca de sinais de atividade mineradora recente, e a região de interesse é então deslocada pela metade da largura do bloco para que a rede faça uma nova avaliação. Esse processo se repete até cobrir toda a área de interesse.

Comparações com a Amazon Mining Watch

  1. Floresta Nacional de Altamira, Estação Ecológica da Terra do Meio, Floresta Estadual do Iriri, Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio, Reserva Biológica Nascentes da Serra do Cachimbo e Reserva Extrativista Rio Iriri.
  2. Para comparação, o Amazon Mining Watch indica um total de 620 hectares de desmatamento por mineração na Floresta Nacional de Altamira entre 2018 e 2025.
  3. Para comparação, o Amazon Mining Watch indica um total de 3 hectares de desmatamento por mineração na Estação Ecológica da Terra do Meio entre 2018 e 2025.
  4. Para comparação, o Amazon Mining Watch indica um total de 51 hectares de desmatamento por mineração na Reserva Biológica Nascentes da Serra do Cachimbo entre 2018 e 2025.

Agradecimentos

Este relatório faz parte de uma série dedicada à extração do ouro na Amazônia, desenvolvida por meio de uma colaboração estratégica entre a Amazon Conservation e parceiros regionais, com apoio da Gordon and Betty Moore Foundation. Neste caso, agradecemos ao nosso parceiro Instituto Socioambiental (ISA) pela liderança na elaboração deste relatório.

MAAP 239: Expansão do garimpo ilegal na Bacia do Xingu, na Amazônia brasileira (parte 1: Terras Indígenas)

Áreas de mineração no Corredor Xingu. Dados: Amazon Conservation/MAAP and ISA.

A mineração ilegal segue avançando na Amazônia brasileira, muito provavelmente impulsionada pela valorização do ouro. Até o fim de 2025, estima-se que as áreas impactadas por atividades de mineração na região somem cerca de 223 mil hectares, de acordo com o Amazon Mining Watch (consulte também MAAP #197, #226 e #235 para mais detalhes).

Um dado especialmente preocupante é que a maior concentração de desmatamento associado ao garimpo está na Bacia do Rio Xingu, que se estende por aproximadamente 51 milhões de hectares no leste da Amazônia brasileira, entre os estados do Pará e Mato Grosso.

No coração desse território está o Corredor Xingu de Diversidade Socioambiental, um dos maiores blocos contínuos de florestas oficialmente protegidas do planeta – mais de 26 milhões de hectares que conectam 24 Terras Indígenas e 9 áreas protegidas (veja o Mapa-base). Apesar dessas designações legais, a região segue sob forte pressão devido ao avanço constante do garimpo ilegal, da expansão agropecuária, da extração de madeira, da abertura de estradas e das queimadas provocadas por ações humanas.

O corredor abriga 26 povos indígenas, que historicamente têm desempenhado um papel fundamental como guardiões contra o avanço da fronteira do desmatamento. Para enfrentar as pressões crescentes na região, surgiu a Rede Xingu+, uma articulação política que reúne 53 organizações (43 indígenas, 5 ribeirinhas e 5 da sociedade civil) representando as populações que vivem no Corredor. A trajetória dessa aliança remonta aos movimentos de resistência contra o represamento do Rio Xingu, em 1989. Após décadas de mobilização e cooperação entre diferentes povos e organizações, a Rede foi oficialmente formalizada em 2013.

A Rede Xingu+ realiza monitoramento mensal do desmatamento e de outras pressões no Corredor Xingu por meio do SiRAD X (Sistema Remoto de Alerta de Desmatamento do Xingu), que utiliza tecnologia de radar. O sistema também se apoia em uma rede de parceiros locais responsáveis pela vigilância territorial diretamente em campo.

Em 2025, o Instituto Socioambiental firmou uma parceria com a Amazon Conservation, ampliando o acesso a imagens de satélite em alta resolução fornecidas pela Planet. Esse recurso permitiu aprimorar a validação dos alertas e a identificação dos vetores de pressão. A colaboração também integra o painel público Amazon Mining Watch, desenvolvido em parceria pela Amazon Conservation, Earth Genome e Pulitzer Center.

Tanto o SiRAD X quanto o Amazon Mining Watch identificaram uma forte expansão do desmatamento causado pela mineração de ouro no Corredor a partir de 2018, incluindo a continuidade de atividades ilegais no período mais recente, em 2025. Ao longo do relatório, apresentamos os dados dos dois sistemas, destacando pequenas diferenças decorrentes de suas metodologias distintas (Nota 1), embora os padrões gerais observados sejam consistentes entre ambos.

Entre 2018 e 2024, o sistema de monitoramento Sirad X registrou a perda de aproximadamente 11.500 hectares de floresta associados ao garimpo ilegal dentro dos territórios indígenas e das áreas protegidas do Corredor Xingu (o Amazon Mining Watch estima cerca de 16.000 ha), além de outros 400 hectares de janeiro a setembro de 2025, número semelhante ao estimado pelo Amazon Mining Watch.

Atualmente, esse avanço do desmatamento ligado ao garimpo afeta 5 Terras Indígenas (Kayapó, Baú, Kuruaya, Trincheira Bacajá e Apyterewa) e 5 áreas protegidas (Floresta Nacional de Altamira, Floresta Estadual do Iriri, Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio, Reserva Biológica Nascentes da Serra do Cachimbo e Reserva Extrativista Rio Iriri) no Corredor Xingu.

Estamos publicando uma série em duas partes sobre o desmatamento causado pelo garimpo ilegal no Corredor Xingu. A Parte 1, apresentada abaixo, concentra-se nas Terras Indígenas; a Parte 2, que será divulgada em seguida, abordará as áreas protegidas.

Nesta primeira parte, detalhamos o desmatamento recente associado ao garimpo em três Terras Indígenas (Kuruaya, Baú e Kayapó), incluindo uma sequência de imagens de alta resolução.

O Mapa Base destaca as áreas de foco desta série: os Pontos A–C são analisados neste relatório (Terras Indígenas), enquanto os Pontos D–F serão abordados no segundo relatório (áreas protegidas).

Mineração em Terras Indígenas

Terra Indígena Kuruaya

A Terra Indígena Kuruaya (localizada no estado do Pará, no município de Altamira) convive com atividades de garimpo de ouro desde o início dos anos 1980, especialmente ao longo do rio Curuá, onde se concentram as aldeias do povo Kuruaya. Nos últimos anos, porém, a atividade mais intensa tem ocorrido em um afluente do Curuá, conhecido como igarapé Madalena.

Desde 2023, o monitoramento da Rede Xingu+ vem registrando a expansão do garimpo ilegal ao longo do igarapé Madalena. Naquele ano, foi protocolada uma denúncia formal (por meio do Ofício 42/2023 – Rede Xingu+), relatando a perda de cerca de 3 hectares devido à atividade garimpeira. Em 2024, a situação se agravou, com o desmatamento de mais 13,4 hectares. E, entre janeiro e julho de 2025, a área de garimpo no Madalena já havia avançado outros 17,8 hectares, totalizando 34,2 hectares acumulados.

As Figuras A1 e A2 mostram a expansão do garimpo ilegal no Madalena entre 2024 (painéis à esquerda) e 2025 (painéis à direita). A atividade avança principalmente em direção à confluência do igarapé Madalena com o rio Curuá. Além disso, surgiram novos pontos menores de garimpo na região ao redor.

Figura A1. Garimpo na Terra Indígena Kuruaya. Dados: Planet/NICFI
Figura A2. Garimpo na Terra Indígena Kuruaya. Dados: Planet/NICFI
Resultados do Amazon Mining Watch para a Terra Indígena Kuruaya.

O Amazon Mining Watch indica um desmatamento acumulado de 33 hectares causado pelo garimpo na Terra Indígena Kuruaya, incluindo 4 hectares somente em 2025 (clique aqui para visualizar no AMW).

Essa atividade ocorre dentro de uma concessão de lavra de ouro ativa registrada no cadastro digital do SIGMINE. No entanto, conforme a Constituição brasileira, esse tipo de concessão (Permissão de Lavra Garimpeira – PLG) não é autorizado em Terras Indígenas (Nota 2).

 

 

 

 

 

 

Terra Indígena Baú

A Terra Indígena Baú (estado do Pará, município de Altamira) é habitada pelos povos Mebengôkre (Kayapó) Mekrãgnoti e Purô isolados, distribuídos ao longo de seus vastos 1,5 milhão de hectares. O garimpo ilegal afeta esse território desde pelo menos 2019 e tem sido palco de diversos conflitos armados entre garimpeiros e indígenas.

Na primeira metade de 2025, foram detectados pontos ativos de garimpo ilegal em diversas partes do território, com destaque para a principal área de garimpo conhecida como Pista Velha. Pista Velha é um antigo local de garimpo, mas foi em 2019 que sua reativação se tornou palco de vários conflitos armados entre povos indígenas e garimpeiros, colocando em risco a vida dos Kayapó. Os esforços para retomar o controle dessa área continuam em andamento e têm sido amplamente reportados pela Rede Xingu+. Em julho de 2025, um sobrevoo confirmou a presença de atividade de mineração em Pista Velha (ver foto).

Foto de sobrevoo: área de garimpo de Pista Velha (Terra Indígena Baú) em 19 de julho de 2025. Foto: Rede Xingu+.

A Figura B ilustra a expansão do garimpo em Pista Velha entre 2024 (painel à esquerda) e 2025 (painel à direita).

Garimpo na Terra Indígena Baú. Dados: Planet/NICFI
Resultados do Amazon Mining Watch para a Terra Indígena Baú

O Amazon Mining Watch indica um desmatamento acumulado de 110 hectares causado pelo garimpo na Terra Indígena Baú, incluindo 10 hectares somente em 2025 (clique aqui para visualizar no AMW)

 

 

 

 

 

 

 

 

Terra Indígena Kayapó

A Terra Indígena Kayapó (estado do Pará, abrangendo quatro municípios) possui um longo histórico de garimpo ilegal que remonta à década de 1960 e é o território com a maior área desmatada por garimpo ilegal em toda a Amazônia brasileira.

As operações do governo para retirar garimpeiros ilegais da Terra Indígena Kayapó começaram em maio de 2025, em cumprimento a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (ADPF 709), que busca não apenas proteger os povos indígenas, mas também conter o avanço do garimpo ilegal.

A primeira fase dessas operações parece ter sido eficaz, já que menos de 2 hectares de novas áreas de garimpo foram detectados em junho de 2025 pelo monitoramento do SIRAD-X. No entanto, dados de outubro indicam um pequeno aumento da atividade, com acréscimo de 15 hectares no território.

As Figuras C1 e C2 mostram o avanço recente do garimpo ilegal em dois pontos da Terra Indígena Kayapó entre 2024 (painéis à esquerda) e 2025 (painéis à direita).

Figura C1. Garimpo na Terra Indígena Kayapó. Dados: Planet/NICFI
Figura C2. Garimpo na Terra Indígena Kayapó. Dados: Planet/NICFI

O Amazon Mining Watch indica um desmatamento acumulado de 7.940 hectares causado pelo garimpo na Terra Indígena Kayapó, incluindo 140 hectares somente em 2025 (veja no AMW). No entanto, grande parte desse aumento foi detectada no primeiro semestre do ano, o que indica que pode se tratar de um remanescente da expansão de 2024. Assim, boa parte da atividade de garimpo recentemente detectada pelo Amazon Mining Watch provavelmente ocorreu no final de 2024 e início de 2025, antes da intervenção governamental em maio, em consonância com os resultados do SiRAD-X mencionados acima.

Resultados do Amazon Mining Watch para a Terra Indígena Kayapó

Conclusão e Recomendações

Com base nas informações apresentadas acima, fica evidente que o garimpo ilegal na bacia do Xingu não é uma atividade isolada. Ele se espalhou tanto por territórios indígenas quanto por áreas protegidas, indicando a existência de uma rede de apoio que fornece a capacidade operacional e a infraestrutura necessárias para sua continuidade. Essa expansão traz consigo uma série de riscos graves para a região e para suas comunidades.

A mineração ilegal representa uma ameaça direta à integridade territorial e ao bem-estar das comunidades ribeirinhas e indígenas. As principais consequências incluem a degradação de áreas nativas e a contaminação dos rios pelo uso de mercúrio. Além dos danos ambientais, a expansão dessa atividade ilegal aumenta o risco de conflitos socioambientais entre garimpeiros e comunidades tradicionais, que buscam proteger seus territórios e seu modo de vida.

A seguir, apresentamos um conjunto de recomendações às autoridades brasileiras relacionadas a: (i) ações de fiscalização; (ii) monitoramento e restauração conduzidos pelas comunidades; e (iii) rastreabilidade das cadeias de fornecimento de ouro.

(i) Ações de fiscalização:

Para garantir a proteção de longo prazo dos territórios indígenas contra o garimpo ilegal, é fundamental ir além das operações imediatas de retirada e estabelecer um marco sustentável e preventivo. Embora o governo brasileiro tenha iniciado ações de desintrusão em resposta a decisões judiciais recentes, ainda não existe uma estratégia de longo prazo para evitar a reincidência dessas invasões. Soluções eficazes e duradouras exigem a atuação de diferentes órgãos reguladores e intervenções estratégicas que ultrapassem os limites geográficos das próprias terras indígenas. Portanto, recomenda-se a adoção das seguintes medidas de política pública:

  • Estabelecer uma força-tarefa permanente e interinstitucional, coordenada pela Casa Civil da Presidência da República, para desenvolver e implementar um plano estratégico abrangente de cinco anos. Esse plano deve focar no desmantelamento das redes econômicas e logísticas externas que sustentam o garimpo ilegal, prevenindo assim o retorno de invasores após a desintrusão. O papel articulador da Casa Civil é essencial para garantir a cooperação entre diferentes ministérios e órgãos governamentais, assegurando uma resposta nacional unificada e eficaz.
  • Promover ações integradas de fiscalização nas áreas do entorno dos territórios, com o objetivo de estrangular logisticamente as operações ilegais. Isso deve envolver órgãos reguladores em conjunto com entidades de fiscalização ambiental e de comando e controle, como a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), para inspeções de aeródromos; a Agência Nacional do Petróleo (ANP), para inspeções de postos de combustível; e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), para inspeções em estradas e rodovias.
  • Fortalecer os órgãos responsáveis pela fiscalização (IBAMA, ICMBio e FUNAI), garantindo que tenham capacidade operacional para atuar regularmente nos territórios destacados, por meio da recomposição orçamentária e de pessoal.
  • Promover a implementação de Planos de Proteção de longo prazo, assegurando orçamento contínuo para a manutenção de ações regulares de fiscalização e repressão a crimes ambientais.

(ii) Monitoramento e restauração conduzidos pelas comunidades:

A promoção e o fortalecimento de iniciativas de vigilância indígena voltadas ao monitoramento e à restauração dos territórios podem complementar as ações conduzidas pelo governo. Um benefício adicional dessas iniciativas é que elas representam alternativas econômicas sustentáveis dentro das próprias terras, reduzindo a vulnerabilidade de jovens ao aliciamento por grupos ilegais. Para isso, as seguintes ações podem ser adotadas:

  • Apoiar a construção e a manutenção de “Centros de Vigilância” em pontos estratégicos (confluências de rios, limites das TIs), geridos pelas próprias comunidades, para garantir a ocupação física de áreas remotas e a produção de informações relevantes que subsidiem ações mais eficazes do Estado.
  • Desenvolver e implementar mecanismos de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) para agentes comunitários, reconhecendo a vigilância territorial como um trabalho essencial para a conservação do bioma.
  • Fortalecer as ações de governança dentro dos territórios, apoiando reuniões, assembleias e fóruns, além de promover o desenvolvimento de instrumentos de gestão, como os Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs) e Protocolos de Consulta.
  • Promover e financiar ações de recuperação ambiental e de descontaminação/reabilitação nas áreas mais afetadas, além de garantir o monitoramento contínuo dos níveis de mercúrio na população.

(iii) Rastreabilidade da cadeia de fornecimento de ouro:

O governo brasileiro já adotou algumas medidas para aprimorar a regulamentação da cadeia de fornecimento de ouro e passou a exigir o registro formal dos principais atores envolvidos na cadeia do ouro da mineração artesanal e de pequena escala (como garimpeiros, compradores e exportadores). Em 2023, implementou a Nota Fiscal Eletrônica do Ouro (NF-e Ouro), documento obrigatório que verifica e registra a origem do mineral.

Apesar disso, ainda são necessárias medidas adicionais para continuar aprimorando os mecanismos de rastreabilidade do ouro e implementar uma legislação mais robusta para o controle da produção e do comércio mineral. Entre essas medidas está a criação de um portal público digital contendo informações sobre títulos minerários, licenças, embargos e áreas monitoradas, permitindo que compradores verifiquem o local de origem vinculado à NF-e Ouro. Isso contribuiria significativamente para melhorar a rastreabilidade para empresas e compradores que importam ouro do Brasil, promovendo assim uma cadeia de fornecimento mais transparente.

*Observações

  1. Metodologia dos sistemas de monitoramento

Para o monitoramento do Sirad X, são utilizadas imagens de radar do satélite Sentinel-1, processadas por uma série de algoritmos na plataforma Google Earth Engine (GEE), juntamente com imagens ópticas dos satélites Landsat-9 (sensor OLI-2) e Sentinel-2 (sensor MSI). Uma equipe de analistas examina a área monitorada, buscando visualmente anomalias nas imagens produzidas. Cada polígono de desmatamento é avaliado com base em sua proximidade de outras áreas de degradação e no histórico da região e, quando necessário, pessoas familiarizadas com o local são contatadas para confirmar o desmatamento. O conhecimento direto da área é fundamental para a validação dos dados.

Para o Amazon Mining Watch, o detector de minas é uma rede neural artificial treinada para distinguir áreas de mineração de outros tipos de terreno, a partir de exemplos rotulados manualmente que mostram minas e outros elementos relevantes tal como aparecem nas imagens do satélite Sentinel-2. A rede opera sobre blocos quadrados de dados extraídos do produto Sentinel-2 L1C. Cada pixel do bloco registra a luz refletida da superfície terrestre em doze bandas do espectro visível e infravermelho. Os dados do Sentinel são combinados (mediana composta) ao longo de vários meses para reduzir a presença de nuvens, sombras de nuvens e outros efeitos transitórios. Durante a execução, a rede avalia cada bloco em busca de sinais de atividade mineradora recente, e a região de interesse é então deslocada pela metade da largura do bloco para que a rede faça uma nova avaliação. Esse processo se repete até cobrir toda a área de interesse.

2. Mineração em Terras Indígenas. 

De acordo com a Constituição brasileira, a Permissão de Lavra Garimpeira — ou seja, a concessão de exploração para mineração artesanal — é vedada dentro de territórios indígenas. (Molina, Luísa Pontes, 2023. Terra rasgada: como avança o garimpo na Amazônia brasileira. Instituto Socioambiental).

No caso específico analisado, a concessão, outorgada em 1981, é anterior à homologação da Terra Indígena Kuruaya, ocorrida em 2001. Após a homologação, a concessionária (a empresa Brasinor) também apresentou diversos pedidos de concessão para pesquisa mineral dentro do território, que aparentemente foram rejeitados. No entanto, um protocolo relacionado à concessão anteriormente ativa foi aprovado pela Agência Nacional de Mineração em 30 de janeiro de 2026. A legalidade desse ato, bem como da própria concessão, deve ser investigada.

Um princípio consolidado no direito brasileiro é que os direitos territoriais indígenas produzem efeitos antes de seu reconhecimento formal, de modo que o fato de a concessão ser anterior à homologação do território é irrelevante. Caso a autorização da ANM seja considerada irregular, deve prevalecer a vedação constitucional à mineração em terras indígenas, e a concessão deve ser anulada. Uma decisão da Justiça Federal, em 2019, determinou que a Agência Nacional de Mineração deve indeferir qualquer pedido de pesquisa ou lavra dentro de territórios indígenas, mesmo antes de sua aprovação formal.

Agradecimentos

Este relatório faz parte de uma série dedicada à extração do ouro na Amazônia, desenvolvida por meio de uma colaboração estratégica entre a Amazon Conservation e parceiros regionais, com apoio da Gordon and Betty Moore Foundation. Neste caso, agradecemos ao nosso parceiro Instituto Socioambiental (ISA) pela liderança na elaboração deste relatório.

 

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MAAP #200: Estado da Amazônia em 2023

Figura 1. Visão mais recente sem nuvens de todo o bioma Amazônia (2023, trimestre 3). Dados: Planet, NICFI, ACA/MAAP.

O primeiro relatório do MAAP , publicado em março de 2015, analisou detalhadamente o crescente desmatamento da mineração de ouro na Amazônia peruana.

Os 198 relatórios a seguir, nos últimos 8,5 anos, continuaram a examinar as questões mais urgentes relacionadas ao desmatamento na Amazônia.

Em nosso 200º relatório , fornecemos nossa avaliação rápida do estado atual da Amazônia.

No geral, a situação é terrível, com a Amazônia se aproximando de dois pontos críticos de inflexão induzidos pelo desmatamento . O primeiro é a amplamente temida conversão de florestas tropicais úmidas em savanas mais secas, devido à diminuição da reciclagem de umidade na Amazônia (veja MAAP #164 ). O segundo é a mais recentemente temida conversão da Amazônia como um sumidouro crítico de carbono amortecendo a mudança climática global, para uma fonte de carbono que a alimenta (veja MAAP #144 ).

Há motivos para esperança, no entanto. É possível proteger o núcleo da Amazônia a longo prazo, já que quase metade agora é designada como áreas protegidas e territórios indígenas , ambos com taxas de desmatamento muito mais baixas do que as áreas vizinhas (veja MAAP #183 ). Além disso, novos dados da NASA revelam que a Amazônia ainda abriga reservas abundantes de carbono nessas áreas centrais (veja MAAP #160 e MAAP #199 ).

Também no front de notícias positivas, relatamos recentemente uma grande redução (mais da metade) na perda de floresta primária entre o ano atual de 2023 e o ano passado de 2022 em toda a Amazônia, especialmente no Brasil e na Colômbia ( MAAP #201 ).

Muito se fala sobre os incêndios na Amazônia na mídia, mas nos últimos anos revelamos que a grande maioria dos grandes incêndios na Amazônia (nomeadamente, no Brasil, Bolívia, Peru e Colômbia) estão, na verdade, queimando áreas recentemente desmatadas ( MAAP #168 ). É somente durante as intensas estações secas que alguns desses incêndios escapam e se tornam incêndios florestais reais.

A Figura 1 mostra a visão mais recente sem nuvens de todo o bioma da Amazônia. No lado positivo, pode-se ver claramente que o núcleo da Amazônia ainda está de pé. No lado negativo, no entanto, o desmatamento em expansão ao redor das bordas é evidente.

Principais Frentes de Desmatamento – 2023

Nesta seção, revisamos as principais frentes atuais de desmatamento na Amazônia.

A Figura 2 indica essas frentes (inserções AH) em relação aos dados de hotspots de desmatamento nos últimos 8 anos durante o período de monitoramento ativo do MAAP (2015-2022). Abaixo, descrevemos cada área de desmatamento, por país. Os drivers comuns em vários países da Amazônia incluem estradas ( MAAP #157 ), agricultura ( MAAP #161 ), gado e mineração de ouro ( MAAP #178 ).

Observe também que, mais abaixo, no Anexo , mostramos a ordem relativa da perda total de floresta primária na Amazônia por país nos últimos dois anos: Brasil, de longe, o mais alto, seguido por um grupo intermediário de Bolívia, Peru e Colômbia, seguido por níveis mais baixos na Venezuela, Equador, Suriname, Guiana e Guiana Francesa.

Figura 2. Pontos críticos de perda florestal na Amazônia, 2015-2022. Dados: UMD, Planet/NICFI, ACA/MAAP.

Amazônia brasileira

Figura 3. Principais pontos críticos de perda florestal na Amazônia brasileira. Dados: UMD, Planet/NICFI, ACA/MAAP.

O Brasil continua sendo, de longe, a principal fonte de desmatamento na Amazônia ( MAAP #187 ), liderado por três principais fatores: expansão de pastagens para gado perto de estradas, plantações de soja e mineração de ouro.

O desmatamento para novas pastagens para gado está concentrado ao longo das extensas redes rodoviárias que abrangem o leste e o sul da Amazônia brasileira (por exemplo, Inserção A).

O desmatamento para expansão de plantações de soja está concentrado no sudeste da Amazônia brasileira (Inserto B; ver MAAP #161 ).

O desmatamento da mineração de ouro afeta vários locais, incluindo vários territórios indígenas (por exemplo, Inserção C; veja MAAP #178 ).

Amazônia boliviana

Figura 4. Principais pontos críticos de perda florestal na Amazônia boliviana. Dados: UMD, Planet/NICFI, ACA/MAAP.

A Bolívia emergiu como a segunda principal fonte de desmatamento na Amazônia, com uma grande tendência crescente nos últimos dois anos ( MAAP #187 ).

O desmatamento está concentrado na fronteira da soja localizada no sudeste (Inserto D, ver MAAP #179 ).

Note que, cada vez mais, esse desmatamento de soja é realizado por colônias menonitas ( MAAP #180 ). Revelamos que os menonitas causaram o desmatamento de mais de 210.000 hectares desde 2001, incluindo 33.000 hectares desde 2017.

Amazônia peruana

Figura 5. Principais pontos críticos de perda florestal na Amazônia peruana. Dados: UMD, Planet/NICFI, ACA/MAAP.

O Peru é a terceira maior fonte de desmatamento na Amazônia ( MAAP #187 ).

Na Amazônia central, temos destacado o rápido desmatamento para  novas colônias menonitas  (ver  MAAP #188 ). Os relatórios do MAAP revelaram, em tempo real, que o desmatamento menonita cresceu de zero em 2016 para 3.400 hectares em 2021, para 4.800 hectares em 2022 e para 7.032 hectares em 2023.

No sul da Amazônia, o desmatamento por mineração de ouro continua sendo uma das principais causas de desmatamento, principalmente em comunidades indígenas, zonas de amortecimento de áreas protegidas e dentro do Corredor de Mineração oficial ( MAAP #185 ). Mais recentemente, mostramos que a mineração de ouro causou o desmatamento em quase 24.000 hectares entre apenas 2021 e 2023 ( MAAP #195 ).

Amazônia Colombiana

Figura 6. Principais pontos críticos de perda florestal na Amazônia colombiana. Dados: UMD, Planet/NICFI, ACA/MAAP.

A Colômbia é a quarta maior fonte de desmatamento na Amazônia.

O desmatamento na Colômbia aumentou após o acordo de paz de 2016 entre o governo colombiano e o grupo guerrilheiro FARC ( MAAP #120 ), mas foi o único país com uma redução notável no desmatamento em 2022 ( MAAP #187 ).

A perda florestal está concentrada em um “arco de desmatamento” ao redor de inúmeras Áreas Protegidas (como os Parques Nacionais de Chiribiquete, Tinigua e Macarena) e Reservas Indígenas.

Na Colômbia, o principal impulsionador direto do desmatamento é o pasto para gado, mas essa expansão é causada em grande parte pela grilagem de terras como um impulsionador indireto crítico. As plantações de coca também continuam a ser um impulsionador direto importante em certas áreas remotas.

Tanto o gado quanto a coca estão impactando áreas protegidas, especialmente os Parques Nacionais Tinigua e Chiribiquete (gado); e o Parque Nacional Macrarena e a Reserva Natural Nacional Nukak (coca).

 

Amazônia equatoriana

Figura 7. Principais pontos críticos de perda florestal na Amazônia equatoriana. Dados: UMD, Planet/NICFI, ACA/MAAP, RAISG.

Embora represente apenas 1% da perda total na Amazônia, o desmatamento na Amazônia equatoriana foi o  maior já registrado  em 2022 (18.902 hectares), um aumento impressionante de 80% desde 2021.

Existem vários focos de desmatamento causados ​​pela mineração de ouro (ver  MAAP #182 ), expansão de plantações de dendezeiros e agricultura de pequena escala.

Amazônia venezuelana

Há um ponto crítico de desmatamento causado pela  mineração de ouro no Parque Nacional Yapacana  (ver  MAAP #173MAAP #156MAAP #169 ).

Amazônia venezuelana

Há um ponto crítico de desmatamento causado pela  mineração de ouro no Parque Nacional Yapacana  (ver  MAAP #173MAAP #156MAAP #169 ).

Anexo: Perda de Floresta Primária na Amazônia (Por País), 2021-2022

Acknowledgments

We deeply thank the following funders for supporting MAAP over the past 10 years:
International Conservation Fund of Canada (ICFC)
Norwegian Agency for Development Cooperation (NORAD)
United States Agency for International Development (USAID)
MacArthur Foundation
Andes Amazon Fund (AAF)
Wyss Foundation
Erol Foundation
Global Forest Watch/World Resources Institute
Overbrook Foundation
Global Conservation

We also thank our key data providers:
Planet (optical satellite imagery)
University of Maryland (automated forest loss alerts)
Global Forest Watch (portal featuring integrated forest loss alerts)
NICFI monthly mosaics
CLASlite (our original forest loss detection tool)

Citation

Finer M, Mamani N, Novoa S, Ariñez A (2023) State of the Amazon in 2023. MAAP: 200.

 

MAAP #195: Desmatamento da mineração de ouro na Amazônia peruana do sul, 2021-2023

Figura 1. Desmatamento recente no Corredor de Mineração da região de Madre de Dios, no sul da Amazônia peruana (zona de Guacamayo). Dados: Planet.

No contexto geral da mineração de ouro na Amazônia , onde a mineração ilegal é desenfreada, o sul do Peru é um estudo de caso importante, visto que o governo criou o “ Corredor de Mineração ”, onde a mineração é permitida para organizar e promover essa atividade.

Nesta grande área, oficialmente conhecida como “Zona de mineração artesanal e de pequena escala no departamento de Madre Dios”, a atividade de mineração pode ser formal, informal ou ilegal , dependendo da localização e da conformidade legal (veja mais detalhes na seção Notas).

Conhecer o nível de desmatamento minerário que ocorre dentro de seus limites é importante porque, embora não seja ilegal, pode ser considerável, visto que o Corredor de Mineração cobre uma grande área de quase meio milhão de hectares (498.296 ha).

De fato, estimamos o desmatamento por mineração de 18.174 hectares dentro do Corredor de Mineração nos últimos três anos (2021-2023).

Além disso, identificamos o desmatamento minerário de 5.707 hectares fora do Corredor de Mineração , ou seja, em áreas proibidas e, portanto, com provável mineração ilegal .

Consequentemente, encontramos um desmatamento total de mineração de 23.881 hectares (59.011 acres) durante este período (2021-2023) no sul do Peru.

Desse total, 76% do desmatamento ocorreu dentro do Corredor de Mineração, enquanto os 24% restantes correspondem à mineração ilegal no entorno.

Mapa Base: Desmatamento Minerário na Amazônia Sul Peruana

O Mapa Base destaca o desmatamento de mineração mais recente nos anos de 2021-2023 (mostrado em vermelho ) em relação à perda histórica de florestas na área (mostrada em preto), tanto dentro quanto fora do Corredor de Mineração.

Mapa base. Desmatamento minerário dentro e fora do Corredor Mineiro Madre de Dios, na Amazônia meridional do Peru, durante os anos de 2021 e 2023. Dados: ACCA/MAAP.

Note que o desmatamento da mineração está concentrado dentro do Corredor de Mineração , representando 76% do total. Isso é especialmente evidente na área de mineração de Guacamayo (Veja Zooms A e B ) e ao longo do Rio Madre Dios.

O restante do desmatamento de mineração (24%) está fora do Corredor de Mineração. A maior parte desse desmatamento está ocorrendo nas 10 Comunidades Indígenas da área, cobrindo 3.406 hectares. As comunidades mais afetadas são Barranco Chico ( Zoom C ), San José de Karene, Tres Islas e Kotsimba.

O desmatamento por mineração também foi identificado em zonas de amortecimento de áreas naturais protegidas . As mais afetadas são a Reserva Nacional de Tambopata, o Parque Nacional Bahuaja Sonene e a Reserva Comunal de Amarakaeri. No entanto, deve-se enfatizar que a mineração dentro de áreas naturais protegidas tem sido efetivamente controlada pelo Estado peruano, por meio do Serviço Nacional de Áreas Naturais Protegidas (SERNANP).

Além disso, uma certa quantidade de desmatamento por mineração (161 hectares) foi detectada em concessões florestais de castanha-do-brasil localizadas na área de Pariamanu ( Zoom D ).

Por fim, vale mencionar uma área de importância na zona de amortecimento da Reserva Nacional de Tambopata, conhecida como La Pampa ( Zoom E ). Esta área foi o epicentro do desmatamento destrutivo da mineração entre 2014 e 2018. No entanto, as imagens revelam que após a Operação Mercurio, que começou no início de 2019, a expansão do desmatamento da mineração em La Pampa basicamente parou. Apesar disso, um relatório recente mostrou um grande aumento na atividade de mineração em áreas previamente desmatadas de La Pampa ( MAAP #193).

Zooms de alta resolução (AE)

Os seguintes zooms de alta resolução comparam o desmatamento de mineração entre o ano de 2020 (painel esquerdo) e o período atual de 2023 (painel direito). Os zooms A e B estão localizados dentro do Corredor de Mineração (área de Guacamayo), enquanto os zooms CE estão localizados fora.

Zoom A. Corredor de Mineração (zona Guacamayo – oeste)

Zoom B. Corredor de Mineração (zona Guacamayo – leste)


Comunidade Indígena Zoom C. Barranco Chico

Zoom D. Concessão de Castanha do Brasil, zona de Pariamanu

Zoom E. La Pampa

Notas

O Corredor Mineiro, designado pelo Decreto Legislativo n.º 1100 como “Zona de mineração de pequena escala e artesanal no departamento de Madre de Dios”, categoriza as atividades de mineração da seguinte forma:

  • Formal: Processo de formalização concluído com licenças ambientais e operacionais aprovadas.
  • Informal: Em processo de formalização; Opera apenas em áreas de extração autorizadas, utiliza maquinário permitido e é considerado uma infração administrativa, não um crime.
  • Ilegal: Opera em áreas proibidas, como corpos d’água (por exemplo, rios ou lagos), usa maquinário proibido, é considerado uma infração criminal e é punível com prisão.

Metodologia

Utilizamos o LandTrendR, um algoritmo de segmentação temporal que identifica mudanças nos valores de pixels ao longo do tempo, para detectar perdas florestais dentro do Corredor de Mineração entre 2021 e 2023 usando a plataforma Google Earth Engine. É importante notar que este método foi originalmente projetado para imagens Landsat com resolução moderada (30 metros) 1 , mas o adaptamos para mosaicos mensais NICFI-Planet de maior resolução espacial (4,7 metros). 2

Além disso, criamos uma linha de base para o período de 2016-2020 para eliminar áreas antigas desmatadas (antes de 2021) devido a mudanças rápidas no processo de regeneração natural.

Por fim, separamos manualmente a perda florestal devido à mineração e outras causas entre 2021 e 2023 para relatar especificamente os impactos diretos relacionados à mineração. Para esta parte da análise, usamos vários recursos para auxiliar o processo manual, como alertas de imagem de radar (RAMI) do programa SERVIR Amazônia, dados históricos do CINCIA de 1985 a 2020, dados de perda florestal do governo peruano (Programa Nacional de Conservação Florestal para Mitigação das Mudanças Climáticas) e da Universidade de Maryland.

  1. Kennedy, RE, Yang, Z., Gorelick, N., Braaten, J., Cavalcante, L., Cohen, WB, Healey, S. (2018). Implementação do Algoritmo LandTrendr no Google Earth Engine. Sensoriamento Remoto. 10, 691.
  2. Erik Lindquist, FAO, 2021

Reconhecimentos

Este relatório foi preparado com o apoio técnico da USAID por meio do Prevent Project. O Prevent (Proyecto Prevenir em espanhol) trabalha com o Governo do Peru, a sociedade civil e o setor privado para prevenir e combater crimes ambientais para a conservação da Amazônia peruana, particularmente nas regiões de Loreto, Madre de Dios e Ucayali.

Aviso Legal: Esta publicação é possível graças ao generoso apoio do povo americano por meio da USAID. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva dos autores e não reflete necessariamente as opiniões da USAID ou do Governo dos Estados Unidos.

 

Citation

Finer M, Mamani N, Ariñez A (2023) Gold Mining Deforestation in the Southern Peruvian Amazon, 2021-2023. MAAP: 195.

MAAP #197: Mineração ilegal de ouro na Amazônia

Exemplo de grande zona de mineração de ouro na Amazônia peruana.

A mineração ilegal de ouro  continua sendo um dos principais problemas enfrentados por quase todos os países amazônicos.

De fato, após a recente cúpula de alto nível da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, os líderes das nações assinaram a Declaração de Belém , que contém um compromisso para prevenir e combater a mineração ilegal, incluindo o fortalecimento da cooperação regional e internacional (Objetivo 32).

A mineração ilegal de ouro é uma grande ameaça à Amazônia porque afeta tanto florestas primárias quanto rios , geralmente em áreas remotas e críticas, como  áreas protegidas e territórios indígenas.

Ou seja, a mineração ilegal de ouro é um grande impulsionador do desmatamento e uma fonte de contaminação da água (especialmente mercúrio) na Amazônia.

Anteriormente, no MAAP #178 , apresentamos uma visão geral em larga escala dos principais hotspots de desmatamento de mineração de ouro em todo o bioma da Amazônia. Descobrimos que a mineração de ouro está ativamente causando desmatamento em quase todos os nove países da Amazônia.

Aqui, atualizamos esta análise com duas adições importantes. Primeiro, adicionamos à visão geral as principais operações de mineração de ouro que ocorrem em rios , além daquelas que causam desmatamento (veja a Figura 1 ). Segundo, apresentamos um novo mapa de prováveis ​​locais de mineração ilegal de ouro, com base em informações de parceiros e localização com áreas protegidas e territórios indígenas (veja a Figura 2 ).

Mapa de mineração de ouro da Amazônia atualizado

A Figura 1 é nosso mapa atualizado de mineração de ouro na Amazônia. Os pontos laranja indicam áreas onde a mineração de ouro está atualmente causando desmatamento de florestas primárias. Os pontos azuis indicam áreas onde a mineração de ouro está ocorrendo em rios. Combinados, documentamos 58  locais ativos de mineração florestal e fluvial na Amazônia.

Os pontos destacados em vermelho indicam os locais de mineração que provavelmente são ilegais, tanto para mineração florestal quanto fluvial. Encontramos pelo menos 49 casos de mineração ilegal na Amazônia, a vasta maioria dos locais de mineração ativos observados acima.

Observe as concentrações de mineração ilegal causando desmatamento no sul do Peru, no leste do Brasil e no Equador. Da mesma forma, observe as concentrações de mineração ilegal em rios no norte do Peru e na Colômbia e no Brasil adjacentes.

Figura 1. Mapa atualizado de mineração de ouro na Amazônia. Dados: ACA/MAAP. Clique para ampliar.

Áreas Protegidas e Territórios Indígenas

A Figura 2 acrescenta áreas protegidas e territórios indígenas. Encontramos pelo menos 36 sobreposições conflituosas : 16 em áreas protegidas e 20 em territórios indígenas. Também encontramos mais dois conflitos com as Florestas Nacionais Brasileiras.

Destacamos uma série de zonas de alto conflito. Para áreas protegidas : Parque Nacional Podocarpus no Equador; Parque Nacional Madidi na Bolívia; Parques Nacionais Canaima, Caura e Yapacana na Venezuela. Observamos que o governo peruano tem minimizado efetivamente as invasões em áreas protegidas na região sul de Madre de Dios (Reserva Nacional Tambopata e Reserva Comunal Amarakaeri). Para territórios indígenas : Kayapo, Menkragnoti, Yanomami e Mundurucu no Brasil; Pueblo Shuar Arutam no Equador e uma série de comunidades no sul do Peru.

Figura 1. Mapa de mineração de ouro na Amazônia, com áreas protegidas e territórios indígenas. Dados: ACA/MAAP, RAISG. Clique para ampliar.

Métodos

Os locais de mineração baseados em florestas exibidos na Figura 1 são amplamente baseados em informações obtidas ao longo dos últimos anos de nosso trabalho de monitoramento de desmatamento. Os locais baseados em rios são amplamente baseados em informações obtidas de parceiros no país e no solo.

Complementamos essas informações com dados automatizados e baseados em máquinas do Amazon Mining Watch e dados do RAISG . Para essas fontes, verificamos imagens recentes e incluímos apenas sites que pareciam ainda estar ativos.

A classificação como local de mineração ilegal é amplamente baseada na localização dentro de áreas protegidas ou territórios indígenas, ou claramente fora de uma zona de mineração autorizada.

Citação

Finer M, Mamani N, Arinez A, Novoa S, Larrea-Alcázar D, Villa J (2023) Mineração ilegal de ouro na Amazônia. MAAP: 197.

MAAP #181: Mineração ilegal de ouro na Terra Indígena Yanomami (Brasil)

Base Map. Illegal mining deforestation alerts in Yanomami Indigenous Territory (northern Brazilian Amazon).

O governo brasileiro lançou recentemente uma série de operações contra a mineração ilegal de ouro na Terra Indígena Yanomami , localizada no norte da Amazônia brasileira (veja o detalhe do Mapa Base).

Essas incursões destacam as consequências graves trazidas pela atividade de mineração ilegal, particularmente desmatamento, contaminação, desnutrição e doenças.

Aqui apresentamos os resultados de um novo algoritmo de aprendizado de máquina que analisa arquivos de imagens de satélite em grandes áreas para detectar de forma rápida e precisa novas frentes de desmatamento na mineração de ouro.

A resolução desses alertas de desmatamento de mineração é de 10 metros, com base nos dados de imagens de satélite Sentinel-2, disponíveis gratuitamente pela Agência Espacial Europeia.

Esses alertas revelam que a extensão do desmatamento da mineração de ouro na Terra Indígena Yanomami é muito maior do que se imaginava (ver Mapa Base ).

No Mapa Base, os pontos vermelhos indicam os alertas de desmatamento de mineração de ouro mais recentes, ocorridos em 2022 .

Observe que, embora os ataques pareçam estar concentrados ao longo do Rio Uraricoera, o desmatamento ativo para mineração de ouro está ocorrendo em toda a vasta parte norte do território , incluindo também os Rios Parima e Mucajai.

Estimamos que o novo desmatamento da mineração de ouro seja de mais de 2.000 hectares desde 2019. Grande parte desse desmatamento (67%, ou 1.350 hectares) ocorreu mais recentemente em 2022.

Abaixo, mostramos cinco exemplos desse recente desmatamento de mineração de ouro com imagens de satélite de alta resolução (3 metros) que confirmam as detecções de alerta.

Zooms do desmatamento da mineração ilegal de ouro, 2020 – 2022

Abaixo, mostramos cinco exemplos desse recente desmatamento de mineração de ouro com imagens de satélite de alta resolução (3 metros) que confirmam as detecções de alerta (veja inserções AE no Mapa Base). Observe que dois dos exemplos estão no Rio Uraricoera, enquanto os outros três exemplos são de outras partes do território.

Zoom A

Zoom B

Zoom C

Zoom D

Zoom E

Metodologia

Alertas de desmatamento na mineração de ouro foram gerados pelo algoritmo de aprendizado de máquina atualizado do Amazon Mining Watch com base em dados de imagens do satélite Sentinel-2.

O Amazon Mining Watch é uma parceria entre a Rainforest Investigations Network do Pulitzer Center e a Earthrise Media. Essas duas organizações sem fins lucrativos uniram forças para reunir o poder do aprendizado de máquina e do jornalismo investigativo para lançar luz sobre problemas ambientais de larga escala na Amazônia.

MAAP #173: Aumento rápido do desmatamento para mineração no Parque Nacional Yapacana (Amazônia venezuelana)

Mapa base. Desmatamento minerário recente (2021-22) no Parque Nacional Yapacana, Amazônia venezuelana. Dados: ACA/MAAP, Planet, NICFI.

Continuamos nossa série sobre a Amazônia venezuelana (veja MAAP #155 ), com foco especial na principal área protegida do Parque Nacional Yapacana .

Em relatórios recentes, mostramos que Yapacana está atualmente sofrendo intensa atividade de mineração ilegal com provavelmente milhares de mineradores (veja MAAP #156 ), inclusive no topo do sagrado Yapacana Tepui (veja MAAP #169 ).

Aqui, nos concentramos na zona de mineração mais ativa, localizada na parte sudoeste do parque ao redor do tepui, onde  o desmatamento para mineração aumentou rapidamente nos últimos dois anos.

Encontramos um novo desmatamento de mais de 750 hectares (1.870 acres) neste setor do Parque Nacional Yapacana entre 2021 e 2022.

Mapa Base ilustra esse resultado, com vermelho e amarelo mostrando o desmatamento de 2022 e 2021, respectivamente.

Observe que parte do desmatamento recente (6 hectares) ocorreu no topo do tepui .

Abaixo, ampliamos e mostramos esse desmatamento recente com imagens de satélite de alta resolução .

Desmatamento 2021-22 no Parque Nacional Yapacana

A Figura 1 mostra o desmatamento de 757 hectares entre dezembro de 2020 (painel esquerdo) e outubro de 2022 (painel direito) na parte sul do Parque Nacional Yapacana ao redor de Yapacana Tepui. As setas apontam para as principais zonas antes (verde) e depois (laranja) do desmatamento. As letras AD correspondem aos quatro zooms abaixo.

Figura 1. Desmatamento recente no Parque Nacional Yapacana. As setas apontam para as principais zonas antes (verde) e depois (laranja) do desmatamento. As letras AD correspondem aos quatro zooms abaixo. Dados: ACA/MAAP, Planet, NICFI.

Zoom A

Zoom A. Dados: ACA/MAAP, Planet, NICFI

Zoom B

Zoom B. Dados: ACA/MAAP, Planet, NICFI

Zoom C

Zoom C. Dados: ACA/MAAP, Planet, NICFI

Ampliar D

O Zoom D mostra o desmatamento de 4 hectares entre dezembro de 2020 (painel esquerdo) e outubro de 2022 (painel direito) no topo do Yapacana Tepui dentro do parque nacional.

Zoom D. Dados: ACA/MAAP, Planet, NICFI

 

Desmatamento Acumulado

Estimamos o desmatamento acumulado por mineração de 1.537 hectares dentro deste setor sudoeste do Parque Nacional Yapacana. Assim, quase metade (49%) ocorreu mais recentemente em 2021-22.

Do total de desmatamento acumulado, 17 hectares ocorreram no topo do tepui sagrado. Mais de um terço (35%) ocorreu mais recentemente em 2021-22.

Reconhecimentos

Agradecemos à SOS Orinoco pelos comentários úteis sobre este relatório.

Citação

Finer M, Ariñez A (2023) Aumento rápido do desmatamento para mineração no Parque Nacional Yapacana (Amazônia venezuelana). MAAP: 173.

 

MAAP #155: Pontos críticos de desmatamento na Amazônia venezuelana

Mapa base da Amazônia. Fluxo de carbono florestal na Amazônia, 2001-2020. Dados: Harris et al 2021. Análise: Amazon Conservation/MAAP.

Apresentamos aqui o primeiro relatório de uma série focada na Amazônia venezuelana , que abrange mais de 47 milhões de hectares da parte norte do bioma amazônico (acima do oeste do Brasil).

Como indica o Mapa Base da Amazônia, a Venezuela é uma parte fundamental do restante da Amazônia , que ainda funciona como um importante sumidouro de carbono, o que a torna uma peça importante para estratégias de conservação de longo prazo.

Entretanto, o desmatamento tem aumentado nos últimos anos (veja o gráfico no Mapa Base), indicando ameaças crescentes.

Especificamente, há uma tendência clara de aumento da perda de florestas primárias desde 2015, incluindo um pico recente em 2019.

Estimamos a perda de mais de 140.000 hectares (345.000 acres) nos últimos quatro anos, o que representa 1,6% da perda total na Amazônia durante esse período.

Abaixo, investigamos os principais focos e impulsionadores do desmatamento atualmente na Amazônia venezuelana.

Mapa base da Venezuela. Pontos críticos de perda de floresta primária na Amazônia venezuelana nos últimos quatro anos (2017-2020). UMD/GLAD, MAAP.

O mapa base da Venezuela mostra os principais focos de perda de florestas primárias na Amazônia venezuelana nos últimos quatro anos (2017-2020).

Observe que a maioria dos pontos críticos está dentro do Arco de Mineração do Orinoco, uma grande área de mais de 11 milhões de hectares criada por um controverso decreto presidencial em 2016, projetado para promover a mineração (SOSOrinoco 2021), bem como dentro e ao redor da extensa rede de áreas protegidas.

Essas áreas protegidas cobrem 43% (20 milhões de hectares) da Amazônia venezuelana e foram responsáveis ​​por cerca de 30% da perda total de florestas. As áreas mais impactadas nos últimos anos são os Parques Nacionais Caura, Canaima e Yapacana (mais de 22.000 hectares combinados).

Ampliamos esses pontos críticos e descobrimos que mineração, incêndios e agricultura (incluindo pastagens para gado) são os três principais impulsionadores do desmatamento na Amazônia venezuelana. Pode haver interações complexas entre esses impulsionadores, como centros de mineração levando a incêndios e expansão agrícola para dar suporte à nova população de mineradores.

Vale ressaltar que a Venezuela se junta ao Peru, Brasil e Suriname como países onde a mineração está agora documentada como responsável ativa pelo grande desmatamento de florestas primárias.

Também notamos que, como no resto da Amazônia, virtualmente todos os incêndios são causados ​​por humanos (ou seja, não eventos naturais) e a maioria provavelmente está ligada à preparação da terra para atividades agrícolas. Durante períodos mais secos, esses incêndios podem escapar, causando incêndios florestais maiores.

Abaixo, ilustramos esses drivers em uma série de imagens de alta resolução (3 metros) e altíssima resolução (0,5 metros).

Zooms de alta resolução

Mineração

Zoom A1. Desmatamento de mineração no Parque Nacional Yapacana. Dados: Planet/Skysat

Parque Nacional Zoom A. Yapacana

O Parque Nacional Yapacana, que é um mosaico único de savanas e florestas naturais, está atualmente sofrendo impactos de desmatamento devido a operações de mineração ativas.

Mostramos dois exemplos de mineração recente no setor de mineração de Cerro Yapacana, apresentando imagens de altíssima resolução do final de 2021 (veja Zooms A1 e A2).

Essas duas áreas perderam mais de 550 hectares desde o início dos anos 2000.

Zoom A2. Desmatamento de mineração no Parque Nacional Yapacana. Dados: Planet/Skysat.
Zoom B1. Desmatamento de mineração no Parque Nacional de Caura. Dados: Planet/Skysat.

Zoom B. Parque Nacional Caura

O Parque Nacional Caura também está vivenciando uma atividade de mineração ativa. Abaixo estão dois exemplos de atividade de mineração recente, apresentando imagens de altíssima resolução do início de 2022 (veja Zooms B1 e B2).

 

Zoom B2. Desmatamento de mineração no Parque Nacional de Caura. Dados: Planet/Skysat.

Zoom C. Parque Nacional Canaima

A imagem a seguir mostra a recente expansão do desmatamento para mineração no Parque Nacional Canaima entre 2017 (painel esquerdo) e 2020 (painel direito).

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Zoom C. Desmatamento de mineração no Parque Nacional Canaima. Dados: Planet/Skysat.

Zoom D: Arco de Mineração do Orinoco

Ao norte dessas áreas protegidas, há desmatamento de mineração industrial e fluvial no Arco de Mineração do Orinoco. O Zoom D mostra um exemplo de grande desmatamento de mineração fluvial (mais de 1.800 hectares) entre 2017 e 2020, além de imagens de altíssima resolução do final de 2021.

Zoom D. Desmatamento de mineração no Arco Mineiro do Orinoco. Dados: Planet.

Agricultura

O Zoom E mostrou um exemplo de expansão agrícola (provavelmente criação de gado) na seção nordeste do Arco de Mineração do Orinoco. Estimamos que a perda florestal mostrada nos painéis entre 2017 e 2020 seja de mais de 400 hectares.

Zoom E. Desmatamento agrícola no Arco Mineiro do Orinoco. Dados: Planet.

Fogo

Por fim, os Zooms F e G mostram exemplos recentes de grandes impactos de incêndios. O Zoom F é uma área que sofreu grandes incêndios em 2019 dentro e ao redor do Parque Nacional Canaima. Estimamos que a perda florestal mostrada nos painéis entre 2017 e 2020 seja de 1.175 hectares.

Zoom F. Grandes incêndios em 2019 dentro e ao redor do Parque Nacional Canaima. Dados: Planet.

Zoom G é uma área que sofreu grandes incêndios em 2020 nos locais de mineração próximos na seção ocidental do Arco de Mineração do Orinoco. Estimamos que a perda florestal mostrada nos painéis entre 2017 e 2020 seja de 1.128 hectares.

Zoom G. Grandes incêndios em 2020 no Arco Mineiro do Orinoco. Dados: Planet.

Metodologia

Para uma área de estudo com inclusão máxima, para a Amazônia venezuelana, usamos o limite biogeográfico mais amplo (conforme definido pela RAISG) em vez do limite estrito da bacia hidrográfica da Amazônia (que na verdade inclui apenas uma pequena parte da Venezuela).

Obtivemos dados para o Arco Minerador do Orinoco (Arco Minero del Orinoco) e áreas protegidas da organização SOSOrinoco. O último conjunto de dados contém Áreas Sob Regime de Administração Especial (Áreas Bajo Régimen de Administración Especial – ABRAE), que atendem à definição internacional de áreas protegidas da IUCN: parques nacionais, monumentos naturais, refúgios de vida selvagem, reservas e santuários.

Usamos dados de “perda de floresta primária” como nosso proxy para o desmatamento anual de 2002-2020. Esses dados de resolução de 30 metros (com base no Landsat) são produzidos pela Universidade de Maryland e apresentados pela Global Forest Watch. Observe que eles incluem perdas florestais por incêndios e causas naturais. Os dados de alerta de alerta precoce de 2021 também são da Universidade de Maryland.

Para identificar os principais hotspots de perda florestal, conduzimos uma estimativa de densidade kernel. Esse tipo de análise calcula a magnitude por unidade de área de um fenômeno específico, nesse caso, a perda de cobertura florestal. Conduzimos essa análise usando a ferramenta Kernel Density do Spatial Analyst Tool Box do ArcGIS.

Por fim, investigamos os principais pontos críticos com imagens de satélite de alta resolução (3 metros) e de altíssima resolução (0,5 metros) da empresa Planet para identificar as causas (fatores determinantes).

Referências

SOSOrinoco. 2021. Desmatamento e mudanças na vegetação e cobertura do uso da terra dentro do chamado Arco de Mineração do Orinoco entre 2000-2020 .

Reconhecimentos

Agradecemos à organização SOSOrinoco pelas informações e comentários importantes relacionados a este relatório

Citação

Finer M, Mamani N (2022) Pontos críticos de desmatamento na Amazônia venezuelana. MAAP: 155.

MAAP #154: Mineração ilegal de ouro na Amazônia peruana – atualização de 2022

Mapa Base. Locais de locais de mineração ilegal de ouro no sul da Amazônia peruana analisados ​​neste relatório. Clique para ampliar. Dados: MAAP/ACA.

A mineração ilegal de ouro atingiu níveis críticos na Amazônia sul peruana em 2017 e 2018, desmatando mais de 1.200 hectares (3.000 acres) na área mais criticamente impactada, conhecida como La Pampa (localizada na zona de amortecimento da Reserva Nacional de Tambopata, região de Madre de Dios).

No início de 2019, o governo peruano lançou a Operação Mercúrio , uma repressão de longo prazo sem precedentes à mineração ilegal, com foco inicial em La Pampa.

Aqui, apresentamos uma análise atualizada da mineração ilegal de ouro na Amazônia peruana. Especificamente, comparamos as taxas de desmatamento antes e depois da Operação Mercury nos locais de mineração ilegal mais importantes (veja o Mapa Base).

Descobrimos que o desmatamento da mineração ilegal de ouro diminuiu 62% no geral em todos os locais após a Operação Mercúrio, incluindo uma notável redução de 96% em La Pampa.

No entanto, o desmatamento ilegal por mineração aumentou em vários locais importantes, principalmente em territórios indígenas .

Resultados: Mapa Base

O Mapa de Resultados abaixo ilustra as principais descobertas. Vermelho indica o desmatamento da mineração de ouro pós-Operação Mercury (3.688 hectares entre março de 2019 e dezembro de 2021), enquanto amarelo indica a linha de base pré-Operação (6.933 hectares entre janeiro de 2017 e fevereiro de 2019).

Note que o desmatamento na frente de mineração ilegal mais crítica, La Pampa (zona de amortecimento da Reserva Nacional de Tambopata), foi essencialmente interrompido. No entanto, a mineração continua em outras áreas importantes, como Mangote, Pariamanu, Camanti (zona de amortecimento da Reserva Comunitária de Amarakaeri), Chaspa (zona de amortecimento do Parque Nacional Bahuaja Sonene), levando a novas intervenções governamentais em cada uma dessas áreas.

Em relação às Comunidades Nativas , as mais impactadas após a Operação Mercúrio incluem Barranco Chico (1.098 hectares), Tres Islas (503 hectares), Puerto Luz (136 hectares) e Kotsimba (dentro da área de Alto Malinowski; 518 hectares). O governo conduziu recentemente duas incursões em Barranco Chico, indicando que está ciente dessa situação.

Mapa de resultados. Principais frentes de mineração de ouro na Amazônia peruana meridional antes (amarelo) e depois (vermelho) da Operação Mercúrio. Dados: MAAP. Clique para ampliar.

Resultados: Gráfico

O gráfico de resultados abaixo detalha ainda mais as principais descobertas:

  • No geral, o desmatamento da mineração de ouro diminuiu 62% em todos os locais após a Operação Mercúrio (de 279 para 105 hectares por mês).
  • Mais notavelmente, o desmatamento para mineração diminuiu 96% em La Pampa , a área mais criticamente impactada (de 149 para 6,5 ​​hectares por mês).

  • O desmatamento para mineração diminuiu 81% nos outros locais dentro das zonas de amortecimento da principal área protegida (Reserva Nacional de Tambopata, Parque Nacional Bahuaja Sonene e Reserva Comunitária de Amarakaeri)
  • O desmatamento para mineração aumentou 100% em duas novas frentes críticas, Pariamanu e Chaspa.
  • O desmatamento da mineração aumentou 128% nas quatro comunidades indígenas (Barranco Chico, Boca Inambari, Tres Islas e Puerto Luz).
Gráfico de resultados. Dados: ACA/MAAP.

Imagens de satélite de altíssima resolução (Skysat)

Abaixo, mostramos uma série impressionante de imagens recentes (janeiro a março de 2022) e de altíssima resolução (0,5 metro Skysat) de três principais locais de mineração ilegal atuais: Barranco Chico, Pariamanu e Mangote. Essas imagens revelam maquinário e infraestrutura (indicados por círculos vermelhos), bem como acampamentos (indicados por quadrados amarelos) diretamente associados à atividade de mineração ilegal de ouro.

Comunidade Nativa Barranco Chico

Comunidade Nativa Barranco Chico 1. Dados: MAAP/ACA, Skysat/Planet.
Comunidade Nativa Barranco Chico 2. Dados: MAAP/ACA, Skysat/Planet.

Pariamanu

Pariamanu 1. Dados: MAAP/ACA, Skysat/Planet.
Pariamanu 2. Data: MAAP/ACA, Skysat/Planet.
Pariamanu 3. Data: MAAP/ACA, Skysat/Planet.

Mangote

Mangote 1. Data: MAAP/ACA, Skysat/Planet.

 

Mangote 2. Data: MAAP/ACA, Skysat/Planet.

 

Metodologia

Analisamos imagens de alta resolução (3 metros) da empresa de satélite Planet obtidas de sua interface Planet Explorer. Com base nessas imagens, digitalizamos o desmatamento da mineração de ouro em dez locais principais: La Pampa, Mangote, Alto Malinowski, Camanti, Pariamanu/Pariamarca, Apaylon, Chaspa, Barranco Chico e Boca Inambari. Essas foram identificadas como as principais frentes ativas de desmatamento da mineração ilegal de ouro com base na análise de alertas automatizados de perda florestal gerados pela Universidade de Maryland (alertas GLAD) e pelo governo peruano (Geobosques) e camadas adicionais de uso da terra. A área referida como “corredor de mineração” não está incluída na análise porque a questão da legalidade é mais complexa.

Em todos esses sites, identificamos, digitalizamos e analisamos todo o desmatamento visível da mineração de ouro entre janeiro de 2017 e o presente (dezembro de 2021). Definimos antes da Operação Mercúrio como dados de janeiro de 2017 a fevereiro de 2019, e depois da Operação Mercúrio como dados de março de 2019 até o presente. Dado que o primeiro foi de 26 meses e o último de 32 meses, durante a análise os dados foram padronizados como desmatamento da mineração de ouro por mês.

Os dados são atualizados até dezembro de 2021.

Agradecimentos

Agradecemos a O. Liao, S. Otoya, J. Guerra, K. Nielsen, S. Novoa, ME Gutierrez, Z. Romero e G. Palacios pelos seus comentários úteis sobre este relatório.

Este relatório foi conduzido com assistência técnica da USAID, por meio do projeto Prevent. O Prevent trabalha com o Governo do Peru, a sociedade civil e o setor privado para prevenir e combater crimes ambientais em prol da conservação da Amazônia peruana, particularmente nas regiões de Loreto, Madre de Dios e Ucayali.

Esta publicação é possível com o apoio do povo americano por meio da USAID. Seu conteúdo é de responsabilidade exclusiva dos autores e não reflete necessariamente as opiniões da USAID ou do governo dos EUA.

Citação

Finer M, Mamani N, Spore J (2021) Atualização sobre mineração ilegal de ouro na Amazônia peruana. MAAP: #154.

MAAP #151: Mineração ilegal na Amazônia equatoriana

Mapa Base. Os dois estudos de caso de mineração ilegal na Amazônia equatoriana: Yutzupino e Punino. Dados: EcoCiencia.

Neste relatório, abordamos a atividade ilegal de mineração de ouro na Amazônia equatoriana , com base em nossos relatórios anteriores sobre o Peru ( MAAP #130 ) e o Brasil ( MAAP #116 ).

O Mapa Base mostra os dois novos casos apresentados abaixo: Yutzupino (província de Napo) e Punino (divisa das províncias de Napo e Orellana).

Ambos os casos apresentaram expansão alarmante em 2021 e exigem ação contínua das autoridades para minimizar o impacto em 2022.

 

Este relatório faz parte de uma série focada na Amazônia equatoriana por meio de uma colaboração estratégica entre as organizações Fundación EcoCiencia e Amazon Conservation, com o apoio da Agência Norueguesa de Cooperação para o Desenvolvimento (Norad).

Yutzupino

Nós documentamos a rápida expansão da mineração de 70 hectares (173 acres) entre outubro de 2021 e janeiro de 2022, nas margens do Rio Jatunyacu na província de Napo (veja Imagem Yutzupino 1 ). A maior parte dessa atividade ocorreu em dezembro, destacando a atividade recente no local.

Imagem Yutzupino 1. Dados: Planeta.

A concessão de mineração de ouro Confluencia está localizada nesta área. No entanto, a empresa operadora TerraEarth Resources declarou que não é responsável por esta expansão repentina da mineração, indicando que a atividade detectada é ilegal porque não tem as licenças adequadas.

Em 8 de janeiro deste ano (2022), o governo equatoriano realizou uma intervenção de campo, confirmando a atividade ilegal (veja a reportagem nacional ). Apesar desta ação, a atividade de mineração ilegal continuou a avançar em janeiro de 2022, aumentando em pelo menos 6 hectares (15 acres).

Para analisar essa atividade mais recente, obtivemos uma imagem de satélite de altíssima resolução (Skysat, 0,50 metros) de 17 de janeiro (2022). Identificamos a presença de pelo menos 70 máquinas relacionadas à mineração que ainda permaneciam no local após a operação de campo do governo ter sido realizada (ver Imagem Yutzupino 2 e Zooms AB ).

Imagem Yutzupino 2. Dados: Planet, EcoCiencia.

Skysat Zoom A. Dados: Planeta, EcoCiencia.
Skysat Zoom B. Dados: Planeta, EcoCiencia.

Punino

Também documentamos o desmatamento minerário de 32 hectares (79 acres) entre novembro de 2019 e novembro de 2021, nas margens do Rio Punino, na fronteira entre as províncias de Napo e Orellana (ver Imagem Punino 1 ).

Imagem Punino 1. Dados: Planeta.

Duas concessões ativas de mineração de ouro, Punino I e Punino II, estão localizadas nesta área. No entanto, quase metade (46%) do desmatamento de mineração detectado (15 ha) está localizado fora dessas concessões, indicando que é uma atividade ilegal (ver Imagem Punino 2 ).

Imagem Punino 2. Dados: EcoCiencia, Planet.

Para contextualizar o referido desmatamento ilegal, utilizamos uma imagem de altíssima resolução (Skysat, 0,50 metros) para mostrar detalhadamente a expansão da mineração fora das concessões mineiras, inclusive com dragagens, máquinas e acampamentos (ver Imagem Punino 3 ).

Para analisar esse desmatamento ilegal de mineração mais recente, obtivemos uma imagem de satélite de altíssima resolução (Skysat, 0,50 metros) de dezembro de 2021. Identificamos os detalhes da expansão da mineração fora das concessões, incluindo máquinas e acampamentos (ver Imagem Punino 3 ).

Image Punino 3. Data: EcoCiencia, Planet.

Agradecimentos

Agradecemos a C. Rivadeneyra (F. EcoCiencia), E. Ortiz (AAF) e A. Folhadella (ACA) por suas contribuições para este relatório.

Este relatório faz parte de uma série focada na Amazônia equatoriana por meio de uma colaboração estratégica entre as organizações Fundación EcoCiencia e Amazon Conservation, com o apoio da Agência Norueguesa de Cooperação para o Desenvolvimento (Norad).

Citação

Villacís S, Ochoa J, Borja MO, Josse C, Finer M, Mamani N (2022) Mineração ilegal na Amazônia equatoriana. MAPA: #151.